O fenómeno de influenciadores que normalizam o não ter sexo tem gerado discussões em Portugal, especialmente em Lisboa, onde uma associação local, a Associação de Estudos de Gênero, registrou um aumento de 25% nas consultas sobre temas relacionados com a escolha de não ter relações sexuais. A tendência, que tem raízes em comunidades religiosas, incluindo a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mormons), tem gerado reações mistas entre jovens e especialistas.

O Fenómeno em Lisboa

Em Lisboa, a Associação de Estudos de Gênero notou uma mudança significativa no comportamento de jovens entre 18 e 25 anos. Segundo dados de 2024, 14% dos jovens disseram ter optado por não ter relações sexuais por razões pessoais, espirituais ou religiosas. A coordenadora da associação, Carla Moreira, explica que "muitos jovens estão reavaliando suas prioridades e escolhas, muitas vezes influenciados por figuras públicas que compartilham suas experiências de vida sem sexo".

Influenciadores Normalizam Não Ter Sexo — Impacto em Lisboa — Tecnologia
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Um dos influenciadores mais citados é o YouTuber João Ferreira, que tem mais de 2 milhões de seguidores. Ele publicou recentemente um vídeo em que explica que, após uma experiência religiosa, decidiu viver sem sexo. "Não estou contra o sexo, mas acredito que pode ser uma escolha pessoal e não uma obrigação", disse em uma entrevista ao jornal Público.

Impacto da Igreja de Mormons

A Igreja de Mormons, com uma presença crescente em Portugal, tem influenciado a discussão sobre sexualidade. Segundo o bispo local, Daniel Silva, a doutrina da Igreja enfatiza o casamento e a família, mas também respeita as escolhas individuais. "Acreditamos que cada pessoa deve tomar decisões com base em seus valores e fé", afirmou em uma reunião com jornalistas.

Apesar disso, alguns críticos acreditam que a influência de grupos religiosos pode limitar o debate sobre sexualidade. "A normalização do não ter sexo pode ser vista como uma forma de controle social", disse a psicóloga Maria Costa, que trabalha com jovens em Lisboa.

Como a Tendência se Espalha

O fenómeno tem se espalhado por meio de redes sociais, onde jovens compartilham suas experiências e apoiam-se mutuamente. Em Portugal, plataformas como Instagram e TikTok têm sido centrais na difusão dessas ideias. Um estudo do Instituto de Estudos Sociais da Universidade de Lisboa revelou que 30% dos jovens ouvem influenciadores que abordam temas de sexualidade e escolhas pessoais.

Além disso, grupos de apoio online, como o "Vida sem Sexo", têm crescido em número. O grupo, fundado por uma jovem de 22 anos, tem mais de 10 mil membros ativos. "Nós não queremos julgar, apenas queremos compartilhar nossas histórias e apoiar uns aos outros", diz a líder do grupo, Ana Lopes.

Debate entre Religião e Autonomia Individual

Uma das questões centrais é o equilíbrio entre religião e autonomia individual. Enquanto alguns veem a escolha de não ter sexo como um ato de liberdade, outros a veem como uma forma de repressão. "A Igreja de Mormons respeita a escolha pessoal, mas também ensina que o sexo é um dom que deve ser usado dentro do casamento", explica o bispo Daniel Silva.

Por outro lado, especialistas em psicologia defendem que a escolha de não ter sexo deve ser respeitada, independentemente das razões. "O importante é que a pessoa esteja informada e consciente da sua decisão", afirma a psicóloga Maria Costa.

O Que Virá A Seguir

Com o aumento do número de jovens que adotam essa abordagem, a sociedade portuguesa está sendo desafiada a reexaminar suas normas e valores. A Associação de Estudos de Gênero planeja organizar um fórum em Lisboa em outubro, onde especialistas, religiosos e jovens discutirão os impactos dessa tendência.

Enquanto isso, influenciadores continuam a compartilhar suas histórias, e a Igreja de Mormons segue promovendo seus ensinamentos. A discussão está longe de ser resolvida, e o que acontecer nos próximos meses pode definir como a sociedade portuguesa encara a sexualidade e a escolha individual.

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Autor
Analista de mercados e jornalista de dados com formação em Estatística pelo ISEG — Lisboa School of Economics & Management. Paulo integra metodologias quantitativas na cobertura jornalística, produzindo análises baseadas em dados sobre setores como turismo, imobiliário e retalho. Foi investigador no INE antes de transitar para o jornalismo económico. Domina ferramentas de visualização de dados e econometria aplicada.