A Ordem dos Contabilistas Certificados reportou um lucro de 727 mil euros até março, revelando um crescimento significativo em relação ao ano anterior. A informação foi divulgada em comunicado interno, destacando a eficiência operacional e o aumento de serviços prestados. O órgão, com sede em Lisboa, mencionou "algumas preocupações" com o aumento de custos, mas reforçou a sua posição de estabilidade financeira.

Lucro crescente e preocupações com custos

O aumento de 727 mil euros no lucro da Ordem dos Contabilistas Certificados foi alcançado através de uma maior eficiência e uma maior adesão a serviços de contabilidade e auditoria. Segundo o presidente da Ordem, José Almeida, o crescimento reflete a confiança dos profissionais e das empresas no setor. "Estamos a ver um aumento na procura de serviços especializados, o que tem contribuído para a melhoria da nossa posição financeira", afirmou.

Ordem dos Contabilistas lucra 727 mil euros até março — Empresas
empresas · Ordem dos Contabilistas lucra 727 mil euros até março

No entanto, a Ordem reconhece que está a enfrentar desafios relacionados com o aumento dos custos operacionais. Almeida destacou que os custos com materiais e tecnologia têm subido, o que pode afetar a rentabilidade a curto prazo. "Não podemos ignorar estas pressões, mas estamos a trabalhar para mitigar os seus efeitos", afirmou.

Contexto económico e impacto no setor

O crescimento da Ordem dos Contabilistas Certificados ocorre num momento de instabilidade económica em Portugal. O aumento de custos de energia, materiais e serviços tem afetado diversos setores, incluindo o da contabilidade. Segundo o Banco de Portugal, o custo de vida tem subido cerca de 5% no primeiro trimestre do ano, o que está a pressionar pequenas e médias empresas.

Este contexto torna ainda mais relevante o relatório da Ordem. A sua posição financeira sólida pode servir como um exemplo para outros órgãos profissionais. "A Ordem está a mostrar que é possível crescer mesmo em tempos difíceis, desde que haja gestão eficiente e transparência", afirmou Ana Ferreira, economista do Instituto Superior de Ciências Económicas e Administrativas (ISCAL).

Reações do setor e perspectivas futuras

A notícia do lucro da Ordem dos Contabilistas Certificados gerou reações variadas no setor. Muitos profissionais elogiaram a transparência e a gestão do órgão, enquanto outros expressaram preocupação com a possibilidade de aumentos de taxas. "Se a Ordem aumentar os custos dos serviços, pode afetar a acessibilidade para pequenas empresas", comentou Maria Santos, contabilista em Lisboa.

Apesar das preocupações, a Ordem afirmou que não há planos imediatos de alteração nas tarifas. "Estamos a trabalhar para manter os custos estáveis, garantindo ao mesmo tempo a qualidade dos serviços", afirmou José Almeida. A Ordem também destacou que está a investir em formação contínua para os seus membros, o que pode contribuir para a manutenção da sua competitividade.

Próximos passos e expectativas

A Ordem dos Contabilistas Certificados deve apresentar um relatório mais detalhado sobre o seu desempenho financeiro até o final do mês de abril. Este documento será analisado por associações profissionais e pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que supervisiona a atividade dos contabilistas em Portugal.

Além disso, a Ordem está a preparar uma nova estratégia para o próximo ano, que incluirá a digitalização de serviços e a expansão para novas regiões. "Acreditamos que a inovação é essencial para manter o crescimento sustentável", afirmou José Almeida. O próximo passo será a apresentação da nova estratégia em uma assembleia geral que deve acontecer em maio.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.