O governo canadense aprovou formalmente o plano do Marineland para transferir 30 baleias-beluga para novas instalações, anunciou o Ministério das Pescas e Oceanos na terça-feira. A decisão marca um ponto de viragem para o parque aquático que enfrentou escrutínio crescente nos últimos anos.

A autorização surge após meses de negociação entre as autoridades federais e os operadores do Marineland, situado em Niagara Falls, Ontário. O parque confirmou que a transferência deverá ocorrer nos próximos meses, embora não tenha especificado datas exactas por razões de segurança.

Os detalhes do plano aprovado

Canadá aprova plano para realocar 30 baleias-beluga do Marineland — Financa
Finança · Canadá aprova plano para realocar 30 baleias-beluga do Marineland

O plano prevê a realocação das 30 baleias para instalações credenciadas que cumprem os padrões internacionais de bem-estar animal. A Associated Marine Mammals, organização que gere os programas de conservação do parque, revelou que cada animal será submetido a avaliações veterinárias completas antes da transferência.

O Ministério das Pescas e Oceanos condicionou a aprovação ao cumprimento de rigorosos protocolos de transporte. Inspeções independentes acompanharão cada fase do processo, confirmou um porta-voz da pasta em Ottawa.

Contexto: a luta do Marineland pela sobrevivência

O Marineland do Canadá abriu em 1961 e foi durante décadas um destino turístico majeur na região de Niagara. Nos últimos anos, o parque enfrentou dificuldades financeiras crescentes e controversies sobre as condições dos animais em cativeiro.

Em 2022, a empresa-mãe do parque, a New Brunswick based company, entrou em processo de recuperação judicial. A venda de activos e a reestruturação operacional tornaram-se inevitáveis face à queda acentuada de visitantes e aos custos elevados de manutenção das instalações.

Organizações de protecção animal monitorizam o caso há vários anos. A Humane Society International applaudiu a decisão como "um passo na direcção certa", mas advertiu que a acompanhamento pós-transferencia será fundamental.

Por que esta decisão importa agora

A aprovação federal chega num momento em que a legislação canadense sobre animais marinhos em cativeiro está sob revisão. O Animal Welfare Act propõe novas exigências para instalações que mantêm cetáceos, o que poderia ter obrigado o Marineland a encerrar as suas atracções com baleias num prazo de cinco anos.

Para os defensores dos animais, a realocação representa uma oportunidade de melhorar significativamente a qualidade de vida dos exemplares. As novas instalações deberán oferecer mais espaço e ambientes mais enriquecedores, algo que os biólogos marinhos consideram essencial para o bem-estar a longo prazo destes animais.

Para a indústria turística local, however, a decisão levanta questões sobre o futuro do Marineland como destino. Sem as baleias-beluga, que sempre foram a principal atracção do parque, a estratégia comercial da instalação terá de ser inteiramente revista.

O que acontece às outras espécies

O Marineland alberga actualmente mais de 60 espécies marinhas, incluindo leões-marinhos, botos e diversas variedades de peixe. A transferência das baleias-beluga não afecta directamente estes animais, mas estabelece um precedente para a gestão futura do parque.

As autoridades provinciais de Ontário confirmaram que continuarão a monitorizar as condições das restantes espécies através de inspeções regulares. Qualquer violação dos padrões mínimos de bem-estar resultará em sanções administrativas imediatas.

Próximos passos e o que observar

A primeira fase da transferência arrancará com a identificação das instalações receptoras, um processo que deverá estar concluído dentro de 60 dias. O Marineland recusou revelar os nomes dos destinos propostos, argumentando que a divulgação poderia comprometer a logística e a segurança dos animais.

Grupos ambientais exigiram transparência total no processo. A Ocean Alliance, sediada em Gloucester, Massachusetts, pediu acesso aos relatórios veterinários e aos planos de adaptação das baleias ao novo ambiente.

Os próximos meses serán decisivos para definir se a realocação resultará em benefícios concretos para os animais. Especialistas advertem que a transição para cativeiro representa sempre um stress significativo para cetáceos, e que o acompanhamento a longo prazo será indispensável.

O Ministério das Pescas e Oceanos agendou uma reunião pública para o próximo mês, onde serão apresentados os detalhes finais do plano. A sessão, que decorrerá em Ottawa, permitirá aos cidadãos colocar questões directamente aos responsáveis pela operação. É a partir dessa audiência que o cronograma exacto da transferência deverá finalmente ser tornado público.

Opinião Editorial

Para os defensores dos animais, a realocação representa uma oportunidade de melhorar significativamente a qualidade de vida dos exemplares. Especialistas advertem que a transição para cativeiro representa sempre um stress significativo para cetáceos, e que o acompanhamento a longo prazo será indispensável.

— minhodiario.com Equipa Editorial
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Ana Silva
Autor
Ana Silva é jornalista financeira a cobrir os mercados de capitais portugueses, política monetária europeia e o sector bancário nacional. Baseada no Porto, acompanha as decisões do BCE, os resultados das instituições financeiras portuguesas e as tendências dos mercados bolsistas com rigor analítico.

Ana contribui regularmente para plataformas de informação financeira e tem experiência na cobertura de cimeiras europeias de política económica. Licenciou-se em Gestão pelo ISCTE e concluiu um mestrado em Jornalismo na Universidade Nova de Lisboa.