A China aprovou o primeiro chip cerebral invasivo do mundo, abrindo caminho para testes clínicos em pacientes humanos a partir de outubro, na província de Henan. A decisão da administração Dong marca um ponto de viragem na corrida global pela interface cérebro-computador. Reguladores chineses validaram o dispositivo desenvolvido pela empresa Slowly após anos de experimentação em laboratório.

Aprovação Regulatória e Contexto Médico

A autorização foi emitida no final de setembro, permitindo que a Slowly avance para a fase de ensaios clínicos. O chip, que requer implantação cirúrgica direta no cérebro, representa uma categoria diferente dos dispositivos não invasivos já disponíveis. Aprovação aconteceu após testes em modelos animais que duraram mais de três anos.

China Aprova Primeiro Chip Cerebral Invasivo do Mundo — Testes Começam em Henan — Desporto
Desporto · China Aprova Primeiro Chip Cerebral Invasivo do Mundo — Testes Começam em Henan

A agência reguladora de dispositivos médicos da China classificou o procedimento como de «alto risco», mas reconheceu o potencial terapêutico para pacientes com paralisia e distúrbios neurológicos. Médicos em hospitais de referência em Henan serão os primeiros a realizar os implantes.

O Que Torna Este Chip Diferente

Interfaces cérebro-computador já existem, mas a maioria usa sensores externos ou elétrodos placed sobre o couro cabeludo. O chip aprovado pela China é invasivo, exigindo cirurgia craniana para placement de elétrodos diretamente no tecido cerebral. Esta abordagem permite captar sinais neurais com muito maior resolução.

Segundo documentos regulatórios vistos por órgãos de comunicação internacionais, o dispositivo consegue interpretar padrões de atividade elétrica cerebral com precisão superior aos métodos tradicionais. A empresa Slowly desenvolveu uma arquitetura de elétrodos flexíveis que se adapta aos movimentos naturais do cérebro.

Diferenças face a Tecnologias Anteriores

Dispositivos não invasivos, como os headsets disponíveis no mercado de consumo, conseguem captar apenas sinais amplos e difusos. O chip invasivo consegue distinguir a atividade de neurónios individuais, abrindo portas para aplicações mais sofisticadas. Esta granularidade é essencial para controlar próteses robóticas ou restaurar comunicação em pacientes com síndromes de encerramento.

Henan como Centro da Inovação Biomédica

A província de Henan, no centro da China, tem investido pesadamente em investigação biomédica ao longo da última década. O governo provincial criou zonas económicas especiais para empresas de tecnologia de saúde, oferecendo incentivos fiscais e streamlined approval processes. Esta estratégia atraiu dezenas de startups para a região.

O Hospital Popular de Henan foi designado como centro principal dos ensaios clínicos. A instituição tem acordos de cooperação com universidades de Xangai e Pequim. Especialistas de três continentes estarão a acompanhar os resultados dos primeiros implantes, agendados para outubro.

Perspetivas dos Especialistas

Investigadores internacionais reagiram com cautela à notícia, reconhecendo o avanço mas sublinhando a necessidade de dados clínicos rigorosos. Equipas nos Estados Unidos e na Europa desenvolvem chips cerebrais rivais, mas nenhum alcançou ainda aprovação regulatória para uso humano widespread. A China posiciona-se à frente na corrida tecnológica nesta área sensível.

Críticos alertam para os riscos de shortcut no processo de validação. Um chip cerebral invasivo que falha pode causar danos neurológicos permanentes. Defendem que estudos de segurança de longo prazo são indispensáveis antes de aplicar a tecnologia em larga escala.

Implicações Globais e Competição Tecnológica

A decisão chinesa acelera uma competição tecnológica que envolve também os Estados Unidos, onde a Neuralink de Elon Musk aguarda aprovações para o seu dispositivo. Ambas as abordagens visam objetivos semelhantes, mas com arquiteturas técnicas distintas. O sucesso ou fracasso do chip da Slowly influenciará diretamente o ritmo de aprovação de dispositivos rivais.

Reguladores europeus declararam que monitorizam os desenvolvimentos na China, mas disseram não antecipar alterações aos seus próprios processos de validação. A agência europeia mantém requisitos rigorosos de ensaios clínicos, incluindo períodos mínimos de acompanhamento pós-implante.

Próximos Passos e O Que Observar

Os primeiros dez pacientes devem receber o implante em outubro, num hospital de referência em Henan. Serão selecionados casos graves de paralisia e doenças neurológicas degenerativas. Cada procedimento será acompanhado por equipas de monitoring independentes durante pelo menos doze meses.

Resultados preliminares são esperados para o segundo trimestre do próximo ano. Se os dados confirmarem segurança e eficácia, a empresa Slowly poderá requerer aprovação para comercialização na China. Mercados asiáticos como Japão e Coreia do Sul já manifestaram interesse em avaliações paralelas dos ensaios clínicos chineses.

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Autor
Correspondente de negócios internacionais com foco na relação entre Portugal e os mercados emergentes, nomeadamente Brasil, Angola e Moçambique. Licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa e mestre em Economia Internacional. Inês acompanha os fluxos de investimento luso-africanos, o papel das empresas portuguesas no PALOP e as oportunidades de exportação para mercados da CPLP. Fala português, inglês e espanhol fluentemente.