Cabo Verde prepara-se para explorar as oportunidades económicas geradas pela sua primeira participação histórica num Mundial de futebol. O arquipélago, composto por dez ilhas no Atlântico, garantiu no ano passado um lugar no palco mundial pela primeira vez, e o governo já delineou estratégias para converter essa visibilidade internacional em investimento estrangeiro e crescimento turístico. As autoridades caboverdianas reconhecem que o torneio representa uma janela única para projetar o país perante uma audiência global de milhares de milhões de espetadores.

A Conquista Histórica de Cabo Verde

A seleção de Cabo Verde, conhecida como os Tubarões Azuis, alcançou em março um feito sem precedentes ao garantir a qualificação para o Mundial que se realiza no Qatar. O país tornou-se assim na nação africana com menor população alguma vez a marcar presença numa fase final da competição. Com aproximadamente 600 mil habitantes, Cabo Verde supera apenas três nações em termos demográficos entre todos os participantes em Mundiais desde a Segunda Guerra Mundial. O seleccionador nacional, Bubista, conduziu a equipa através de uma campanha de qualificação notável que culminou numa vitória decisiva sobre o Ghana.

Cabo Verde Quer Transformar Visibilidade do Mundial em Crescimento Económico — Desporto
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Estratégia Governamental para Capitalizar o Momento

O Ministério do Turismo e Transportes de Cabo Verde já anunciou planos concretos para tirando partido da exposição mediática internacional. O governo pretende acelerar a construção de novas infraestruturas hoteleiras nas ilhas de Sal e Boa Vista, destinos que recebem a maioria dos turistas que visitam o arquipélago anualmente. Oficialmente, as autoridades esperam que o número de visitantes aumente em pelo menos 15 por cento nos dois anos seguintes ao torneio. O primeiro executivo da Cabo Verde Airports, empresa responsável pela gestão dos principais aeródromos, adiantou que estão previstos investimentos na ordem dos 50 milhões de euros para expandir a capacidade aeroportuária.

Projeto de Marcação Turística Internacional

Paralelamente, a Agência de Promoção Turística e Investimentos está a preparar uma campanha publicitária internacional que será lançada durante o período do Mundial. A iniciativa visa posicionar Cabo Verde como um destino exótico mas acessível para viajantes europeus, particularmente aqueles provenientes de Portugal, França e Alemanha. A campanha inclui parcerias com companhias aéreas que operam rotas para o arquipélago, oferecendo tarifas promocionais no período pós-torneio.

O Setor Turístico Como Motor da Economia

O turismo representa atualmente cerca de 25 por cento do produto interno bruto de Cabo Verde, empregando diretamente mais de 30 mil pessoas. O país recebe anualmente cerca de 800 mil turistas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, embora as autoridades aspirem a atingir a marca do milhão de visitantes por ano até 2030. A pandemia de covid-19 golpeou severamente esta indústria, reduzindo drasticamente os fluxos turísticos entre 2020 e 2021. A recuperação tem sido gradual, e a visibilidade do Mundial surge num momento crucial para acelerar esse processo.

Os principais mercados emissores são Portugal, França, Alemanha e Brasil. As ilhas de Sal e Boa Vista concentram a maioria da capacidade hoteleira, oferecendo resorts all-inclusive direcionados para europeus em busca de sol e praia durante os meses de inverno no hemisfério norte.

Impacto no Desenvolvimento Desportivo Nacional

Além das implicações económicas, a participação no Mundial deverá ter efeitos duradouros na estrutura desportiva de Cabo Verde. A Federação de Futebol local espera que o sucesso da seleção inspire uma nova geração de jovens praticantes e atraia mais investimento para as escolas de formação existentes. Algumas academias de futebol em Portugal e Brasil já manifestaram interesse em estabelecer parcerias com clubes caboverdianos, reconhecendo o potencial de um país que conseguiu qualificar-se para o Mundial com uma população tão reduzida.

A selecção nacional jogou os seus jogos em casa durante a qualificação no Estádio Nacional de Cabo Verde, em Praia, capital da ilha de Santiago. O recinto tem capacidade para cerca de 10 mil espetadores e poderá beneficiar de obras de modernização financiadas por fundos internacionais de desenvolvimento.

Desafios e Oportunidades no Horizonte

As autoridades caboverdianas admitem que o país enfrenta desafios logísticos significativos para maximizar os benefícios desta oportunidade única. A dependência de ligações aéreas limitadas e a necessidade de diversificar a oferta turística para além do sol e praia são questões que merecem atenção prioritária. Contudo, a combinação de uma identidade cultural rica, a proximidade geográfica com a Europa e a visibilidade proporcionada pelo Mundial cria condições favoráveis para um salto qualitativo na atração de investimento estrangeiro.

Cabo Verde ocupa a 128.ª posição no ranking de facilidade de fazer negócios do Banco Mundial, um indicador que revela obstáculos burocráticos e infrastrukturativos. O governo tem vindo a implementar reformas para melhorar o ambiente empresarial, incluindo a digitalização de procedimentos administrativos e a simplificação de processos de obtenção de licenças.

O Que Vem a Seguir Para Cabo Verde

O Mundial arranca no Qatar em novembro, e Cabo Verde ficou sorteada no Grupo H, onde enfrentará Holanda, Senegal e Equador. Os Tubarões Azuis jogarão o seu primeiro encontro da fase de grupos contra os Países Baixos. Para o governo, o foco está não no desempenho desportivo em si, mas nas consequências económicas que se seguirão ao torneio. As autoridades preveem que o período entre 2023 e 2025 será decisivo para consolidar os ganhos de visibilidade e converter o interesse internacional em projetos concretos de investimento. O arquipélago aguarda ainda a decisão do Fundo Monetário Internacional relativamente a um programa de apoio financeiro que permitiria reforçar as reservas cambiais e garantir estabilidade macroeconómica durante este período de aceleração do crescimento.

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Opinião Editorial

As ilhas de Sal e Boa Vista concentram a maioria da capacidade hoteleira, oferecendo resorts all-inclusive direcionados para europeus em busca de sol e praia durante os meses de inverno no hemisfério norte.Impacto no Desenvolvimento Desportivo NacionalAlém das implicações económicas, a participação no Mundial deverá ter efeitos duradouros na estrutura desportiva de Cabo Verde. O recinto tem capacidade para cerca de 10 mil espetadores e poderá beneficiar de obras de modernização financiadas por fundos internacionais de desenvolvimento.Desafios e Oportunidades no HorizonteAs autoridades caboverdianas admitem que o país enfrenta desafios logísticos significativos para maximizar os benefícios desta oportunidade única.

— minhodiario.com Equipa Editorial
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Mariana Santos
Autor
Mariana Santos é jornalista desportiva a cobrir o futebol português, o desporto olímpico e as competições europeias. Segue a Primeira Liga, a Seleção Nacional e os atletas portugueses que competem nos principais palcos internacionais, com uma perspectiva atenta ao desporto feminino e às modalidades menos mediáticas.

Mariana tem experiência em coberturas de grandes eventos desportivos, incluindo o Euro e os Jogos Olímpicos. Licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade Católica Portuguesa.