O sindicato CGTP anunciou nesta quarta-feira que espera que a UGT não assine o acordo laboral recentemente proposto pelo governo, com o representante da UGT a afirmar que "quase certeza" que a entidade vai rejeitar a proposta. A decisão pode afetar milhares de trabalhadores em Portugal, especialmente no setor público, onde as negociações têm sido intensas.

Acordo laboral em discussão

O acordo laboral em questão foi proposto pelo Ministério do Trabalho, visando estabelecer novas regras para a negociação coletiva e a proteção dos direitos dos trabalhadores. A proposta incluiu ajustes nas normas de licenças, horários de trabalho e benefícios, mas foi criticada por sindicatos como sendo insuficiente.

CGTP alerta: UGT quase certa de rejeitar acordo laboral — Empresas
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O representante da UGT, João Ferreira, afirmou em declarações à imprensa que a entidade "não vê condições para aceitar o acordo como está". Segundo Ferreira, a proposta não atende às reivindicações principais dos trabalhadores, como aumento salarial e melhores condições de trabalho. "Estamos a ver uma tentativa de limitar os direitos dos trabalhadores, e isso não pode ser aceite", afirmou.

Contexto de tensão sindical

A tensão entre os sindicatos e o governo tem crescido nos últimos meses, com greves em setores críticos como saúde e educação. A CGTP, que representa mais de 300 mil trabalhadores em Portugal, tem sido uma das vozes mais críticas da proposta, afirmando que o acordo não reflete as necessidades reais dos trabalhadores.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o desemprego em Portugal está em 6,3% em 2024, mas a insatisfação no setor público é elevada. A CGTP destacou que 70% dos sindicalizados não acreditam que o acordo atenda às suas expectativas.

Repercussão na sociedade

A possibilidade de rejeição do acordo gerou preocupação entre os trabalhadores, especialmente na região de Lisboa, onde a maioria das instituições públicas está localizada. A rejeição pode levar a novas greves e negociações prolongadas, afetando serviços essenciais.

O ministro do Trabalho, Rui Moreira, afirmou que o governo está disposto a negociar, mas ressaltou que o orçamento do Estado limita as possibilidades. "Estamos a trabalhar com a realidade do país, e não com expectativas irreais", disse em declarações à RTP.

Reações dos sindicatos

A UGT, que representa mais de 200 mil trabalhadores, tem sido a mais crítica. A sua liderança afirmou que a proposta não atende às necessidades do setor público, especialmente em áreas como saúde e educação. "O que está em jogo é a dignidade dos trabalhadores", afirmou uma fonte da UGT.

A CGTP, por sua vez, já anunciou que vai manter reuniões com sindicatos locais para alinhar as estratégias. "A nossa prioridade é a defesa dos direitos dos trabalhadores", afirmou o secretário-geral da CGTP, António Silva.

O que vem a seguir?

Os sindicatos esperam que o governo retome as negociações em breve, com uma nova proposta que considere as reivindicações dos trabalhadores. O ministro do Trabalho afirmou que a negociação continuará, mas que o orçamento limita a possibilidade de mudanças significativas.

O próximo passo será uma reunião entre as partes para discutir a possibilidade de um novo acordo. A data ainda não foi definida, mas os sindicatos esperam que o diálogo seja rápido para evitar impactos maiores nos serviços públicos.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.