Zimbabué, um país que há décadas enfrentava crises econômicas e inflação galopante, surpreendeu analistas ao registrar um crescimento econômico inesperado no primeiro trimestre de 2024. O Banco de Zimbabwe (BZ) confirmou que a economia cresceu 5,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada por uma recuperação no setor agrícola e pela estabilização da moeda local, o dólar zimbabuano. O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Tendai Biti, em Harare, capital do país.
Recuperação no Setor Agrícola
O crescimento econômico foi principalmente impulsionado pelo setor agrícola, que registrou um aumento de 12% na produção de milho e soja. O aumento da produção foi possível graças a melhores condições climáticas e ações do governo para incentivar os agricultores. Segundo a Comissão Agrícola de Zimbabué (ZAC), a colheita de milho atingiu 2,4 milhões de toneladas no período, um recorde desde 2015.
“A melhoria no setor agrícola é a chave para a estabilidade do país”, afirmou Tendai Biti, ministro da Economia. “Isso reduz a dependência de importações e gera empregos em áreas rurais.”
Estabilização da Moeda e Inflação
Outro fator que contribuiu para o boom econômico foi a estabilização do dólar zimbabuano. Após anos de hiperinflação, que chegou a 500% em 2018, o Banco de Zimbabwe adotou medidas para controlar a oferta de moeda e restabelecer a confiança do público. A inflação anual caiu de 180% em 2023 para 65% no primeiro trimestre de 2024, segundo dados do Banco Mundial.
“A estabilização da moeda é um passo importante”, disse o economista Sipho Moyo, da Universidade de Harare. “Mas ainda há desafios, como a dívida externa e a falta de investimento estrangeiro.”
Impacto nas Relações Comerciais
O boom econômico de Zimbabué tem implicações para países vizinhos, como a África do Sul e Moçambique, que são importantes parceiros comerciais. Além disso, o crescimento pode afetar a economia portuguesa, já que empresas portuguesas atuam no setor de mineração e infraestrutura no país. A empresa angolano-germânica Mavim, por exemplo, está investindo R$ 150 milhões em projetos de energia renovável em Zimbabué.
“Zimbabué está se tornando mais atraente para investidores internacionais”, afirmou Carlos Ferreira, analista de relações internacionais em Lisboa. “Isso pode gerar oportunidades para empresas portuguesas no setor de tecnologia e logística.”
Desafios e Críticas
Apesar do crescimento, alguns especialistas destacam os desafios que ainda persistem. A dívida externa do país atinge cerca de US$ 12 bilhões, e a dependência de commodities ainda é elevada. Além disso, a desigualdade social permanece alta, com mais de 70% da população vivendo com menos de US$ 2 por dia, segundo a ONU.
“O crescimento é positivo, mas precisa ser mais inclusivo”, disse a economista Noma Dlamini, da Universidade de Pretória. “Zimbabué ainda tem muito a fazer para garantir que os benefícios cheguem a todos os cidadãos.”
O Que Esperar em 2024
Os analistas acreditam que o crescimento econômico de Zimbabué pode continuar, desde que o governo mantenha as políticas de estabilização e invista em setores como tecnologia e educação. No entanto, a instabilidade política e a dependência de ajuda internacional ainda são riscos. O próximo passo será a implementação de um novo plano de ajuste fiscal, que deve ser apresentado no segundo trimestre do ano.
Para Portugal, o caso de Zimbabué é um sinal de que a África está em constante transformação, e o país pode se beneficiar de novas parcerias e oportunidades de investimento. O que importa é acompanhar os próximos passos do governo zimbabuano e como ele lidará com os desafios que ainda estão por vir.


