O crescimento económico da Ásia resiste às incertezas no Médio Oriente, enquanto a Europa enfrenta previsões de perdas superiores a 1%, segundo dados divulgados pelo Banco Mundial. A região asiática, liderada pela China e Índia, mantém uma taxa de crescimento de 5,2% no primeiro trimestre de 2024, apesar da instabilidade regional. A Comissão Europeia, por outro lado, alerta que a crise no Oriente Médio pode reduzir o PIB da União Europeia em 1,2% até o final do ano.

Ásia mantém confiança no crescimento

A China, maior economia da Ásia, registou um crescimento de 5,2% no primeiro trimestre de 2024, segundo o Instituto Nacional de Estatística da China. A política de estímulo ao consumo interno e a expansão das exportações para mercados asiáticos ajudaram a manter a estabilidade. A Índia também se destaca, com uma taxa de crescimento de 6,8%, impulsionada pelo setor tecnológico e pela indústria automobilística.

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Na região do Sudeste Asiático, o Vietname tem se mostrado resiliente, com crescimento de 4,9% no primeiro trimestre. Segundo o Ministro da Economia do Vietname, Nguyen Xuan Phuc, a estabilidade política e a diversificação das relações comerciais ajudaram a proteger a economia. "A Ásia tem mostrado que pode crescer independentemente das crises globais", afirmou.

Europa enfrenta desafios devido à crise no Médio Oriente

A Comissão Europeia divulgou relatório que aponta para uma redução de 1,2% no PIB da União Europeia até o final do ano, devido ao impacto da crise no Médio Oriente. A instabilidade no Golfo Pérsico e a elevação dos preços do petróleo afetaram a inflação e a confiança dos consumidores. A Alemanha, maior economia da UE, já registra uma queda de 0,7% no PIB no primeiro trimestre.

Na França, o ministro da Economia, Bruno Le Maire, afirmou que a Europa precisa de estratégias de emergência para mitigar os efeitos da crise. "Precisamos de medidas que protejam os setores mais vulneráveis, como a indústria e o transporte", disse. A elevação dos custos de energia e a interrupção de rotas comerciais são os principais motivos da preocupação.

Oriente Médio: crise afeta toda a região

A instabilidade no Médio Oriente, particularmente no conflito entre Israel e Hamas, está causando impactos diretos no comércio e no turismo. O Iraque, que tem conexões comerciais com a região, sofreu uma queda de 2,5% nas exportações no primeiro trimestre. O ministro do Comércio do Iraque, Ali Al-Dabbagh, destacou que a segurança e a estabilidade são críticas para a recuperação.

O Irã também enfrenta desafios, com a elevação dos preços do petróleo afetando o poder de compra. O Banco Central do Irã informou que a inflação atingiu 41% no mês de março, causando protestos em várias cidades. A situação no Oriente Médio está gerando tensão internacional, com a ONU chamando para uma solução diplomática.

Impacto em Portugal

Embora Portugal não esteja diretamente envolvido na crise no Médio Oriente, o país sofre com os efeitos indiretos, especialmente no setor turístico e de importações. A Associação de Turismo de Portugal (ATP) informa que as reservas para destinos no Oriente Médio caíram 15% no primeiro trimestre. "A instabilidade afeta a confiança dos turistas", afirmou o presidente da ATP, João Paulo Ferreira.

Além disso, o custo das importações de energia e matérias-primas aumentou, afetando a indústria e o setor de construção. O ministro da Economia, Pedro Gonçalves, destacou que o governo está revisando as estratégias de importação e diversificação de fornecedores.

O que se segue?

O próximo passo será a reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, onde líderes globais debaterão estratégias para mitigar os efeitos da crise no Médio Oriente. A União Europeia também deve anunciar medidas de emergência até o final do mês, com foco em estabilizar os mercados e proteger os setores mais afetados.

Para Portugal, a prioridade será monitorar os custos de energia e a dinâmica do turismo. Os analistas sugerem que o país deve buscar novos mercados e diversificar suas fontes de importação para reduzir a dependência de regiões instáveis.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.