Um estudo recente publicado na revista científica Nature revela que povos nativos americanos, vivendo durante o período do Ice Age, possuíam um entendimento primitivo de probabilidade, baseado em jogos de dados feitos de ossos de animais. A descoberta foi feita por uma equipe internacional de arqueólogos, incluindo a Universidade de Cambridge, que analisou artefatos encontrados em uma caverna no Arizona, nos Estados Unidos, datados de aproximadamente 12 mil anos.
Descoberta em uma caverna no Arizona
Os pesquisadores encontraram diversos dados de ossos em uma caverna localizada no norte do Arizona, um local conhecido por abrigar sítios arqueológicos importantes. Os dados, que possuem formas irregulares, foram datados por meio de datação por carbono-14 e indicam que os povos nativos americanos os usavam para jogos ou rituais. A análise revelou que os dados tinham uma distribuição de faces que sugere tentativas de criar equilíbrio entre as possibilidades, um conceito fundamental na probabilidade.
Dr. Michael Smith, arqueólogo da Universidade de Cambridge e um dos autores do estudo, explica que "os dados encontrados na caverna não são perfeitos, mas possuem uma simetria que sugere que os povos nativos tinham consciência de que alguns lados eram mais propensos a cair do que outros". Ele ressalta que a descoberta desafia a visão tradicional de que o entendimento matemático da probabilidade surgiu apenas com civilizações mais recentes.
Por que o Ice Age importa?
O período do Ice Age, que durou de aproximadamente 2,6 milhões a 11.700 anos atrás, foi uma época de mudanças climáticas drásticas e de migração de povos. O estudo indica que os povos nativos americanos, que se estabeleceram na América do Norte durante esse período, já tinham formas de pensar de maneira lógica e matemática. Isso mostra que a inteligência e a criatividade humana não são apenas produtos das grandes civilizações, mas também de comunidades pequenas e antigas.
O estudo também destaca que a compreensão de probabilidade pode ter sido útil em atividades cotidianas, como caça ou coleta de alimentos. "Se um grupo sabia que um dado tinha mais chances de cair em um lado, poderia usar essa informação para tomar decisões mais eficazes", afirma Smith.
Impacto em Portugal e no mundo
Embora a descoberta tenha sido feita nos Estados Unidos, ela tem implicações globais. Em Portugal, a ciência e a arqueologia são áreas de forte interesse, e estudos como esse ajudam a entender a evolução do pensamento humano. O impacto não é direto, mas sim cultural e educacional, contribuindo para a formação de uma visão mais ampla da história da humanidade.
O estudo também pode influenciar a forma como os povos nativos são percebidos no mundo. "Eles não eram apenas sobreviventes, mas também pensadores criativos", diz o pesquisador. "Isso pode ajudar a combater estereótipos que ainda persistem."
Como o Ice Age se relaciona com o mundo contemporâneo?
O período do Ice Age é relevante hoje por sua relação com o clima e a evolução da vida na Terra. Estudos sobre esse período ajudam a entender como os seres humanos se adaptaram a mudanças ambientais, algo que é crítico diante das mudanças climáticas atuais. Além disso, a descoberta sobre a probabilidade sugere que o pensamento lógico e matemático é parte da natureza humana, algo que pode ser aplicado em diversas áreas, desde a ciência até a tecnologia.
A relação entre o Ice Age e o mundo moderno também se dá por meio da educação. Estudos como esse são incorporados em currículos escolares para mostrar que a ciência e a matemática têm raízes antigas e estão presentes em todas as culturas.
O que está por vir?
Os pesquisadores planejam continuar explorando sítios arqueológicos em outras partes da América do Norte para verificar se há mais evidências de uso de dados ou de raciocínio matemático. A Universidade de Cambridge deve publicar um relatório mais detalhado em breve, que incluirá dados adicionais sobre os artefatos encontrados.
Para os leitores em Portugal, o estudo é uma oportunidade de refletir sobre a história e a evolução do pensamento humano. A ciência está em constante evolução, e descobertas como essa lembram que o conhecimento sempre teve raízes profundas.


