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Finança

Confrontos EUA-Irão fazem petróleo disparar 4% — mercados em alerta

— Carlos Mendes 4 min read

Os preços do petróleo dispararam mais de 4% esta terça-feira após confrontos diretos entre os Estados Unidos e o Irão no Golfo Pérsico, num agravar de tensão que ameaça a estabilidade dos mercados energéticos mundiais. O barril de Brent atingiu os 89 dólares, o valor mais alto desde setembro.

O que aconteceu no Golfo Pérsico

Forças iranianas dispararam contra um navio mercante de bandeira norte-americana na passagem de madrugada, revelou o Comando Central das Forças Armadas dos EUA. O ataque ocorreu junto ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo. A marinha americana confirmou ter respondido com fogo defensivo.

O incidente marca a escalada mais grave entre Washington e Teerão desde os ataques aéreos de 2020. Autoridades norte-americanas indicaram que três membros da tripulação ficaram feridos, dois deles em estado grave. O navio, que transportava carga conteinerizada, seguiu depois para porto seguro.

Reação dos mercados energéticos

Os mercados reagiram de imediato. O crude Brent encerrou a sessão em alta de 4,2%, negociando a 89,10 dólares por barril. O West Texas Intermediate, referência americana, subiu 3,8%, para 84,70 dólares. Analistas alertam que os valores podem ultrapassar os 95 dólares se os confrontos continuarem.

A Agência Internacional de Energia já sinalizou preocupação com a vulnerabilidade do aprovisionamento global. Representantes da AIE indicaram que reservas estratégicas estão disponíveis, mas que uma interrupção prolongada na região teria consequências graves para a economia mundial.

Irão justifica ataque e ameaça continuar

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica publicou um comunicado a afirmar que a ação foi "resposta legítima" a incursões norte-americanas no espaço aéreo iraniano. O porta-voz do ministry dos Negócios Estrangeiros em Teerão adiantou que Teerão não procura guerra aberta, mas está preparado para defender a sua soberania. source: Reuters

A Guarda Revolucionária alertou que vai continuar a patrulhar as águas do Golfo com "determinação total". Esta posição contrasta com apelos internacionais para contenção, incluindo os feitos pelo Secretary of State norte-americano em comunicado urgente.

Portugal vulnerável a variações no custo da energia

O impacto desta crise chega diretamente à economia portuguesa. Portugal importa cerca de 75% do petróleo que consome, sendo o Médio Oriente uma das principais fontes de abastecimento. A recente descida no preço dos combustíveis nas bombas de gasolina pode reverter-se nos próximos dias.

fonte da Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis indicou que os indicadores internacionais já refletem nervosismo. Qualquer nova alta no crude transmite-se ao consumidor final num prazo de duas a três semanas, segundo especialistas do setor.

Como a crise afeta as famílias portuguesas

Para as famílias portuguesas, o risco é o regresso da inflação aos combustíveis. Após meses de estabilização, um barril acima dos 90 dólares pode significar gasolina e gasóleo mais caros nas bombas. Empresários do setor de transportes já manifestaram preocupação com possíveis aumentos nos custos operacionais.

Resposta internacional e chamadas à diplomacia

A ONU pediu "máxima contenção" através do porta-voz do Secretary-General. A União Europeia convocou uma reunião extraordinária para quarta-feira. A NATO emitiu um comunicado a condenar o ataque iraniano, mas sem mencionar medidas concretas.

Nações unidas emitiram um comunicado pedindo que ambas as partes "reduzam a retórica" e procurem canais diplomáticos. Os Estados-membros do Conselho de Segurança reúnem-se na quinta-feira para debater a situação.

O queледует esperar nos próximos dias

Os mercados vão monitorizar de perto qualquer evolução no Golfo Pérsico. Analistas alertam que o Estreito de Ormuz é ponto nevrálgico para o petróleo mundial. Se a situação se mantiver tensa, o Brent pode ultrapassar os 95 dólares ainda esta semana.

Washington aguarda agora os resultados de uma investigação interna sobre as circunstâncias do ataque. O Pentágono confirmou que avalia opções de resposta, mas não avançou prazos. No Irão, fontes próxima do governo indicam que Teerão espera sinais diplomáticos antes de tomar novas medidas.

O que importa vigiar: se os confrontos se restringem a este incidente ou se há retaliação americana. A resposta determinará se os preços do petróleo estabilizam ou disparam para territórios que não eram atingidos há mais de um ano.

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