O White House realizou uma reunião com a Anthropic, empresa de inteligência artificial, para discutir os riscos associados ao modelo Mythos, que tem gerado preocupações sobre sua segurança e uso. O encontro, realizado em 12 de outubro, envolveu representantes do Departamento de Segurança Nacional e especialistas em tecnologia. A Anthropic, sediada em San Francisco, é conhecida por desenvolver sistemas de IA avançados, mas o modelo Mythos tem chamado a atenção por sua capacidade de gerar conteúdo complexo e autônomo.

O Modelo Mythos e as Preocupações de Segurança

O modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, tem sido alvo de críticas por sua capacidade de gerar texto e imagens com alta fidelidade, o que levanta questões sobre sua possível manipulação. A empresa afirmou que o modelo foi projetado com mecanismos de segurança, mas órgãos de inteligência dos Estados Unidos estão avaliando se essas medidas são suficientes. O Departamento de Segurança Nacional destacou que o modelo pode ser usado para criar conteúdo enganoso ou propaganda, especialmente em contextos políticos.

White House Reúne-se com Anthropic sobre Riscos do Modelo Mythos — Politica
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Segundo o secretário adjunto de Segurança Nacional, Matthew Hoh, “a capacidade do Mythos de simular conversas e criar conteúdo convincente exige uma vigilância constante. Estamos trabalhando com a Anthropic para garantir que o modelo não seja explorado de forma maliciosa.” O encontro contou com a presença de representantes do Laboratório de Inteligência Artificial da Universidade de Stanford, que também está monitorando o impacto do modelo.

Impacto Potencial em Portugal e na Europa

O modelo Mythos tem gerado debate em Portugal e na Europa, onde os reguladores estão buscando maneiras de regular a IA de forma eficaz. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior português já iniciou uma avaliação do uso de modelos de IA em setores críticos, como saúde e segurança pública. Um estudo da Universidade de Lisboa apontou que 30% das empresas tecnológicas em Portugal estão usando modelos de IA avançados, o que aumenta a necessidade de normas claras.

“A Anthropic tem um papel importante na inovação tecnológica, mas também uma responsabilidade social significativa”, afirmou a ministra da Ciência, Maria de Lurdes Rodrigues. “Estamos em contato com a empresa para assegurar que suas tecnologias sejam usadas de forma ética e segura.” A ministra destacou que o governo português está revisando suas diretrizes sobre IA, com um foco especial em modelos como o Mythos.

Regulação e Colaboração Internacional

O debate sobre o Mythos também envolve a colaboração internacional. A União Europeia está desenvolvendo um regulamento abrangente para a IA, com o objetivo de estabelecer padrões de segurança e transparência. O modelo da Anthropic será um dos casos de estudo para o novo quadro regulatório. A Comissão Europeia está buscando alinhar as políticas de IA com as de outros países, incluindo os Estados Unidos.

Além disso, o modelo Mythos está sendo analisado por organizações como a OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que busca estabelecer diretrizes globais para o uso responsável da IA. A OECD destacou que a transparência e o controle humano são fundamentais para evitar abusos.

Próximos Passos e Monitoramento Contínuo

O White House e a Anthropic concordaram em manter um diálogo constante sobre o modelo Mythos, com reuniões adicionais planejadas para o próximo trimestre. O Departamento de Segurança Nacional também vai publicar um relatório detalhado sobre as vulnerabilidades potenciais do modelo até o final do ano. A Anthropic anunciou que está revisando suas políticas de segurança para atender às demandas regulatórias.

Para Portugal, o governo deve lançar um plano de ação sobre IA até o final do ano, que incluirá diretrizes para empresas e instituições públicas. O ministro da Ciência destacou que a regulamentação precisa ser ágil, mas sólida, para acompanhar o rápido avanço da tecnologia.

O futuro do modelo Mythos e sua regulamentação será acompanhado de perto pelos governos e pela indústria. Com o aumento do uso de IA em setores críticos, a transparência e a responsabilidade são cada vez mais importantes. Os próximos meses serão decisivos para definir como a tecnologia será usada e controlada, tanto nos EUA quanto em Portugal.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.