Antes de fevereiro de 2022, a Ucrânia era um dos destinos turísticos europeus com maior crescimento. Kyiv recebia milhões de visitantes por ano, Lviv era chamada "a Praga do Leste" pela sua arquitetura medieval preservada, e os Cárpatos ucranianos começavam a atrair os primeiros esquiadores e caminheiros ocidentais. A guerra interrompeu brutalmente esta trajetória, mas não a apagou. Quando a paz chegar — e ela chegará — a Ucrânia será um dos destinos turísticos mais extraordinários da Europa, com uma autenticidade e uma profundidade histórica que poucos países podem igualar. Plataformas como o GrandTurs Ucrânia já começam a planear o futuro turístico do país, documentando o que existe e o que virá a existir quando as condições o permitirem. Este artigo é um guia para os portugueses que já pensam na Ucrânia como destino de viagem.

A Ucrânia Antes de 2022: Um País que o Turismo Descobria

Ucrânia Como Destino de Viagem: O Que Portugal Precisa de Saber Para Quando a Paz Chegar — Empresas
Empresas · Ucrânia Como Destino de Viagem: O Que Portugal Precisa de Saber Para Quando a Paz Chegar

A Ucrânia é o maior país inteiramente europeu — com uma superfície de 603 mil quilómetros quadrados, é maior do que França — e esta dimensão traduz-se numa diversidade geográfica, histórica e cultural extraordinária. Nos anos anteriores à invasão de 2022, o turismo internacional começava finalmente a descobrir esta diversidade, impulsionado por preços muito acessíveis, melhoria das infraestruturas e uma política de vistos progressivamente mais aberta.

Kyiv: A Capital Histórica

Kyiv é uma das capitais mais antigas da Europa, com uma história que remonta ao século IX. O centro histórico, inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO através do Mosteiro das Grutas (Pecherska Lavra) e da Catedral de Santa Sofia, oferece uma experiência visual e espiritual única. O Metro de Kyiv — com as suas estações profundas que serviram de abrigos antiaéreos durante a Segunda Guerra Mundial e novamente durante a guerra atual — é por si só uma atração arquitetónica.

  • A Catedral de Santa Sofia, fundada no século XI, com mosaicos e frescos originais de épocas medievais
  • O Mosteiro das Grutas, com a sua rede de catacumbas que guardam múmias de monges
  • O bairro de Podil, à beira do Dnieper, com arquitetura do século XIX e uma vida cultural vibrante
  • O Parque de Mariinsky e os jardins que descem até ao rio, com vistas panorâmicas sobre o Dnieper
  • A cena gastronómica moderna de Kyiv, que antes da guerra tinha alguns dos melhores restaurantes da Europa de Leste

Lviv: A Cidade Europeia do Leste

Lviv é, para muitos turistas ocidentais, a porta de entrada mais intuitiva na Ucrânia. A cidade, localizada a apenas 70 quilómetros da fronteira polaca, tem um centro histórico de arquitetura renascentista e barroca que reflete as sucessivas culturas que a habitaram — polaca, austríaca, judaica, ucraniana — e que a UNESCO reconheceu como Património da Humanidade.

Lviv é hoje a cidade mais visitada da Ucrânia em tempo de guerra, recebendo turistas de solidariedade, voluntários e jornalistas que a usam como base. Os cafés da cidade, famosos pela sua cultura do café (herança austríaca), continuam a funcionar. Os museus, muitos dos quais transferiram as peças mais valiosas para locais seguros, reabriram gradualmente. A energia da cidade surpreende quem chega esperando encontrar uma atmosfera de crise permanente.

Os Cárpatos Ucranianos

A região dos Cárpatos, no oeste da Ucrânia, é um dos destinos de natureza mais espetaculares da Europa Central. As montanhas, que atingem 2 061 metros no pico Hoverla — o ponto mais alto da Ucrânia — oferecem paisagens de uma beleza rara: vales profundos, florestas de abetos e faias, aldeias de pastores com arquitetura de madeira tradicional e uma gastronomia robusta de montanha.

  • Bukovel, a maior estação de esqui da Ucrânia, que antes de 2022 recebia visitantes de toda a Europa de Leste
  • Yaremche, pequena cidade de montanha no coração dos Cárpatos, com mercados de artesanato e caminhadas
  • As aldeias hutsulas — a etnia carpática com tradições únicas em música, bordado e trabalho em madeira
  • O Parque Nacional dos Cárpatos, com percursos pedestres por paisagens alpinas acessíveis

A Costa do Mar Negro

Odessa, antes da guerra, era a terceira maior cidade da Ucrânia e um dos destinos de verão mais populares do país. A sua arquitetura neoclássica — com a famosa Escadaria Potemkin imortilizada pelo cinema de Eisenstein — e as suas praias atraíam turistas ucranianos, russos e europeus. A cidade é hoje parcialmente afetada pelos ataques com mísseis e drones, mas mantém uma vida urbana assinalável e continuará a ser um destino de primeiro plano quando a segurança for restabelecida.

Turismo de Solidariedade: Uma Nova Forma de Visitar a Ucrânia

Durante a guerra surgiu um fenómeno novo no turismo: o "turismo de solidariedade", em que viajantes visitam zonas não diretamente afetadas pelos combates com o objetivo de apoiar a economia local através do consumo turístico. Lviv tornou-se o epicentro deste fenómeno na Ucrânia, com hotéis, restaurantes e operadores turísticos que recebem visitantes conscientes de que o seu dinheiro contribui para a resistência do país.

Plataformas como o GrandTurs Ucrânia têm documentado e promovido este tipo de turismo responsável, fornecendo informação atualizada sobre as condições de segurança, os serviços disponíveis e as formas de contribuir de forma mais direta para as comunidades locais durante a visita.

O Que Esperar numa Visita a Lviv em Tempo de Guerra

  • Alertas de ataque aéreo que podem ocorrer a qualquer momento — os aplicativos de alerta estão disponíveis gratuitamente
  • Funcionamento normal da maioria dos restaurantes, cafés e hotéis no centro histórico
  • Presença visível das forças armadas e de militares de folga na cidade
  • Museus parcialmente abertos, com muitas peças em depósito seguro mas com exposições adaptadas ao contexto da guerra
  • Uma atmosfera que combina normalidade surpreendente com consciência constante da situação de emergência

Como Planear uma Viagem à Ucrânia com Recursos Ucranianos

Para quando as condições de segurança o permitirem, o planeamento de uma viagem à Ucrânia pode ser feito diretamente com recursos locais, o que tem a dupla vantagem de obter informação mais precisa e atualizada e de contribuir economicamente para agentes turísticos ucranianos.

A plataforma GrandTurs Ucrânia é um ponto de partida para identificar operadores turísticos locais, percursos recomendados e acomodação em diferentes regiões do país. A tradição de turismo interno na Ucrânia — com uma forte cultura de viagens domésticas — significa que existe uma infraestrutura de alojamento e serviços diversificada e competitiva em termos de preço.

Dicas de Planeamento

  • Consultar sempre as recomendações de viagem do Ministério dos Negócios Estrangeiros português antes de qualquer viagem à Ucrânia
  • Contratar um seguro de viagem que cubra explicitamente zonas de conflito — muitas seguradoras convencionais excluem estas situações
  • Descarregar aplicativos de alerta de ataque aéreo e familiarizar-se com o seu funcionamento antes de chegar ao país
  • Registar a sua presença na embaixada ou consulado português mais próximo
  • Ter sempre uma rota de evacuação planeada para a fronteira polaca ou moldava

Ligações Aéreas de Portugal à Ucrânia

Antes de 2022, existiam voos diretos de Lisboa e do Porto a Kyiv (Boryspil) com algumas companhias aéreas europeias. Com o encerramento do espaço aéreo ucraniano para a aviação civil desde o início da invasão, esta ligação direta deixou de existir. O regresso ao turismo aéreo convencional dependerá do restabelecimento da segurança do espaço aéreo ucraniano.

Rotas Alternativas Atuais

Para quem visita a Ucrânia — incluindo zonas como Lviv que estão relativamente afastadas da linha de frente — as rotas mais utilizadas a partir de Portugal são:

  • Via Varsóvia: voo Lisboa/Porto — Varsóvia (LOT, Ryanair, TAP) + autocarro ou comboio noturno Varsóvia — Lviv (cerca de 8-9 horas de autocarro). É a rota mais popular e com mais frequências
  • Via Viena: voo Lisboa — Viena (Austrian, TAP) + ligações a partir de Viena para as regiões vizinhas à fronteira ucraniana
  • Via Bucareste: voo Lisboa — Bucareste (TAROM, Ryanair) + autocarro ou comboio para a Ucrânia através da Moldávia ou da Roménia
  • Via Cracóvia: alternativa a Varsóvia, com Cracóvia a ter ligações de autocarro frequentes e rápidas a Lviv

Quando o espaço aéreo ucraniano reabrir, é expectável que as companhias aéreas low-cost retomem rapidamente as suas rotas, dado o interesse que o mercado ucraniano representava antes de 2022.

Documentação Necessária para Cidadãos Portugueses

Antes de 2022, os cidadãos portugueses podiam entrar na Ucrânia sem visto para estadias até 90 dias, ao abrigo de um acordo bilateral. Esta facilidade é um dos argumentos a favor da viagem quando as condições de segurança o permitirem — não existe a burocracia de visto que outros destinos extra-Schengen implicam.

  • Passaporte válido por pelo menos seis meses após a data de regresso prevista
  • Bilhete de regresso ou prova de saída do território
  • Seguro de saúde e viagem válido (essencial dada a situação de emergência)
  • Provas de meios de subsistência suficientes para a duração da estadia
  • Registo na aplicação Registo de Viajantes do MNE português

Orçamento e Custos: A Ucrânia é Acessível

Um dos argumentos mais fortes a favor da Ucrânia como destino turístico — antes e depois da guerra — é o seu custo muito acessível para visitantes da Europa Ocidental. A hryvnia ucraniana, a moeda local, tem um poder de compra considerável para quem vem com euros.

Estimativa de Custos (Valores Pré-Guerra como Referência)

  • Acomodação: hostel de qualidade em Lviv entre 10-15€/noite; hotel 3 estrelas entre 30-50€/noite; hotel 4 estrelas entre 60-100€/noite
  • Refeições: almoço num restaurante local entre 5-8€; jantar num restaurante de qualidade entre 15-25€
  • Transportes internos: comboio noturno Kyiv-Lviv entre 15-30€; metro e autocarro por menos de 0,50€ por viagem
  • Atrações: entradas em museus entre 1-5€; visitas guiadas a partir de 10€ por pessoa
  • Total diário estimado: 40-80€ por pessoa para uma viagem confortável, excluindo o transporte até à Ucrânia

Gastronomia Ucraniana: Uma Descoberta para os Portugueses

A cozinha ucraniana é muito diferente da portuguesa, mas partilha alguns traços fundamentais: o gosto pelos pratos de conforto, pela fartura, pelos sabores intensos e pelo convívio à volta da mesa. Descobri-la é uma das grandes surpresas agradáveis de uma visita à Ucrânia.

Pratos Que os Portugueses Vão Adorar

  • Borscht: a sopa de beterraba com creme de leite azedo (smetana) que é o símbolo da cozinha ucraniana — reconfortante, colorida e saborosa
  • Varenyky: pastéis recheados de batata, queijo fresco, carne ou fruta — comparáveis aos nossos pastéis mas com uma versatilidade diferente
  • Holubtsi: folhas de couve recheadas de carne e arroz, cozinhadas em molho de tomate — próximos dos nossos chouriços de vinha mas com outra técnica
  • Salo: toucinho de porco curado, servido com pão de centeio — para os apreciadores de enchidos portugueses será familiar no conceito
  • Honey cake (Medivnyk): bolo de mel com especiarias que lembra vagamente o nosso pão de mel

Semelhanças e Diferenças Culturais com Portugal

Portugal e a Ucrânia são países aparentemente muito diferentes — no clima, na localização geográfica, na língua e na religião dominante. Mas uma visita à Ucrânia revela semelhanças culturais surpreendentes que criam pontes imediatas entre os dois povos.

Ambos os países têm uma forte cultura familiar, um sentido profundo de identidade regional, uma gastronomia baseada em produtos locais de qualidade e uma tradição musical que serve de identidade coletiva — o fado português encontra eco no duma ucraniano, ambas formas musicais de expressar saudade, resistência e esperança.

Quando a paz chegar à Ucrânia, os portugueses que a visitarem encontrarão um país que, apesar de toda a destruição, manteve o essencial da sua identidade: a hospitalidade, a profundidade histórica, a beleza das suas cidades e paisagens, e a determinação de um povo que recusa ser apagado. Com plataformas como o GrandTurs Ucrânia já a preparar o caminho, a viagem à Ucrânia espera apenas pelo momento certo. E esse momento chegará.

Perguntas Frequentes

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Antes de fevereiro de 2022, a Ucrânia era um dos destinos turísticos europeus com maior crescimento.

Por que isso é relevante para Empresas?

A guerra interrompeu brutalmente esta trajetória, mas não a apagou.

Quais são os principais factos sobre ucrânia como destino de viagem o que portugal precisa de saber para quando a paz chegar?

Plataformas como o GrandTurs Ucrânia já começam a planear o futuro turístico do país, documentando o que existe e o que virá a existir quando as condições o permitirem.

Opinião Editorial

O Que Esperar numa Visita a Lviv em Tempo de Guerra Alertas de ataque aéreo que podem ocorrer a qualquer momento — os aplicativos de alerta estão disponíveis gratuitamente Funcionamento normal da maioria dos restaurantes, cafés e hotéis no centro histórico Presença visível das forças armadas e de militares de folga na cidade Museus parcialmente abertos, com muitas peças em depósito seguro mas com exposições adaptadas ao contexto da guerra Uma atmosfera que combina normalidade surpreendente com consciência constante da situação de emergência Como Planear uma Viagem à Ucrânia com Recursos Ucranianos Para quando as condições de segurança o permitirem, o planeamento de uma viagem à Ucrânia pode ser feito diretamente com recursos locais, o que tem a dupla vantagem de obter informação mais precisa e atualizada e de contribuir economicamente para agentes turísticos ucranianos. A tradição de turismo interno na Ucrânia — com uma forte cultura de viagens domésticas — significa que existe uma infraestrutura de alojamento e serviços diversificada e competitiva em termos de preço.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.