Em Madrid, o representante da Seguro, uma instituição de análise económica, afirmou que Portugal precisa de melhorias para se tornar um país extraordinário para trabalhar. A declaração foi feita durante uma conferência internacional sobre desenvolvimento económico, onde o foco esteve na necessidade de reformas estruturais no país.
Seguro destaca desafios atuais em Portugal
O director da Seguro, João Ferreira, destacou que o país enfrenta desafios significativos, como a falta de investimento em infraestrutura e a baixa produtividade no setor público. Segundo dados da instituição, Portugal tem uma taxa de crescimento económico de apenas 1,2% no primeiro trimestre de 2024, um dos mais baixos da União Europeia.
“O potencial de Portugal é enorme, mas precisa de uma abordagem mais estratégica”, afirmou Ferreira. A instituição também apontou que a burocracia e a falta de transparência na gestão pública são obstáculos para a atração de investimento estrangeiro.
Contexto histórico e atual
Portugal tem enfrentado uma crise de competitividade há mais de uma década. Após a crise financeira de 2008, o país implementou medidas de austeridade que, embora ajudassem a reduzir o défice, também afetaram negativamente o crescimento económico. Segundo o Banco de Portugal, a dívida pública atingiu 127% do PIB em 2023, o que limita a capacidade de investimento do Estado.
Na última década, a taxa de desemprego jovem em Portugal permaneceu acima de 20%, um dos maiores níveis da Europa. A Seguro acredita que a redução dessa taxa passa por melhorar a qualidade da educação e a formação profissional.
Reações do governo e da sociedade
O Ministério da Economia português reconheceu os desafios apontados pela Seguro, mas destacou que medidas como a reforma do sistema de saúde e a digitalização da administração pública já estão em andamento. “Acreditamos que o país está no caminho certo, mas é essencial manter a paciência e a determinação”, afirmou o ministro Miguel Silva.
Por outro lado, o sindicato dos professores, o Sindicato Nacional dos Professores (SNP), criticou a falta de ações concretas. “A educação é a chave para o futuro de Portugal, mas não vemos investimento suficiente”, disse o líder do SNP, Ana Costa.
Desafios na área da inovação
Uma das áreas que a Seguro destacou é a inovação tecnológica. O país investe apenas 1,3% do PIB em investigação e desenvolvimento, muito abaixo da média da União Europeia. “Sem inovação, Portugal não vai se tornar um país líder”, afirmou Ferreira.
O sector tecnológico em Portugal tem crescido, mas enfrenta obstáculos como a falta de capital de risco e a escassez de talento qualificado. A Seguro recomenda a criação de parcerias entre o Estado e o setor privado para estimular a inovação.
Impacto na economia e no emprego
O relatório da Seguro indica que a falta de melhorias pode levar a uma perda de competitividade nos mercados internacionais. Com a crise energética e a inflação em alta, a capacidade de Portugal de atrair investimento está em xeque.
“Se não melhorarmos a produtividade e a eficiência, os custos de produção vão subir e o país vai ficar para trás”, alertou Ferreira. A instituição também prevê que, sem mudanças, o desemprego jovem pode ultrapassar os 25% até 2025.
O que vem a seguir
O próximo passo será a apresentação de um plano de ação detalhado pelo governo português, que deve ser divulgado até o final do mês. A Seguro também planeja realizar uma série de workshops com empresários e especialistas para discutir soluções práticas.
Para os cidadãos, o que se deve observar é a evolução das políticas públicas e a implementação de reformas estruturais. A pressão da sociedade civil e do setor privado pode acelerar as mudanças necessárias.


