Professores em Portugal estão em greve e protestando após o Ministério da Educação anunciar uma nova avaliação do Teste de Avaliação de Título (TET), que muitos consideram uma ofensa ao seu profissionalismo. A medida, que foi divulgada na segunda-feira, gerou reações fortes em todo o país, especialmente em Lisboa, onde grupos de docentes se reuniram em frente ao Ministério para manifestar sua insatisfação. A avaliação, que terá lugar em outubro, será aplicada a todos os professores que desejam obter certificação definitiva, e é vista como uma tentativa de modernizar o sistema de reconhecimento de qualificações.

Reação dos professores: "É um ataque ao nosso trabalho"

Na capital, mais de 500 professores se reuniram em frente ao Ministério da Educação na quarta-feira, exigindo a revogação da nova avaliação. “Isso é um ataque ao nosso trabalho e à nossa credibilidade”, disse Maria Fernandes, professora de história e líder do Sindicato dos Professores de Lisboa. “Nós já passamos por avaliações antes, e agora querem nos submeter a mais uma? Isso não faz sentido.”

Professores em Portugal protestam contra nova avaliação TET — Empresas
empresas · Professores em Portugal protestam contra nova avaliação TET

Além do protesto, vários vídeos compartilhados nas redes sociais mostram docentes expressando sua frustração. Um vídeo viralizou, mostrando um grupo de professores discutindo o impacto da avaliação em suas carreiras. “Nós somos profissionais, não meros candidatos a um título”, afirmou um professor de matemática, que preferiu não se identificar.

O que é o TET e por que está em discussão?

O TET, ou Teste de Avaliação de Título, é um exame obrigatório para professores que desejam obter uma certificação oficial no sistema educacional português. O exame foi introduzido em 2018 como parte de uma reforma do ensino público, visando garantir que todos os docentes atendam a padrões mínimos de qualidade. No entanto, desde então, o teste tem gerado controvérsias, especialmente por sua complexidade e o alto índice de reprovação.

Segundo dados do Ministério da Educação, apenas 42% dos professores que fizeram o TET em 2022 foram aprovados. A nova avaliação, que incluirá novas áreas de conhecimento, como gestão escolar e inovação pedagógica, foi criticada por especialistas como uma medida que não considera a experiência prática dos docentes.

Impacto no setor educacional

A medida tem gerado preocupação entre sindicatos e associações de professores, que temem que a nova avaliação possa afetar a estabilidade do sistema educacional. “Estamos vendo uma onda de descontentamento que pode levar a greves mais amplas”, disse António Silva, diretor do Sindicato Nacional dos Professores. “Se os professores não se sentirem respeitados, isso vai afetar a qualidade da educação.”

Além disso, a avaliação pode impactar a formação de novos docentes, já que muitos aprovados no TET estão no processo de obtenção de certificação. “Se o exame for mais difícil, mais professores podem ser afetados”, explicou Sofia Costa, analista educacional no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP).

Contexto histórico e crítica política

Os professores em Portugal têm histórico de luta por melhores condições de trabalho. A avaliação TET é vista como mais uma tentativa do governo de reestruturar o setor sem considerar a voz dos profissionais. Em 2018, quando o teste foi introduzido, houve protestos semelhantes, com milhares de docentes ocupando escolas em várias cidades.

Para o professor universitário Rui Moreira, especialista em educação, o TET é um exemplo de como políticas educacionais são frequentemente implantadas sem diálogo com o setor. “O governo parece ignorar a realidade dos professores. Isso é um problema estrutural”, afirmou.

O que vem por aí?

O Ministério da Educação afirma que a nova avaliação é parte de um esforço para melhorar a qualidade do ensino público. No entanto, a pressão por mudanças está crescendo. A próxima reunião do Conselho de Ministros, marcada para o dia 20 de setembro, pode trazer novas orientações sobre o assunto.

Enquanto isso, os professores continuam a organizar manifestações e a pressionar por uma reforma que respeite suas competências. “Nós queremos ser ouvidos, não submetidos a novas provas que não têm fundamento”, concluiu Maria Fernandes. O que acontecer a seguir pode definir o futuro do ensino em Portugal.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.