O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social de Portugal lançou uma iniciativa inovadora que visa combater o isolamento social entre idosos utilizando realidade virtual (VR). A iniciativa, iniciada em Lisboa em outubro de 2024, oferece acesso a experiências imersivas para pessoas com mais de 65 anos que vivem sozinhas ou em instituições. A medida é parte de uma estratégia mais ampla para melhorar a qualidade de vida da população idosa.

O Projeto em Lisboa

O projeto, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, inclui a instalação de estações de VR em centros de dia e lares de idosos. A iniciativa já beneficiou mais de 1.200 pessoas desde o seu início, segundo dados divulgados pelo Ministério. As experiências incluem visitas virtuais a locais famosos, como o Coliseu de Roma e o Museu do Louvre, além de interações sociais em ambientes virtuais.

Portugal Lança Iniciativa para Combater Isolamento Social com VR — Empresas
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Joana Ferreira, diretora do Centro de Dia de Alvalade, destacou o impacto positivo do uso da tecnologia. “Os idosos estão mais ativos, mais conectados e demonstram maior bem-estar emocional. A VR oferece uma forma de socialização que muitos não têm acesso a outros meios”, explicou.

Contexto e Importância

O isolamento social entre idosos é um problema crescente em Portugal, especialmente após a pandemia de COVID-19. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), 23% dos idosos acima de 75 anos vivem sozinhos, e muitos enfrentam dificuldades para manter relações sociais. A iniciativa de VR busca oferecer uma solução alternativa, especialmente para quem não pode sair de casa.

Além disso, a tecnologia também é usada para relembrar memórias e fortalecer laços familiares. “Os idosos podem reencontrar lugares da sua juventude ou até interagir com netos em ambientes virtuais”, afirmou o responsável pela área de tecnologia do Ministério.

Desafios e Críticas

Apesar do entusiasmo, o projeto enfrenta algumas críticas. Alguns especialistas questionam o custo elevado da tecnologia e a necessidade de treinamento para os idosos. “A VR é uma ferramenta poderosa, mas precisa de suporte contínuo e adaptabilidade para diferentes níveis de habilidade tecnológica”, ressaltou o sociólogo António Silva.

Outra preocupação é a dependência excessiva da tecnologia. “É importante que a VR complementa, e não substitui, as interações reais”, alertou a psicóloga Maria Fernandes.

Outras Regiões em Estudo

Embora o projeto esteja inicialmente focado em Lisboa, o Ministério planeja expandi-lo para outras regiões, como Porto e Coimbra. A iniciativa será avaliada até o final de 2025, com base nos resultados e feedback dos usuários.

Além disso, a iniciativa inclui parcerias com universidades para pesquisas sobre os efeitos a longo prazo do uso da VR em idosos. O objetivo é entender melhor como a tecnologia pode ser integrada de forma sustentável.

Próximos Passos

O próximo passo é a avaliação do projeto, que será concluída até o final do ano. O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social anunciou que pretende divulgar os resultados até março de 2025. Se os resultados forem positivos, a iniciativa pode ser estendida a todo o país.

Enquanto isso, os centros de dia e lares de idosos continuam a oferecer as experiências de VR, com novas atualizações e novos ambientes a serem adicionados regularmente. A tecnologia está se tornando uma ferramenta essencial para combater o isolamento e melhorar o bem-estar dos idosos em Portugal.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.