Na capital do Cazaquistão, os governos de Astana e Pequim assinaram esta semana um acordo de cooperação agrícola avaliado em 1,2 mil milhões de dólares, redirecionando fluxos comerciais que durante décadas favoreceram Moscovo. O contrato estabelece a exportação de 2,5 milhões de toneladas de trigo e centeio por ano, consolidando o Cazaquistão como fornecedor prioritário de cereais para a China. Esta operação marca uma viragem estratégica no ordering alimentar da Ásia Central.
Os termos do acordo
O memorando, rubricado pelo Ministério da Agricultura do Cazaquistão e pela Administração Geral das Alfândegas da China, prevê prazos de entrega de 90 dias e a eliminação progressiva de tarifas aduaneiras sobre 47 categorias de produtos agrícolas. O volume inicial de 2,5 milhões de toneladas representa quase um terço das exportações anuais de cereais do país da Ásia Central. Aprovado pelo vice-primeiro ministro cazaque Serik Joldasbekov, o acordo inclui ainda uma linha de crédito de 350 milhões de dólares para infraestrutura logística.
Infraestrutura de transporte
O corredor China-Kazakhstan Railway Express será a principal via de escoamento, ligando zonas de produção no norte do Cazaquistão às províncias chinesas de Xinjiang e Gansu. Estações de transbordo em Almaty e Aktau passaram por modernização no valor de 80 milhões de dólares no último ano. A rota reduz o tempo de entrega para 12 dias, face aos 25 dias anteriores pela via tradicional russificada.
Contexto geopolítico
A deslocação do Cazaquistão para o papel de fornecedor principal de cereais à China ocorre num momento em que as sanções ocidentais complicam as relações comerciais entre Moscovo e Pequim. A guerra na Ucrânia acelerou a necessidade de a China diversificar fontes de importação de grãos, reduzindo a dependência do trigo russo, cuja oferta ficou parcialmente comprometida pelas restrições logísticas e financeiras. Astana, que manteve relações pragmáticas com ambas as partes, posicionou-se como alternativa viável.
Impacto nos produtores cazaques
O Ministério da Agricultura do Cazaquistão prevê que os agricultores nacionais vejam os seus rendimentos aumentar 18% já no primeiro ano de vigência do contrato. A região de Akmola, conhecida como o celeiro do país, deverá ser a principal fornecedora. Empresas como a Food Corporation do Cazaquistão e a estatal KazFood estão a reorganizar as suas redes de armazenamento para cumprir os volumes acordados. A bolsa de cereais de Astana registou uma subida de 12% nos preços do trigo desde o anúncio do acordo.
Recomposição das rotas alimentares asiáticas
O Banco Asiático de Desenvolvimento sublinhou num relatório recente que a China importa anualmente mais de 15 milhões de toneladas de cereais, número que deverá duplicar até 2035. O acordo com o Cazaquistão inscreve-se nesta trajetória de diversificação, reduzindo a concentração de fornecedores. Analistas da Economist Intelligence Unit estimam que até 2028 o Cazaquistão possa representar 22% das importações chinesas de trigo, contra os 8% atuais. Esta mudança afeta também vendedores tradicionais como o Canadá, Austrália e Estados Unidos, que enfrentam maior concorrência na região.
O que resta por definir
Os detalhes sobre os mecanismos de pagamento ainda estão a ser negociados. Fontes próximas das conversas indicam que ambas as partes pretendem usar uma mistura de yuans e tenge cazaque, evitando a dependence do dólar. Questões sanitárias e fitossanitárias permanecem por resolver, com inspeções fronteira a cargo de entidades在半俄 de ambos os países. Os primeiros carregamentos efectivos estão previstos para o segundo trimestre de 2025, após a colheita de verão no Cazaquistão.
Nos próximos meses, todos os olhos estarão virados para a linha ferroviária Almaty-Xianjiang e para as colheitas de outono cazaques. Se os volumes acordados se confirmarem, este acordo pode tornar-se o primeiro capítulo de uma reorganização mais ampla das cadeias de abastecimento alimentar da Ásia.
Recomposição das rotas alimentares asiáticas O Banco Asiático de Desenvolvimento sublinhou num relatório recente que a China importa anualmente mais de 15 milhões de toneladas de cereais, número que deverá duplicar até 2035. Analistas da Economist Intelligence Unit estimam que até 2028 o Cazaquistão possa representar 22% das importações chinesas de trigo, contra os 8% atuais.


