A União Europeia (UE) avançou com 21 ações concretas para transformar o Pacto para o Mediterrâneo em uma realidade política e económica. O anúncio foi feito pela Comissão Europeia em Bruxelas, onde a presidente Ursula von der Leyen destacou o compromisso com a região. O pacto, que visa fortalecer a cooperação entre a UE e os países do sul do Mediterrâneo, inclui medidas para melhorar a segurança, o comércio e a migração. Portugal, como país mediterrâneo, está entre os que poderão se beneficiar das novas iniciativas.

O Pacto para o Mediterrâneo e a sua Importância

O Pacto para o Mediterrâneo foi lançado em 2015 com o objetivo de reforçar a cooperação entre a UE e os países do sul do Mediterrâneo, incluindo Espanha, França, Itália e Portugal. A iniciativa visa abordar desafios comuns como a migração, a segurança marítima e o desenvolvimento económico. Segundo a Comissão Europeia, o pacto tem como meta reduzir a pobreza e melhorar a qualidade de vida na região.

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Em 2023, a UE anunciou a elaboração de um plano de ação com 21 medidas específicas, incluindo a criação de um fundo de 10 mil milhões de euros para investimento em infraestruturas e energia limpa. O ministro português da Coesão Territorial, João Pedro Matos Fernandes, afirmou que o pacto é "uma oportunidade para Portugal reforçar a sua posição como ponte entre a Europa e a África".

Quais são as Ações Concretas?

Entre as 21 ações, estão incluídas iniciativas para melhorar a conectividade marítima e terrestre, como a criação de corredores de transporte e a modernização de portos. A UE também planeja investir na formação profissional e no desenvolvimento de energia renovável. Uma das medidas mais importantes é a melhoria das políticas de imigração, com o reforço de acordos bilaterais entre a UE e países do norte de África.

Segundo o documento da Comissão Europeia, 12 destas ações estão já em execução, enquanto as restantes serão implementadas até 2025. Um dos projetos mais ambiciosos é a criação de uma rede de centros de inovação e tecnologia no sul do Mediterrâneo, com apoio financeiro da UE.

Impacto em Portugal

Portugal está entre os países que poderão beneficiar diretamente do Pacto para o Mediterrâneo. O país tem uma longa história de cooperação com os países do sul do Mediterrâneo, especialmente com a Argélia e a Tunísia. O ministro Matos Fernandes destacou que o pacto pode ajudar a diversificar as relações económicas de Portugal e a aumentar o investimento estrangeiro.

Além disso, o pacto pode contribuir para a redução do fluxo de imigrantes ilegais, já que a UE está a reforçar os acordos com os países de origem. A Comissão Europeia estima que o pacto possa reduzir o número de pessoas que tentam entrar na UE por via marítima em até 20% nos próximos anos.

Desafios e Críticas

Apesar das promessas, o Pacto para o Mediterrâneo enfrenta desafios. Alguns países da região, como a Líbia e a Síria, ainda não estão totalmente envolvidos, o que pode limitar o impacto do pacto. Além disso, críticos argumentam que as medidas propostas são ainda muito gerais e que falta uma abordagem mais concreta para resolver os problemas estruturais da região.

O economista português Nuno Amado destacou que o pacto "é um passo importante, mas precisa de mais transparência e de metas claras para ser eficaz". Segundo ele, o sucesso do pacto dependerá em grande parte da cooperação entre a UE e os países do sul do Mediterrâneo.

O que Vem em Seguida?

A Comissão Europeia planeia apresentar um relatório anual sobre o avanço das 21 ações até o final de 2024. Além disso, está prevista uma reunião ministerial entre a UE e os países do sul do Mediterrâneo em Lisboa no próximo mês. Esta reunião será crucial para discutir os próximos passos e para garantir que o pacto continue a ser uma prioridade para os governos envolvidos.

Os cidadãos portugueses devem estar atentos a estas mudanças, pois o Pacto para o Mediterrâneo pode ter impactos diretos no comércio, na segurança e na imigração. O próximo passo será a implementação das medidas e a avaliação do seu impacto real na região.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.