O músico indiano Anil Das, residente em Kolkata, transformou o ambiente caótico de ataques aéreos em uma oportunidade para revitalizar a cena musical da cidade. Durante os últimos 18 meses, Das organizou mais de 40 concertos de jazz em espaços clandestinos, como garagens e prédios abandonados, mesmo com a ameaça constante de violência. A iniciativa, apesar das condições adversas, trouxe uma nova energia à comunidade artística local.

O contexto da violência e a resposta criativa

Kolkata, uma das maiores cidades da Índia, tem enfrentado um aumento nos ataques aéreos desde o início do ano. Segundo o governo local, 23 incidentes foram registrados até julho, resultando em 45 feridos. Nesse cenário, Anil Das, um músico de 38 anos, decidiu usar a música como forma de resistência. "A música é a única coisa que nos mantém unidos", disse Das em uma entrevista recente.

Músico constrói cena musical em Kolkata durante ataques aéreos — Politica
politica · Músico constrói cena musical em Kolkata durante ataques aéreos

Das começou a tocar em garagens e salas de eventos subterrâneos, onde o público se reunia em segredo. A iniciativa atraiu não apenas residentes locais, mas também artistas de outras cidades, como Mumbai e Delhi. "O jazz é uma forma de expressão que não depende de palcos grandes", explicou ele. "O que importa é a conexão entre o músico e o público."

Impacto na comunidade e na economia local

A cena musical de Kolkata, antes modesta, tem ganhado destaque graças à iniciativa de Das. Segundo o Instituto de Cultura da Índia, a cidade registrou um aumento de 25% nos eventos culturais em 2024. "A música é um motor de desenvolvimento", afirmou o diretor do instituto, Ravi Mehta. "Ela gera emprego e estimula o turismo cultural."

Além disso, a iniciativa de Das tem gerado discussões sobre a importância da arte em contextos de crise. "A música não é apenas entretenimento", disse Mehta. "Ela é um meio de cura e resistência." O projeto também atraiu a atenção de instituições internacionais, como a UNESCO, que está analisando a possibilidade de apoiar o movimento.

A música como resistência

Das não é o único artista que está usando a música para enfrentar a violência. Outros músicos da região, como a cantora Priya Das, também têm organizado eventos em locais alternativos. "A música nos mantém vivos", disse Priya. "Ela nos lembra que ainda podemos sonhar."

Os concertos de jazz em Kolkata têm se tornado uma forma de protesto silencioso contra a violência. Muitos participantes usam a música para expressar frustração e esperança. "Cada nota é uma pequena revolução", afirmou um fã anônimo durante um evento recente.

Consequências sociais e políticas

O movimento de Das e outros artistas tem gerado debate político. Alguns parlamentares locais têm pressionado o governo para que aumente a segurança em áreas vulneráveis. "A violência está afetando não apenas a vida das pessoas, mas também a economia", disse o deputado local, Arun Kumar. "É hora de agir."

Por outro lado, críticos questionam se a música pode realmente mudar a realidade da violência. "A arte é importante, mas não pode substituir a ação política", afirmou o analista político Rajesh Verma.

O futuro da cena musical em Kolkata

Com o aumento da visibilidade, o projeto de Das pode atrair mais apoio. A UNESCO está planejando uma visita de avaliação em outubro, o que pode levar a parcerias internacionais. "A música tem o poder de unir pessoas", disse o representante da UNESCO, João Silva. "Ela pode ser uma ferramenta de paz."

Para os moradores de Kolkata, a cena musical representa uma esperança. "Mesmo com a violência, ainda há beleza", afirmou uma residente. "A música nos mantém unidos." O próximo passo é ver se o movimento pode crescer e se tornar uma força duradoura na cidade.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.