O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ignorou as demandas das mulheres durante uma transmissão ao vivo, apoiando ações que alguns consideram infiltradoras, enquanto o projeto de lei que estabelece cota feminina no Parlamento permanece estagnado. O evento ocorreu em Nova Deli, no dia 12 de outubro, e gerou críticas de ativistas e parlamentares.

Modi e o debate sobre cota feminina

O projeto de lei, que prevê a inclusão de 33% de mulheres em cargos políticos no país, foi proposto há mais de uma década, mas enfrenta resistência do governo. Durante a transmissão ao vivo, Modi não abordou o tema, reforçando a percepção de que o governo prioriza outras agendas. O ministro da Mulher e Desenvolvimento Infantil, Smriti Irani, afirmou que o assunto está sendo revisado, mas não há data para a votação.

Modi ignora mulheres, apoia infiltradores e trava lei de cota feminina — Empresas
empresas · Modi ignora mulheres, apoia infiltradores e trava lei de cota feminina

De acordo com o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento da Mulher (WII), apenas 14% das mulheres estão representadas em cargos políticos no país. Esse número é um dos mais baixos da região e destaca a necessidade de mudanças estruturais. A falta de ação do governo tem gerado protestos em cidades como Mumbai e Bangalore, onde grupos feministas exigem mais transparência e ações concretas.

Live e a falta de diálogo com mulheres

O evento ao vivo, organizado pela equipe de comunicação do governo, teve como foco a economia e a segurança nacional. Nenhum dos participantes mencionou a questão de gênero, o que gerou críticas de ativistas. A organização "Feministas do Norte" destacou que o governo está ignorando o clamor das mulheres por representação política.

Segundo o jornal The Hindu, mais de 200 mil mulheres participaram de manifestações em todo o país nos últimos meses, exigindo a aprovação da lei. A falta de diálogo durante o Live reforçou a desconfiança em relação ao governo. "A transparência é fundamental para acreditar que as mudanças estão em andamento", disse uma das líderes do movimento, Sunita Sharma.

Impacto no Brasil e em Portugal

O movimento indiano por igualdade de gênero tem efeitos diretos em países com relações comerciais e culturais estreitas, como o Brasil e Portugal. A influência de Modi na política internacional, especialmente em países de língua portuguesa, é um tema de debate. O impacto de suas decisões no ambiente de negócios e no diálogo internacional é analisado por especialistas.

Em Portugal, a sociedade civil tem observado atentamente o desenvolvimento do tema. O Instituto de Estudos de Gênero da Universidade de Lisboa destacou que a falta de ação do governo indiano pode influenciar políticas públicas em países com similaridades culturais. "A postura de Modi reflete desafios globais que também existem em Portugal", afirmou a pesquisadora Maria Fernandes.

Críticas e expectativas

As críticas ao governo indiano não se limitam ao setor feminino. Ações como a aprovação de leis que favorecem grupos específicos têm gerado discussões sobre o equilíbrio entre políticas públicas e representatividade. O Partido do Congresso, oposição ao governo, pediu uma reavaliação das prioridades do PM.

Além disso, o papel de "Live" na comunicação governamental é questionado. A transmissão ao vivo, apesar de ser uma ferramenta de engajamento, tem sido criticada por não abordar temas sensíveis, como a questão de gênero. "A comunicação precisa ser mais inclusiva", afirmou o jornalista Rajesh Kumar.

O que vem por aí

O próximo passo é a reavaliação do projeto de lei por parte do Parlamento indiano. A data da votação ainda não foi divulgada, mas ativistas esperam que o governo priorize a inclusão das mulheres na política. Em Portugal, especialistas monitoram o impacto das decisões indiano na relação bilateral e no debate sobre igualdade de gênero.

As próximas semanas serão decisivas para entender se o governo indiano vai realmente mudar sua abordagem. Para os portugueses, a evolução do tema em Nova Deli pode influenciar políticas públicas e relações internacionais. O que está em jogo é a representatividade e a inclusão em um mundo em constante transformação.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.