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Política

Índia recusa terceiros nas fronteiras do Nepal durante visita do partido no poder

— Sofia Rodrigues 4 min read

Na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia transmitiu uma mensagem clara a Catmandu: as questões fronteiriças entre os dois países devem ser resolvidas apenas através de diálogo bilateral, sem intervenção de potências externas. A declaração surgiu horas depois de o primeiro ministro do Nepal, KP Sharma Oli, ter sugerido que consultas mais amplas poderiam ser necessárias para resolver disputas pendentes na fronteira setentrional.

Resposta diplomática em Kathmandu

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, Randhir Jaiswal, confirmou em Nova Deli que o governo mantém contacto direto com as autoridades nepalesas. "A Índia não aceita a inclusão de terceiros em negociações que sempre foram conduzidas entre os dois países", declarou Jaiswal durante uma coletiva de imprensa. A declaração foi interpretada como um aviso implícito a Pequim, que tem aumentado a sua influência económica no Nepal nos últimos anos.

O timing da resposta indianista não foi casual. A delegação do Partido Comunista Nepali (Maoísta), liderada pelo presidente do partido, Pushpa Kamal Dahal, arrived em Nova Deli na segunda-feira para uma visita de cinco dias. Kathmandu sources confirmou que Dahal se reuniu com responsáveis do Partido Bharatiya Janata (BJP) no poder durante a sua estada na capital indiana.

Balen Shah e o debate interno no Nepal

O autoproclamado independente Balen Shah, presidente da câmara de Catmandu, emergiu como uma voz inesperada nesta discussão geopolítica. Num publik message nas redes sociais na quarta-feira, Shah defendeu que o Nepal deveria "explorar todas as opções diplomáticas disponíveis" para resolver os pontos de contenção territorial, particularmente na região do MonteEverest e nos vales montanhosos fronteiriços.

A posição de Shah provocou reacções adversas dentro do establishment político nepales. O Partido do Congresso Nepali, que faz parte da coligação governamental, qualificou as declarações como "ingerência unacceptable em matéria de política externa". Fontes próximas do governo disseram ao Expresso Nepali que o primeiro ministro Oli tentou distancing himself from Shah sem aparentemente sucess.

Tensões na fronteira norte

As diferenças territoriais entre o Nepal e a China concentram-se principalmente em dois pontos: a região de Lipulekh, onde Pequim construiu uma estrada que Catmandu considera invasiva, e o vale de Kalapani, uma zona disputada desde os anos 1960. Em 2020, o Nepal publicou um novo mapa que incluía ambas as zonas como território nepales — uma decisão que irritou tanto Nova Deli como Pequim.

Dados do Banco Mundial indicam que o comércio bilateral entre o Nepal e a China atingiu 2,4 mil milhões de dólares em 2023, um aumento de 67% relativamente a 2018. Esta vulnerabilidade económica tornou-se um factor nas discussões internas sobre qual potência deveria ter mais peso na política externa nepalesa.

Implicações para as relações bilaterais

A visita de Dahal a Nova Deli visa, segundo fontes governamentais nepalesas, reassuring o governo indian sobre o compromisso de Catmandu com o diálogo directo. O maoísta, que foi primeiro ministro entre 2008 e 2009, mantém uma relação pessoal próxima com Narendra Modi desde que apoiou as reformas de modernização do exército nepalesas.

Analistas diplomáticos em Catmandu notam que tanto a Índia como a China estão a competir por influência no Nepal através de projectos de infraestrutura e investimentos. O Nepal recebeu 800 milhões de dólares em financiamento chinês para projects rodoviários desde 2018, enquanto a Índia investiu cerca de 650 milhões de dólares em projectos de conectividade, segundo dados do外交部 nepales.

A recusa indianista em aceitar mediadores externos refleja uma estratégia mais ampla de Nova Deli para manter o Nepal dentro da sua esfera de influência geopolítica na Ásia do Sul, especialmente num momento em que as relações entre a Índia e a China permanecem tensas devido à disputa territorial no Ladakh.

Próximos desenvolvimentos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Nepal ainda não respondeu oficialmente à declaração indianista. Fontes governamentais disseram que Oli convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para quinta-feira para avaliar a situação. O resultado dessa reunião poderá determinar se Catmandu adopta uma postura mais assertiva ou se tenta equilibrar as relações com ambas as potências.

Analistas recomendam atenção aos próximos gestos diplomáticos: está prevista uma visita do enviado special chinese para o Sul da Ásia para finais de Junho, e o Nepal deverá apresentar até ao final do mês uma proposta formal para um mecanismo de consultas conjuntas sobre os pontos fronteiriços pendentes.

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