O governo do estado de Oyo, no sudoeste da Nigéria, ordenou esta semana a intensificação das operações militares contra grupos terroristas, os seus simpatizantes e financiadores. A decisão surge na sequência de uma série de ataques atribuídos a elementos armados na região de Ogbomoso, que provocaram pelo menos 15 mortes nas últimas quatro semanas, segundo dados do ministério da Segurança Interna do estado.

O anúncio foi feito pelo governador de Oyo State numa declaração transmitida na terça-feira, quando confirmou que as forças de segurança receberam ordens para "levar a guerra aos terroristas, aos seus simpatizantes e patrocinadores". A medida representa uma escalada significativa na resposta do governo estadual ao aumento da violência armada que tem afetado comunidades rurais.

Antecedentes: A onda de violência em Oyo State

Nigeria Intensifica Operações Militares em Oyo State — O Que muda — Europa
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Os ataques na área de Ogbomoso Local Government Area começaram em meados de fevereiro, quando grupos armados invadiram várias aldeias, incendiando habitações e roubando gado. As autoridades locais confirmaram que pelo menos três comunidades foram parcialmente evacuadas devido aos confrontos.

Rotimi Fasan, analista de segurança e colaborador do Vanguard News, escreveu na semana passada que a situação em Oyo State "se tornou insustentável" para milhares de civis que vivem nas zonas rurais. "As forças de segurança precisam de passar das palavras aos factos", escreveu Fasan. "A paciência das comunidades está esgotada."

Quem são os alvos da operação

As autoridades nigerianas identificaram dois grupos principais como responsáveis pela violência na região: grupos nómadas armados e células associadas ao grupo extremista ISWAP, que têm tentado expandir a sua presença para fora das zonas setentrionais do país.

O comandante da polícia do estado de Oyo, Adewale Aro, inúmerou os alvos da operação durante uma conferência de imprensa realizada na quarta-feira em Ibadan, a capital do estado. "Cualquier persona que forneçarefúgio, alimentos, informação ou financiamento a estos elementos será considerada cómplice e sujeita a julgamento militar", declarou Aro perante reporters.

As novas diretivas autorizam os soldados a realizar detenções sem mandato judicial em casos relacionados com terrorismo. As forças de segurança podem também confiscar propriedade privada utilizada para esconder elementos armados, confirmó um porta-voz do exército nigeriano.

Reação das comunidades locais

Moradores da região de Ogbomoso receberam a decisão com uma mistura de alivio e cautela. Muitos aguardam há meses por uma resposta mais agressiva das autoridades, mas alguns temeem que as operações possam também afetar civis inocentes.

Samuel Adeyemi, líder de uma associação de agricultores da zona rural de Ogbomoso, disse que pelo menos 200 famílias abandonaram as suas propriedades na última semana. "Ninguém nos protege. Se o exército consegue trazer paz, bem-vindo seja", afirmou Adeyemi em declarações ao Vanguard News.

Organizações de direitos humanosexpressaram preocupação com olanguage das novas diretivas. O Centro Nigeriano para Direitos Humanos pediu ao governo que "garanta que as operações respeitam o direito internacional humanitário e os direitos fundamentais dos civis".

Contexto nacional: O problema do terrorismo na Nigéria

Os incidentes em Oyo State fazem parte de um padrão mais amplo de expansão da violência armada para sul no território nigeriano. Historicamente, os grupos extremistas concentram-se nos estados do nordeste, como Borno, Yobe e Adamawa, mas nos últimos dois anos registaram-se ataques em pelo menos oito estados do centro e sul do país.

Dados do Instituto de Estudos de Segurança indicam que a Nigéria registou mais de 2.000 incidentes de violência armada no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 35 por cento em comparação com o mesmo período de 2023. O estado de Oyo não figurava entre as zonas mais afetadas até ao ano passado.

Implicações políticas para o governo estadual

O governador de Oyo State enfrenta presiones crescentes menos de um ano antes das eleições regionais de 2027. A incapacidade de controlar a violência rural pode comprometer a sua recandidatura pelo partido no poder, segundo analistas políticos.

O comissário para Assuntos de Segurança de Oyo State, Seun Favour, tentou minimizar os receios de civis durante uma entrevista à Rádio NBC. "O nosso objetivo é proteger vidas e propriedades. Não é uma operação contra comunidades específicas", salientou Favour.

O que esperar nas próximas semanas

As forças de segurança nigerianas deverão implementar um aumento significativo do número de efectivos na região de Ogbomoso já a partir da próxima semana. Autoridades militares disseram que pelo menos 500 soldados adicionais serão destacados para a área, complementando as forças já existentes.

Um toque de recolher nocturno entrou em vigor na quarta-feira em varias comunidades da zona rural do municipio de Ogbomoso, das 21h00 às 05h00. As autoridades disseram que a medida é temporária e será revista após 30 dias.

Nas próximas duas semanas, o governo estadual promete apresentar um relatório detalhado sobre as operações aos líderes comunitários. O destaque estará na resposta governamental às allegations de crimes perpetrated tanto por grupos armados quanto por elementos das forças de segurança.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.