O InfoReg, órgão responsável pela proteção de dados em Portugal, anunciou nesta quinta-feira que as mudanças no sistema de gestão da Sage, uma das principais empresas de software de contabilidade, não geraram riscos significativos à segurança dos dados dos utilizadores. A decisão foi divulgada após notícias de que a transição para o novo sistema poderia causar interrupções nos processos de pagamento de empresas e trabalhadores autônomos. A informação foi divulgada em Lisboa, onde o InfoReg tem sua sede.

O que aconteceu

A Sage, uma empresa com mais de 20 anos no mercado, decidiu migrar seu sistema de gestão para uma nova plataforma digital, que promete maior eficiência e integração com outros softwares. A mudança afetou cerca de 15 mil empresas em Portugal, incluindo muitas pequenas e médias empresas (PMEs) que utilizam o sistema para processar salários e impostos. A transição, que começou no início do mês, gerou preocupações sobre a possibilidade de falhas técnicas e atrasos no pagamento de salários.

InfoReg Acalma Medo de Pagamentos Após Mudança da Sage — Empresas
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O InfoReg, responsável por regular o tratamento de dados pessoais no país, foi acionado por algumas empresas que expressaram preocupação com a segurança dos dados durante a migração. Após uma análise detalhada, o órgão concluiu que as medidas de segurança adotadas pela Sage são adequadas e que os riscos são mínimos. "A transição foi feita com rigor técnico e com as garantias necessárias para proteger os dados dos utilizadores", afirmou Ana Ferreira, diretora do InfoReg.

Por que isso importa

A mudança na Sage é um dos eventos mais significativos do setor de tecnologia e contabilidade em Portugal nos últimos anos. A empresa é responsável por processar milhões de transações mensais, incluindo pagamentos de salários, impostos e outros documentos fiscais. Qualquer interrupção no sistema pode ter impactos diretos em milhares de trabalhadores e empresas.

A preocupação inicial surgiu devido à falta de comunicação clara da Sage sobre os prazos e os processos de migração. Algumas empresas relataram dificuldades em gerar relatórios e enviar documentos fiscais no novo sistema. "Foi um período de ajuste, mas a Sage está trabalhando ativamente para resolver os problemas", disse Paulo Costa, representante de uma associação de PMEs em Lisboa.

Contexto e histórico

A Sage é uma das principais empresas de software de contabilidade no mundo, com presença em mais de 100 países. Em Portugal, a empresa tem uma longa história de atuação no mercado de pequenas e médias empresas. A migração para a nova plataforma é parte de um processo maior de modernização tecnológica que a empresa vem implementando há vários anos.

O InfoReg, por sua vez, é responsável por garantir que todas as empresas que tratam dados pessoais sigam as leis de proteção de dados em vigor, como o Regulamento Geral sobre Proteção de Dados (RGPD). O órgão tem como missão proteger os direitos dos cidadãos e assegurar que as empresas adotem práticas seguras e transparentes.

Implicações e próximos passos

O anúncio do InfoReg traz alívio para muitas empresas que estavam preocupadas com a transição. No entanto, o órgão reforçou que continuará a monitorar o processo para garantir que não haja falhas. "Estamos atentos e prontos para agir caso surjam problemas", afirmou Ana Ferreira.

As empresas que utilizam o sistema da Sage devem seguir as orientações da empresa e do InfoReg para garantir que os processos sejam realizados com segurança. A migração deve ser concluída até o final do mês, segundo a Sage. O próximo passo será a avaliação do impacto real da mudança, com relatórios esperados até o início de outubro.

O que se deve observar nos próximos dias é a evolução do processo de migração e a resposta das empresas que utilizam o sistema. Com a garantia do InfoReg, a preocupação inicial parece estar sendo contida, mas os desafios técnicos ainda podem surgir.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.