Emmanuel Macron telefonou esta semana a Vladimir Putin pelo quarto mês consecutivo, mantendo o diálogo com o Kremlin num momento em que muitos aliados europeus preferiram romper contactos diplomáticos com Moscovo. O Eliseu confirmou que a conversa decorreu durante 90 minutos e centrou-se na situação na Ucrânia e nos possíveis caminhos para uma eventual negociação.

O Método Macron em Três Pilares

O Palácio do Eliseu detalhou esta quinta-feira a filosofia que sustenta a abordagem francesa. Macron acredita que manter linhas de comunicação abertas com Putin é essencial para preservar uma janela de diálogo, mesmo quando as condições para cessar-fogo pareçam distantes. Esta posição contrasts sharply com a de países como a Polónia e os Estados Bálticos, que exigiram o isolamento total do Kremlin.

Macron Mantém Canal Aberto com Kremlin — Qual é a Estratégia de Paris? — Europa
Europa · Macron Mantém Canal Aberto com Kremlin — Qual é a Estratégia de Paris?

O primeiro pilar desta estratégia assenta na credibilidade diplomática de França. Paris ocupa um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e tem histórico de mediação em conflitos internacionais, desde o Kosovo à Líbia. Macron argumenta que abandonar essa capacidade seria entregar a iniciativa a outros atores.

Críticas dos Parceiros Europeus

O Presidente francês enfrenta crescente pressão de leste. O Primeiro-Ministro polaco, Donald Tusk, criticou publicamente as conversas telefónicas, dizendo que "dar voz a Putin sem condições previas only rewards his aggression". A Roménia e a Bulgária exprimiram reservas semelhantes durante o último conselho europeu.

Vincent Hein, embaixador francês em Kiev entre 2019 e 2022, defendeu o método Macron num artigo发表于 a revista Foreign Affairs. "A França tem interesse em manter contactos porque é o único país da NATO com capacidade militar e diplomática para pressionar ambos os lados", escreveu. Hein referiu-se especificamente aos 1.500 militares franceses estacionados no flanco leste da Aliança.

A Posição Alemã e Suas Diferenças

Berlim segue uma trajetória diferente. O chanceler Olaf Scholz reduziu progressivamente o diálogo com Putin desde 2022, optando por canalizar esforços através do processo de paz promovido pela Suíça. Contudo, fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Paris indicam que os dois governos coordenam posições antes de cada telefonema do Presidente francês ao homólogo russo.

Números que Iluminam a Tensão

Os dados mais recentes do Conselho Europeu para as Relações Externas mostram que Macron falou com Putin 14 vezes desde janeiro de 2023. O volume de correspondência diplomática entre Paris e Moscovo caiu 60% no mesmo período, o que torna estas conversas telefónicas mais significativas. Cada chamada dura em média 75 minutos, segundo fontes do Eliseu citadas pelo diário Le Monde.

Em termos económicos, as exportações francesas para a Rússia� de 15 mil milhões de euros em 2021 para cerca de 4 mil milhões em 2024, refleitando o impacto das sanções europeias. Contudo, sectores como a industria farmacêutica e os equipamentos agrícolas mantêm licenças específicas de exportação.

O Que Diz o Kremlin

O porta-voz Dmitri Peskov confirmou que Putin "valoriza o contacto direto com o Presidente Macron" e considerou as conversas "francas e substanciais". Moscovo tem utilizado estas chamadas para reiterar exigências que a comunidade internacional considera inaceitáveis: reconhecimento da anexação da Crimeia e do Donetsk, Kherson, Lugansk e Zaporíjia.

Contudo, analysts nota que o Kremlin mantém aceso este canal por razões estratégicas. "Moscovo quer mostrar que a Europa não é monolítica", explicou Marie Dumouriez, directrice do Centre de Recherche Français. "A existência de um interlocutor europeu é útil para a narrativa russa de divisões no seio da NATO."

Próximos Passos e O Que Observar

Macron deverá participar na próxima cimeira do G7 em Junho, em Carbis Bay, na Cornualha, onde a questão Ukraine será central. Antes disso, está prevista uma deslocação a Budapeste para reunir com Viktor Orbán, o único líder europeu que manteve visitas regulares a Moscovo desde o início do conflito.

O que importa observar nas próximas semanas é se a pressão dos aliados ocidentais levará Macron a alterar a frequência ou o tom das suas conversas com Putin. Washington acompanha estes contactos com atenção, segundo fontes próximas do Departamento de Estado. A próxima chamada estáScheduled para finais de Abril, disseram fontes do Eliseu à agência France-Presse.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.