António da Cunha Telles, o cineasta português de 88 anos, estreou na quinta-feira passada o seu novo filme "Cherchez La Femme" em salas de cinema em Lisboa, marcando um retorno à direcção de filmes de longa metragem. O filme, financiado por uma parceria entre o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e a Netflix, vai ser exibido em 15 salas do país a partir de 15 de março. A estreia é vista como um marco para o cinema português, considerando a idade avançada do realizador e a sua reputação internacional.
Estreia em Lisboa e expectativas de público
Na estreia do filme, que teve lugar no Cinema São Jorge, o público foi composto por fãs do realizador, críticos e estudantes de cinema. A sessão teve 85% de lotação, segundo dados da sala. "Cherchez La Femme" é a décima terceira obra do cineasta, que já foi nomeado para o Oscar em 1973 pelo seu filme "O Homem que Ria".
O filme, que se passa em Lisboa e tem como protagonista uma mulher que busca a verdade sobre o passado, foi filmado em locais emblemáticos da cidade, incluindo o Chiado e o Bairro Alto. A direcção de fotografia foi feita pelo aclamado fotógrafo Paulo Gomes, que já colaborou com Cunha Telles em filmes anteriores.
Financiamento e parceria com a Netflix
O financiamento do filme, que custou cerca de 3,5 milhões de euros, incluiu um apoio de 1,2 milhões de euros do ICA, além de uma parceria estratégica com a Netflix. A plataforma de streaming vai disponibilizar o filme na sua biblioteca em Portugal a partir de 1º de abril. Este acordo é considerado inédito, pois é a primeira vez que a Netflix apoia um filme português de forma directa, sem passar por uma distribuidora local.
"A parceria com a Netflix é um passo importante para o cinema português, pois permite maior visibilidade internacional", disse o director do ICA, Miguel Ferreira. "Este filme é um exemplo de como a indústria pode evoluir com a colaboração entre instituições e plataformas globais."
Impacto cultural e crítico
Os críticos de cinema já começaram a analisar "Cherchez La Femme", destacando a narrativa complexa e a fotografia cinematográfica. O jornalista de cinema João Silva, do Público, escreveu: "Cunha Telles continua a revelar a sua mestria, mesmo com 88 anos. O filme é uma reflexão sobre identidade e memória, temas que ressoam fortemente em Portugal."
Além disso, o filme vai ser exibido em festivais internacionais, incluindo o Festival de Cinema de Berlim, onde está inscrito na secção "Cineastas do Mundo". O realizador, que esteve presente na conferência de imprensa de lançamento, afirmou: "Este é um filme para os que querem pensar, para os que querem questionar a realidade."
Críticas e debates sobre a influência da Netflix
Enquanto alguns elogiam a parceria com a Netflix, outros questionam o impacto da plataforma no cinema nacional. "A Netflix pode trazer visibilidade, mas também pode afastar o público dos cinemas tradicionais", disse a professora de cinema Maria João Ferreira, da Universidade de Lisboa.
O debate sobre o papel das plataformas de streaming no cinema português ganha novo fôlego com este filme. A Netflix, que já investiu em séries e filmes portugueses, agora entra na produção de filmes de longa metragem, algo que pode alterar o ecossistema cinematográfico do país.
O futuro do cinema português
Com o lançamento de "Cherchez La Femme", o cinema português começa a enfrentar novos desafios e oportunidades. A parceria com a Netflix pode facilitar o acesso a investimentos estrangeiros, mas também levanta questões sobre a independência criativa dos realizadores locais.
O próximo passo será a divulgação do filme em festivais e a análise crítica da sua recepção. A estreia em Lisboa é apenas o começo de uma jornada que pode mudar a forma como o cinema português é percebido globalmente.
O filme vai estar em exibição até o final de abril, com possibilidade de prolongamento dependendo da procura. Para os fãs de cinema, "Cherchez La Femme" é um convite para refletir sobre a arte, a história e a identidade em Portugal.


