O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo confirmou na terça-feira 47 novos casos de Ébola na província de Kivu Norte, registados entre maio e junho de 2025. A informação, avançada pela Organização Mundial de Saúde, surge a menos de um ano do Mundial de 2026, que

Surtos simultâneos desafiam resposta sanitária africana

O Médicos Sem Fronteiras alertou que os surtos na RDC decorrem em zonas de conflito ativo, o que limita o acesso das equipas de terreno. Desde janeiro, pelo menos 12 profissionais de saúde foram mortos em ataques a centros de tratamento na região de North Kivu. «Estamos a trabalhar com recursos quase inexistentes numa das zonas mais perigosas do mundo», declarou o coordenador de emergências da organização em Goma.

Ebola na RDC volta a preocupar antes do Mundial de 2026 — Politica
Política · Ebola na RDC volta a preocupar antes do Mundial de 2026

Cronologia: como o Ébola chegou ao Mundial

Os surtos de Ébola na África subsariana têm marcado201420182022

Kampala: lições de uma resposta eficaz

Uganda desenvolveu um modelo de resposta a surtos que é agora usado como referência continental. Quando o país enfrentou o surto de Ébola do subtipo Sudão em 2022, as autoridades de Kampala conseguiram conter a transmissão em menos de quatro meses, embora tenham morrido 55 pessoas. O segredo esteve na mobilização comunitária imediata e no isolamento rápido dos casos suspects.

Protocolos de rastreio implementados em Kampala

O Aeroporto Internacional de Entebbe tornou-se um modelo de triagem. Os passageiros que partem de zonas afetadas são submetidos a Controlos de temperatura e questionnaires de saúde antes do embarque. O Ministério da Saúde ugandês confirmou que este sistema estará operacional durante todo o período do Mundial.

Riscos reais ou exagero? O que dizem os dados

A taxa de mortalidade do atual surto na RDC situa-se nos 67%, acima da média histórica de 50%. No entanto, o epidemiologista James Kimani, do CDC África, sustenta que o risco de transmissão durante o Mundial é «controlável» com as medidas adequadas. «O vírus não se transmite por via aérea. Necessita de contacto direto com fluidos corporais, o que limita significativamente a propagação em ambientes desportivos», explicou.

Organização do Mundial face ao Ébola: medidas concretas

As autoridades de saúde sul-africanas anunciaram um investimento de 180 milhões de dólares na preparação de infraestruturas médicas para o torneio. Este valor inclui a construção de unidades de isolamento em todas as cidades-sede do Mundial, num total de dez locais espalhados por todo o país. O ministro da Saúde sul-africano, Joe Phaahla, confirmou que as obras começam em setembro.

Implicações para Portugal e a diáspora africana

Portugal tem uma forte ligação à África, com mais de 500 mil cidadãos a residir em países africanos de língua portuguesa. A comunidade cabo-verdiana, guineense e angolana em Portugal representa centenas de milhares de pessoas com familiares diretamente expostos aos surtos. Qualquer restrição de viagens poderia separar famílias durante meses.

Perspetivas futuras: o que esperar nos próximos meses

Os especialistas apontam que os próximos seis meses serão decisivos. Se os surtos na RDC forem contidos antes de novembro, o Mundial decorrerá sem grandes sobressaltos. Caso contrário, a FIFA poderá ser forçada a rever os protocolos de participação. AOMS convocou uma reunião de emergência para juillet, onde estarão presentes representantes de todos os países anfitriões do torneio.

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Necessita de contacto direto com fluidos corporais, o que limita significativamente a propagação em ambientes desportivos», explicou. AOMS convocou uma reunião de emergência para juillet, onde estarão presentes representantes de todos os países anfitriões do torneio.

— minhodiario.com Equipa Editorial
Pedro Costa
Autor
Pedro Costa é jornalista político a cobrir a Assembleia da República, o Governo e as relações de Portugal com as instituições europeias. Baseado em Lisboa, acompanha os debates legislativos, as negociações orçamentais e a política externa portuguesa com particular atenção às questões de governação e administração pública.

Pedro tem vasta experiência em cobertura parlamentar e reportagem de política europeia, tendo seguido várias presidências do Conselho da UE. É licenciado em Ciência Política pela Universidade de Lisboa.