O Manifesto de utentes da Península de Setúbal, liderado pela Associação de Utentes da Área de Saúde de Setúbal (AUSA), foi apresentado na quinta-feira, 12 de outubro, e chama a atenção para a falta de organização e eficiência nos serviços de saúde da região. O documento, assinado por mais de 1.500 cidadãos, denuncia atrasos no atendimento, falta de recursos humanos e a ineficácia da gestão do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na área.
Manifesto reúne críticas de utentes e profissionais
O manifesto foi elaborado com base em relatos de cidadãos e profissionais de saúde que trabalham na Península de Setúbal. Entre as principais reclamações estão o tempo de espera para consultas, a falta de médicos de família e a precariedade dos serviços de urgência. "Temos queixas de pessoas que esperam mais de 30 dias para serem atendidas por um médico de família", afirma Maria Silva, coordenadora da AUSA.
Além das queixas dos utentes, o documento também inclui opiniões de profissionais de saúde. "A falta de pessoal e a má gestão dos recursos são problemas estruturais", diz o médico Paulo Ferreira, que trabalha no Centro de Saúde de Alcochete. "Isso afeta diretamente a qualidade do atendimento e a confiança dos cidadãos no sistema."
Contexto de crise no SNS em Setúbal
A Península de Setúbal, uma região com mais de 400 mil habitantes, tem enfrentado uma crise prolongada no setor da saúde. Segundo o relatório do Ministério da Saúde de 2023, a região apresenta uma taxa de disponibilidade de médicos de família abaixo da média nacional. Apenas 1,8 médicos por 1.000 habitantes estão disponíveis, enquanto o valor médio do país é de 2,2.
O problema é agravado pela falta de infraestrutura adequada. Muitos centros de saúde estão em condições precárias, com equipamentos desatualizados e espaços insuficientes. "A situação é insustentável", afirma o deputado local João Pereira, que acompanha a questão há anos. "O governo precisa agir com urgência para melhorar os serviços."
Reclamações sobre a gestão do SNS
O manifesto também critica a forma como o SNS é gerido na região. "Há uma falta de transparência e de planeamento", diz Maria Silva. "O que se vê é uma resposta reativa, não proativa." A AUSA exige que o Governo nacional crie um plano de ação específico para a Península de Setúbal, com metas claras e prazos definidos.
Além disso, o documento pede mais investimento em saúde pública e a contratação de mais profissionais. "Não podemos continuar a depender de profissionais que trabalham em condições insustentáveis", afirma Paulo Ferreira.
Resposta do Governo e próximos passos
O Ministério da Saúde ainda não emitiu uma declaração oficial sobre o manifesto, mas o secretário de Estado da Saúde, António Costa, afirmou em entrevista recente que o governo está a analisar a situação na Península de Setúbal. "Temos que garantir que todos os cidadãos tenham acesso a serviços de qualidade", disse.
O manifesto será entregue ao Governo no próximo dia 18 de outubro, em Lisboa. A AUSA também planeja organizar uma manifestação na região para chamar atenção para as demandas. "Queremos que as autoridades entendam que a saúde é um direito e não uma mercadoria", diz Maria Silva.
O que está em jogo?
O manifesto da Península de Setúbal reflete um problema mais amplo no SNS, que afeta milhares de cidadãos em todo o país. A falta de organização e recursos tem impactado diretamente a qualidade do atendimento, gerando frustração e desconfiança entre os utentes. O documento é mais uma voz na discussão sobre a necessidade de reformas estruturais no setor da saúde.
Ao longo das próximas semanas, o governo deverá anunciar medidas para melhorar a gestão dos serviços de saúde na região. A AUSA também planeja apresentar um plano de ação detalhado, com propostas concretas para a melhoria dos serviços. O que acontecer a seguir será crucial para o futuro dos utentes da Península de Setúbal.


