O aumento de cancelamentos de voos chineses para e desde Singapura causou perturbações significativas no turismo e comércio entre os dois países, especialmente após uma crise de combustível que afeta a região da Ásia Oriental. As autoridades de Singapura confirmaram que mais de 150 voos foram cancelados nas últimas duas semanas, afetando milhares de passageiros, incluindo muitos chineses que viajavam para o sudeste asiático. A crise tem raízes em uma escassez de combustível que se agravou com a interrupção de fornecimentos por uma empresa de logística internacional.

Crise de Combustível afeta Rotas Aéreas

A crise de combustível em Singapura começou no final de abril, quando uma falha na rede de distribuição de combustível afetou os principais aeroportos da cidade-estado. A Autoridade de Aviação Civil de Singapura (CAAS) informou que a escassez de querosene de aviação levou ao adiamento de voos de várias companhias aéreas, incluindo a China Southern Airlines, que cancelou mais de 30 voos entre Singapura e cidades chinesas como Guangzhou e Shenzhen. O impacto foi sentido principalmente em viajantes chineses que dependem dessas rotas para turismo e negócios.

China Cancela Voo e Afecta Rota de Singapura em Crise de Combustível — Empresas
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O ministro da Aviação de Singapura, Ng Eng Hen, afirmou que a situação está sendo monitorada de perto e que medidas estão em andamento para reabastecer os aeroportos. "A segurança dos passageiros é nossa prioridade. Estamos a trabalhar com os nossos parceiros internacionais para resolver a escassez o mais rapidamente possível", declarou. Apesar das garantias, a crise já levou a uma redução de 25% no número de voos internacionais em Singapura nos últimos 10 dias, segundo dados da CAAS.

Impacto no Turismo e Comércio

A crise de combustível tem impactado diretamente o setor turístico de Singapura, que depende fortemente de visitantes chineses. Segundo a Agência de Turismo de Singapura (STB), a chegada de turistas chineses caiu 18% nas primeiras duas semanas de maio, com muitos viajantes optando por outras destinações. "A falta de voos está a afectar não apenas o turismo, mas também o comércio, especialmente em setores como hospitalidade e retalho", afirmou o presidente da STB, Ng Chee Meng.

Para os viajantes, a situação está gerando frustração e custos adicionais. Uma turista chinesa, Li Wen, relatou que teve que reprogramar sua viagem para o Japão. "Fiquei presa em Guangzhou e tive que pagar um novo bilhete, o que custou cerca de 1.500 yuans", disse. A situação também está gerando preocupação entre empresas que operam em Singapura, especialmente aquelas que dependem de viagens corporativas.

Reações do Setor Aéreo

As companhias aéreas estão buscando alternativas para mitigar os efeitos da crise. A Singapore Airlines anunciou que está a aumentar o número de voos a partir de Hong Kong e Tóquio, com o objetivo de compensar a redução nas rotas chinesas. "Estamos a trabalhar em parceria com os nossos parceiros para garantir que os passageiros sejam atendidos da melhor forma possível", afirmou o CEO da Singapore Airlines, Goh Choon Phong.

Por outro lado, a China Southern Airlines está a reforçar as operações em outras cidades, como Xangai e Shenzhen, para reduzir o impacto nos passageiros. A empresa também está a oferecer reembolsos e reprogramações de voos para os clientes afetados. No entanto, muitos passageiros continuam a relatar atrasos e dificuldades em obter informações claras sobre os novos horários.

Consequências e Próximos Passos

As autoridades de Singapura esperam resolver a escassez de combustível até o final da semana, mas a situação pode continuar a afetar as rotas aéreas por algumas semanas. A CAAS está a trabalhar com fornecedores de combustível para acelerar o transporte de querosene para os aeroportos. "Acreditamos que a situação vai melhorar, mas estamos a manter uma vigilância constante", disse o porta-voz da CAAS.

Para os viajantes, a dica é verificar regularmente as atualizações das companhias aéreas e considerar alternativas de transporte. O governo chinês também está a monitorar a situação e a colaborar com as autoridades de Singapura para garantir que os cidadãos sejam apoiados. O próximo passo será a avaliação do impacto económico e a implementação de medidas para evitar crises semelhantes no futuro.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.