Centenas de pessoas invadiram as ruas nas redondezas do Lincoln Financial Field, em Filadélfia, para celebrar juntos depois de um jogo do Brasil na Copa do Mundo. A festa juntou aficionados do futebol brasileiro com emigrantes haitianos numa demonstração rara de unidade cultural num cenário desportivo norte-americano.

O jogo que abriu portas para a celebração

A partida do Brasil transmitiu-se num ecrã gigante montado junto ao estádio, atraindo residentes da cidade americana e visitantes de várias origens. O Lincoln Financial Field, casa habitual do Philadelphia Eagles, recebeu milhares de pessoas que quiseram acompanhar a seleção brasileira em ação. As ruas circundantes encheram-se de bandeiras, camisolas amarelas e verdes e o azul característica do Haiti.

Filadélfia Une Torcedores do Brasil e Haiti em Celebração Inesperada no Lincoln Financial Field — Desporto
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A equipa brasileira não disappointing os apoiantes presentes. Os golos marcados motivaram erupções de alegria tanto entre os brasileiros natos como entre os haitianos que escolheram Filadélfia como novo lar. Muitos emigrantes haitianos escolheram os Estados Unidos como destino depois dos terramotos devastadores de 2010 no seu país de origem.

A diaspora haitiana em Filadélfia

Filadélfia abriga uma das maiores comunidades haitianas dos Estados Unidos. O bairro de Olney e outras zonas do norte da cidade tornaram-se pontos de referência para os Haitianos que procuram manter as suas tradições culturais no estrangeiro. O Brasil também enviou missões de ajuda humanitária ao Haiti após o desastre de 2010, criando laços que persistem até hoje.

Os emigrantes haitianos em Filadélfia mantêm contacto frequente com familiares através de videochamadas e redes sociais. Vários testemunhos recolhidos no local indicaram que muitos haitianos cresceram a ver jogos do campeonato brasileiro através de transmissões irregulares nas suas aldeias de origem.

Relações entre Brasil e Haiti

As forças armadas brasileiras participaram na missão de manutenção da paz das Nações Unidas no Haiti durante vários anos. Mais de 37.000 militares brasileiros serviram na MINUSTAH, a operação que tentou estabilizar o país caribenho após a queda do governo de Jean-Bertrand Aristide. Essa presença criou proximidade entre os dois povos que ainda se reflete nos dias de hoje.

O momento da celebração conjunta

Quando o árbitro apitou para o final do jogo, brasileiros e haitianos juntaram-se nas ruas sem distinção. Alguns torcedores distribuíram comida gratuitamente. Outros partilharam bebidas e música. Jovens haitianos ensinaram passos de dança tradicional enquanto brasileiros respondiam com cantigas de apoio à seleção.

O clima de amizade prolongou-se durante várias horas depois do apito final. A polícia de Filadélfia controlou o trânsito mas não precisou de intervir em qualquer incidente. Organizadores locais de eventos desportivos indicaram que não esperavam uma adesão tão grande por parte da comunidade haitiana.

Filadélfia como cidade multiétnica

A Filadélfia de hoje é uma metrópole marcada pela diversidade. Mais de 200 línguas se falam nas suas ruas. A comunidade brasileira estimada ultrapassa as 50.000 pessoas, segundo dados do consulado, enquanto os haitianos representam uma das maiores populações imigrantes da cidade. Os dois grupos encontram-se frequentemente em bairros como North Philadelphia e Kensington.

Os estádios da NFL como o Lincoln Financial Field funcionam regularmente como centros de transmissão para eventos desportivos internacionais. Durante o Mundial de Futebol, estas infraestruturas atraem multidões que raramente se reúnem noutras circunstâncias.

O que vem a seguir

Os próximos jogos do Brasil na fase de grupos vão manter o ecrã gigante junto ao Lincoln Financial Field. Organizadores antecipam que a celebração conjunta pode repetir-se se a seleção avançar para as eliminatórias. A comunidade haitiana já anunciou planos para organizar encontros semelhantes durante os próximos encontros do torneio.

O fenómeno de Filadélfia contrasta com episódios de tensão que por vezes marcam reuniões entre adeptos de diferentes países em cidades europeias. Especialistas em sociologia urbana indicam que a ausência de históricos conflitos bilaterais entre Brasil e Haiti facilita este tipo de aproximação espontânea.

O que deve merecer atenção nos próximos dias é a reação das autoridades locais à dimensão destes encontros. Se a assistência continuar a crescer, as autoridades de Filadélfia terão de decidir se montam estruturas permanentes de apoio à volta do estádio para os jogos seguintes.

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As ruas circundantes encheram-se de bandeiras, camisolas amarelas e verdes e o azul característica do Haiti.
Mariana Santos
Autor
Mariana Santos é jornalista desportiva a cobrir o futebol português, o desporto olímpico e as competições europeias. Segue a Primeira Liga, a Seleção Nacional e os atletas portugueses que competem nos principais palcos internacionais, com uma perspectiva atenta ao desporto feminino e às modalidades menos mediáticas.

Mariana tem experiência em coberturas de grandes eventos desportivos, incluindo o Euro e os Jogos Olímpicos. Licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade Católica Portuguesa.