O Conselho Europeu anunciou uma nova estratégia para investir 1,2 biliões de euros na computação quântica até 2030, destacando o papel da União Europeia como potência tecnológica. A iniciativa, liderada pela Comissão Europeia, busca garantir que a Europa lidera a revolução tecnológica, com Portugal como um dos países em destaque devido ao seu crescimento no setor de tecnologia e inovação. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Henrique Fernandes, destacou que o país está preparado para aproveitar as oportunidades que surgem com o avanço da tecnologia quântica.

Investimento europeu para liderar a revolução tecnológica

O plano de investimento da União Europeia inclui financiamento para centros de pesquisa, parcerias entre empresas e universidades, e a formação de especialistas em computação quântica. A iniciativa é parte de uma resposta à concorrência global, especialmente dos Estados Unidos e da China, que estão também investindo pesado na área. A Comissão Europeia afirmou que o objetivo é desenvolver tecnologias quânticas que revolucionem setores como a segurança cibernética, a logística e a medicina.

Europa investe 1,2 biliões em computação quântica — e Portugal pode ganhar com isso — Empresas
Empresas · Europa investe 1,2 biliões em computação quântica — e Portugal pode ganhar com isso

Portugal já se posiciona como um dos países europeus com maior potencial para se beneficiar desse investimento. O país tem visto um crescimento significativo no setor tecnológico, especialmente em cidades como Lisboa e Porto. A Universidade de Lisboa e o Instituto Superior Técnico estão entre os principais centros de pesquisa no campo, com projetos já em andamento. O ministro Fernandes destacou que a computação quântica pode trazer avanços em áreas como a simulação de moléculas para a indústria farmacêutica, o que poderia impulsionar a economia nacional.

Como a computação quântica afeta Portugal?

A computação quântica tem o potencial de transformar setores críticos da economia, como a logística, a finança e a saúde. Para Portugal, isso significa oportunidades de inovação e atração de investimento estrangeiro. A tecnologia pode melhorar a eficiência da cadeia de suprimentos e otimizar processos de análise de dados, algo crucial para empresas de tecnologia e startups.

Além disso, a computação quântica pode impactar diretamente o setor público. O Governo português está estudando como a tecnologia pode ser usada para melhorar a gestão de recursos públicos e a segurança cibernética. O Departamento de Segurança Nacional já iniciou conversas com centros de pesquisa europeus sobre como integrar a tecnologia em sistemas de defesa nacional.

Desafios e oportunidades para o setor privado

Para o setor privado, a computação quântica representa tanto desafios quanto oportunidades. Empresas portuguesas precisam se adaptar rapidamente para não ficar para trás. A indústria farmacêutica, por exemplo, pode se beneficiar de simulações quânticas que aceleram o desenvolvimento de novos medicamentos. Já o setor financeiro pode usar a tecnologia para melhorar a análise de risco e a segurança de transações.

Entretanto, o custo de implementação e a falta de especialistas são obstáculos reais. Para enfrentar isso, a Comissão Europeia está promovendo programas de formação e bolsas de estudo para jovens cientistas e engenheiros. O Instituto de Ciências Nucleares e Físicas de Lisboa, por exemplo, já anunciou parcerias com universidades europeias para criar programas de pós-graduação em computação quântica.

O que Portugal deve fazer para aproveitar o momento?

Para aproveitar o potencial da computação quântica, Portugal precisa investir em infraestrutura tecnológica e formação de mão de obra especializada. O Governo já está trabalhando em uma estratégia nacional para promover a inovação no setor. A iniciativa, que deve ser anunciada no próximo ano, inclui incentivos fiscais para empresas que adotem tecnologias quânticas.

Além disso, o país precisa fortalecer sua colaboração com outros países europeus. A União Europeia está criando um consórcio de pesquisa que incluirá Portugal, Espanha e França, com o objetivo de acelerar a inovação. O diretor do Centro de Inovação Tecnológica de Lisboa, Ana Moreira, destacou que a cooperação internacional é essencial para manter a competitividade global.

O que vem por aí?

O próximo passo para Portugal é a criação de um plano nacional de inovação em computação quântica, que deve ser apresentado até o final do ano. A Comissão Europeia também está planejando uma conferência internacional em Lisboa em 2025, que reunirá especialistas de todo o mundo para discutir os próximos passos da tecnologia. A data marcada é 15 de outubro de 2025, e a expectativa é que o evento reforce o papel de Portugal como um centro de inovação tecnológica na Europa.

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— minhodiario.com Equipa Editorial
João Ferreira
Autor
João Ferreira é jornalista de economia e negócios, especializado na cobertura do tecido empresarial português, com foco particular nas regiões do Minho e do Norte. Acompanha o desempenho das PME, o investimento estrangeiro e as transformações do mercado de trabalho, combinando análise macroeconómica com reportagem de terreno.

Com mais de uma década de experiência em jornalismo económico, João colaborou com publicações de referência nacionais e regionais. É licenciado em Economia pela Universidade do Minho e tem pós-graduação em Jornalismo Económico.