Colômbia anunciou a abate de 80 hipopótamos na quinta que pertenceu ao famoso cartels Pablo Escobar, em uma medida que busca controlar a população desses animais, que se multiplicou de forma descontrolada. A operação foi liderada pelo Ministério da Agricultura do país, que afirmou que a ação é necessária para proteger o ecossistema local.

O que aconteceu e onde

A ação ocorreu na região de Meta, onde a quinta de Pablo Escobar, conhecida como Hacienda Nápoles, foi transformada em um zoológico após sua morte em 1993. A partir dos anos 2000, os hipopótamos, trazidos originalmente pelo próprio Escobar para sua coleção, se multiplicaram, tornando-se uma ameaça ao ambiente local. O Ministério da Agricultura informou que a operação foi planejada há meses e realizada com a colaboração de especialistas em fauna.

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De acordo com dados oficiais, a população de hipopótamos na região chegou a 140, um número que cresce a uma taxa de 10% por ano. A medida de abate foi aprovada pelo Instituto Nacional de Parques (Inparques), que alerta que os animais estão destruindo a vegetação e poluindo os rios. A ação foi feita em duas etapas, com a primeira delas resultando na morte de 80 animais.

Por que isso importa

O caso dos hipopótamos de Pablo Escobar se tornou um símbolo da complexidade da relação entre o legado de um dos maiores criminosos da história e a ecologia. Os animais, inicialmente vistos como uma atração turística, se tornaram uma espécie invasora. O abate gerou debates sobre como lidar com a biodiversidade e a responsabilidade de manter o equilíbrio ambiental.

Para o biólogo Carlos Mendoza, especialista em ecologia, a medida é necessária, mas também controversa. "A população está crescendo muito rápido, e a natureza não está preparada para isso. No entanto, não devemos esquecer que estes animais são resultado de um ato de vaidade de um criminoso", afirmou. A ação também levanta questões sobre o uso de áreas protegidas para fins privados.

Contexto histórico

Pablo Escobar, líder do Cartel de Medellín, era conhecido por sua riqueza e pelo uso de animais exóticos em sua propriedade. Ele trouxe os primeiros hipopótamos da África para a Colômbia, onde se reproduziram sem controle. Após sua morte, a quinta foi transformada em um parque, mas a ausência de regulamentação permitiu o crescimento desordenado da população animal.

O governo colombiano enfrenta pressão para regular melhor a área, que atualmente é uma das maiores atrações turísticas do país. No entanto, a decisão de abater parte da população de hipopótamos gerou críticas de ambientalistas, que argumentam que outras soluções, como a esterilização, poderiam ser adotadas.

Reações e próximos passos

A abate foi recebida com mistura de reações. Enquanto alguns consideram a medida necessária, outros a veem como uma forma de limpar o legado de Escobar. A comunidade local, que depende do turismo, expressou preocupação com o impacto na economia regional.

O Ministério da Agricultura informou que a segunda etapa da operação será realizada em breve, com a possibilidade de abater mais 40 animais. A data exata ainda não foi divulgada, mas o instituto responsável, Inparques, confirmou que ações contínuas serão tomadas para controlar a espécie.

Alternativas e debates

Alguns especialistas defendem a esterilização dos animais como uma alternativa menos drástica. A técnica, já usada em outras regiões, poderia reduzir o crescimento populacional sem a necessidade de abates. No entanto, a implementação desse método requer recursos e tempo, o que pode não ser viável no curto prazo.

Outra opção é a transferência de alguns hipopótamos para outros locais, como zoológicos ou reservas. No entanto, o custo e a logística desse processo são considerados elevados. O debate sobre o futuro dos animais permanece em aberto, com o governo colombiano buscando um equilíbrio entre ecologia e turismo.

Com a segunda fase da operação em andamento, a Colômbia enfrenta um desafio complexo: como lidar com os efeitos do passado de Pablo Escobar, enquanto protege o meio ambiente e a economia local. O que acontecer com os restantes dos hipopótamos será um dos próximos pontos de atenção para o país.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.