Na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia transmitiu uma mensagem clara a Catmandu: as questões fronteiriças entre os dois países devem ser resolvidas apenas através de diálogo bilateral, sem intervenção de potências externas. A declaração surgiu horas depois de o primeiro ministro do Nepal, KP Sharma Oli, ter sugerido que consultas mais amplas poderiam ser necessárias para resolver disputas pendentes na fronteira setentrional.
Resposta diplomática em Kathmandu
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, Randhir Jaiswal, confirmou em Nova Deli que o governo mantém contacto direto com as autoridades nepalesas. "A Índia não aceita a inclusão de terceiros em negociações que sempre foram conduzidas entre os dois países", declarou Jaiswal durante uma coletiva de imprensa. A declaração foi interpretada como um aviso implícito a Pequim, que tem aumentado a sua influência económica no Nepal nos últimos anos.
O timing da resposta indianista não foi casual. A delegação do Partido Comunista Nepali (Maoísta), liderada pelo presidente do partido, Pushpa Kamal Dahal, arrived em Nova Deli na segunda-feira para uma visita de cinco dias. Kathmandu sources confirmou que Dahal se reuniu com responsáveis do Partido Bharatiya Janata (BJP) no poder durante a sua estada na capital indiana.
Balen Shah e o debate interno no Nepal
O autoproclamado independente Balen Shah, presidente da câmara de Catmandu, emergiu como uma voz inesperada nesta discussão geopolítica. Num publik message nas redes sociais na quarta-feira, Shah defendeu que o Nepal deveria "explorar todas as opções diplomáticas disponíveis" para resolver os pontos de contenção territorial, particularmente na região do MonteEverest e nos vales montanhosos fronteiriços.
A posição de Shah provocou reacções adversas dentro do establishment político nepales. O Partido do Congresso Nepali, que faz parte da coligação governamental, qualificou as declarações como "ingerência unacceptable em matéria de política externa". Fontes próximas do governo disseram ao Expresso Nepali que o primeiro ministro Oli tentou distancing himself from Shah sem aparentemente sucess.
Tensões na fronteira norte
As diferenças territoriais entre o Nepal e a China concentram-se principalmente em dois pontos: a região de Lipulekh, onde Pequim construiu uma estrada que Catmandu considera invasiva, e o vale de Kalapani, uma zona disputada desde os anos 1960. Em 2020, o Nepal publicou um novo mapa que incluía ambas as zonas como território nepales — uma decisão que irritou tanto Nova Deli como Pequim.
Dados do Banco Mundial indicam que o comércio bilateral entre o Nepal e a China atingiu 2,4 mil milhões de dólares em 2023, um aumento de 67% relativamente a 2018. Esta vulnerabilidade económica tornou-se um factor nas discussões internas sobre qual potência deveria ter mais peso na política externa nepalesa.
Implicações para as relações bilaterais
A visita de Dahal a Nova Deli visa, segundo fontes governamentais nepalesas, reassuring o governo indian sobre o compromisso de Catmandu com o diálogo directo. O maoísta, que foi primeiro ministro entre 2008 e 2009, mantém uma relação pessoal próxima com Narendra Modi desde que apoiou as reformas de modernização do exército nepalesas.
Analistas diplomáticos em Catmandu notam que tanto a Índia como a China estão a competir por influência no Nepal através de projectos de infraestrutura e investimentos. O Nepal recebeu 800 milhões de dólares em financiamento chinês para projects rodoviários desde 2018, enquanto a Índia investiu cerca de 650 milhões de dólares em projectos de conectividade, segundo dados do外交部 nepales.
A recusa indianista em aceitar mediadores externos refleja uma estratégia mais ampla de Nova Deli para manter o Nepal dentro da sua esfera de influência geopolítica na Ásia do Sul, especialmente num momento em que as relações entre a Índia e a China permanecem tensas devido à disputa territorial no Ladakh.
Próximos desenvolvimentos
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Nepal ainda não respondeu oficialmente à declaração indianista. Fontes governamentais disseram que Oli convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para quinta-feira para avaliar a situação. O resultado dessa reunião poderá determinar se Catmandu adopta uma postura mais assertiva ou se tenta equilibrar as relações com ambas as potências.
Analistas recomendam atenção aos próximos gestos diplomáticos: está prevista uma visita do enviado special chinese para o Sul da Ásia para finais de Junho, e o Nepal deverá apresentar até ao final do mês uma proposta formal para um mecanismo de consultas conjuntas sobre os pontos fronteiriços pendentes.
Fontes governamentais disseram que Oli convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para quinta-feira para avaliar a situação. O Partido do Congresso Nepali, que faz parte da coligação governamental, qualificou as declarações como "ingerência unacceptable em matéria de política externa".


