O Fox 2 News, rede de televisão dos Estados Unidos, alertou sobre o aumento de ameaças nas redes sociais, destacando a necessidade de maior vigilância e ações mais eficazes. O caso mais recente envolveu uma série de mensagens ameaçadoras direcionadas a jornalistas e ativistas em Portugal, com oito ocorrências registradas em apenas uma semana. O Ministério da Justiça português confirmou a investigação, destacando a gravidade da situação.

O aumento de ameaças digitais

As ameaças nas redes sociais têm crescido de forma preocupante, com especialistas apontando para uma tendência de aumento de conteúdo hostil, especialmente em torno de temas sensíveis como política e direitos humanos. Segundo dados do Observatório Digital da União Europeia, entre janeiro e maio de 2024, houve um aumento de 22% nas denúncias relacionadas a ameaças online em países da região, incluindo Portugal.

Fox 2 News alerta sobre ameaças nas redes sociais — e impacto em Portugal — Politica
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Um caso recente envolveu um jornalista da Rádio Renascença, que recebeu mensagens anônimas com ameaças de morte após publicar uma reportagem sobre corrupção no setor público. O jornalista, que preferiu não se identificar, disse à Fox 2 News que se sente "vulnerável e sem proteção adequada". A situação levou a uma reunião de emergência entre o Ministério da Justiça e representantes da mídia.

Como o problema se espalha

As ameaças digitais não estão limitadas a Portugal. Em 2023, o Centro de Combate ao Cibercrime dos Estados Unidos registrou mais de 15 mil casos de ameaças online, com um aumento de 18% em comparação ao ano anterior. A rede Fox 2 News destacou que o problema é transnacional, com mensagens e contas criadas em diferentes países, dificultando a identificação dos autores.

Na Europa, o caso de um jornalista alemão, que recebeu mensagens de ódio após criticar um político, ilustra a gravidade da situação. O caso foi amplamente discutido em debates parlamentares, com pedidos de maior regulamentação das redes sociais. No entanto, o desafio está em equilibrar a liberdade de expressão com a segurança dos jornalistas.

As medidas tomadas

O Ministério da Justiça de Portugal anunciou novas diretrizes para a proteção de jornalistas e ativistas, incluindo a criação de um grupo de trabalho especializado. O grupo, formado por representantes do Ministério, da Polícia Judiciária e de organizações de defesa dos direitos humanos, deve apresentar recomendações até o final do mês.

Além disso, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, em colaboração com a União Europeia, está investigando a origem das ameaças. O secretário da Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, afirmou que "o ciberespaço não é um espaço de impunidade, e as ameaças contra jornalistas devem ser tratadas com a seriedade que merecem".

O papel das redes sociais

As redes sociais têm sido alvo de críticas por não agirem com rapidez contra conteúdos hostis. O Facebook, por exemplo, foi acusado de não identificar e remover todas as ameaças de forma eficiente. Um estudo da Universidade de Lisboa revelou que 65% dos jornalistas que reportaram ameaças nas redes sociais disseram que não receberam resposta adequada das plataformas.

Como resposta, o Twitter (agora X) anunciou novas regras para identificar e reportar ameaças. A empresa também está testando um sistema de alerta automático para jornalistas e ativistas. No entanto, muitos críticos acreditam que as medidas ainda são insuficientes.

O que o público deve saber

Os cidadãos são convidados a denunciar qualquer conteúdo que considere ameaçador ou ofensivo. Em Portugal, a plataforma "Denuncia Já" oferece um canal seguro para relatar ameaças. A rede Fox 2 News também recomenda que jornalistas e ativistas utilizem ferramentas de segurança digital, como criptografia e autenticação de dois fatores.

Para quem se sente vulnerável, é fundamental buscar apoio em organizações de defesa dos direitos humanos. A Amnistia Internacional, por exemplo, oferece suporte jurídico e psicológico a jornalistas ameaçados. O diretor da Amnistia em Portugal, João Ferreira, afirmou: "A liberdade de expressão só é real se for protegida contra a violência e o medo".

Com a crescente preocupação com as ameaças online, o próximo passo é a implementação das novas diretrizes do Ministério da Justiça e a colaboração internacional para combater o ciberacesso. O prazo para a apresentação das recomendações do grupo de trabalho está previsto para o final de junho, e os próximos meses serão críticos para a evolução do debate.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.