Mercado de Varejo Têxtil em Portugal: Análise do Período 2019-2022 e Perspectivas Futuras

No contexto económico global e nacional, o sector do varejo têxtil em Portugal enfrentou desafios e oportunidades sem precedentes entre 2019 e 2022. Este artigo realiza uma análise aprofundada das tendências de mercado, das dinâmicas geográficas e do crescimento do sector, utilizando dados de fontes oficiais, estudos de mercado e relatórios de associações do sector. O objetivo é compreender como o mercado evoluiu ao longo destes anos, identificando os principais factores que influenciaram a sua trajectória e as projeções para o futuro próximo.

Mercado Inicio Varejo Textil Previsoes Geograficas e de Crescimento 2019 2022 — mercados
mercados · Mercado Inicio Varejo Textil Previsoes Geograficas e de Crescimento 2019 2022

Contexto e dinâmica do mercado de varejo têxtil em Portugal até 2019

Antes do início da pandemia de COVID-19, o mercado de varejo têxtil em Portugal apresentava um crescimento moderado, impulsionado principalmente pelo aumento do consumo doméstico, pela expansão do comércio electrónico e pela entrada de marcas internacionais no país. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o sector registou uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 2% entre 2015 e 2019, refletindo uma recuperação gradual após anos de estagnação.

O sector era caracterizado por uma forte presença de retalhistas tradicionais, complementada por uma crescente influência do comércio online. As principais regiões de concentração de lojas físicas situavam-se na Grande Lisboa, no Porto e na área do Vale do Ave, onde o poder de compra e a densidade populacional favoreciam a actividade comercial.

Impacto da pandemia de COVID-19 e alterações na procura e oferta

Com a chegada da pandemia em 2020, o mercado de varejo têxtil enfrentou uma crise sem precedentes, marcada pelo encerramento temporário de lojas físicas, restrições à circulação e uma mudança drástica nos padrões de consumo. Segundo dados da Associação Portuguesa do Comércio Têxtil e Vestuário, as vendas no canal tradicional reduziram-se em cerca de 40% no primeiro semestre de 2020, enquanto o comércio electrónico registou um crescimento de aproximadamente 35% no mesmo período.

Este cenário acelerou a transformação digital do sector, obrigando os retalhistas a ajustarem estratégias de negócio, a reforçarem as plataformas online e a repensarem os seus modelos de operação. Além disso, a procura por produtos mais sustentáveis e de maior qualidade ganhou destaque, refletindo uma mudança de valores por parte dos consumidores portugueses.

Reconfiguração do mercado e crescimento pós-pandemia

Apesar do impacto inicial, o mercado de varejo têxtil começou a retomar em 2021, impulsionado pela flexibilização das medidas de confinamento, pelo aumento do turismo interno e pela adaptação dos retalhistas às novas tendências de consumo. Segundo o Observatório de Mercado do Sector Têxtil, as vendas totais registaram um crescimento de 4% em 2021 face a 2020, com destaque para o aumento do canal online, que representou cerca de 20% do volume de negócios no final daquele ano.

Em 2022, o sector continuou a expandir-se, aproveitando também a recuperação do turismo internacional e o aumento do poder de compra. Estimativas indicam que o crescimento total do mercado de varejo têxtil em Portugal terá atingido cerca de 6% em relação ao ano anterior, consolidando uma fase de recuperação sustentada.

Dinâmicas geográficas e distribuição do mercado

A análise geográfica do mercado revela uma concentração significativa em regiões urbanas e de maior densidade populacional. A Grande Lisboa mantém-se como o principal centro de retalho têxtil, representando aproximadamente 45% do volume de negócios do sector, seguida pelo Porto e pelo Vale do Ave, com cerca de 25% e 15%, respectivamente. As regiões do Centro e do Algarve também registaram crescimento, embora de forma mais moderada.

De acordo com o INE, a distribuição geográfica do mercado de retalho têxtil em 2022 foi a seguinte:

  • Grande Lisboa: 45%
  • Área do Porto: 20%
  • Vale do Ave: 15%
  • Restantes regiões do país: 20%

Este padrão reflete a forte ligação entre o tecido urbano, o poder de compra e a presença de centros comerciais de dimensões relevantes. Além disso, a crescente penetração do comércio electrónico tem vindo a alterar a distribuição tradicional, permitindo que retalhistas operem de forma mais descentralizada e acessível a consumidores de todo o país.

Previsões de crescimento e tendências futuras para 2023-2025

De acordo com as previsões de entidades como a Associação Portuguesa do Comércio Têxtil e Vestuário, o mercado de varejo têxtil deverá continuar a crescer nos próximos anos, com uma taxa média de cerca de 4% ao ano até 2025. Este crescimento será impulsionado por diversos factores, incluindo:

  1. Reforço do comércio electrónico: espera-se que o canal digital represente mais de 30% do volume de negócios até 2025, devido à digitalização do sector e à preferência crescente dos consumidores por compras online.
  2. Investimento em sustentabilidade: a procura por produtos sustentáveis e de origem ética deverá manter-se em alta, levando os retalhistas a ajustarem as suas linhas de produção e oferta.
  3. Expansão de marcas internacionais: a presença de marcas estrangeiras deverá aumentar, impulsionada por estratégias de entrada no mercado português e pela procura de produtos de maior qualidade e design diferenciado.
  4. Dinâmicas regionais: o crescimento será mais expressivo nas regiões que apostarem na modernização e inovação, nomeadamente Lisboa, Porto e as áreas do Vale do Ave.

Contudo, o sector também enfrenta desafios, nomeadamente a volatilidade económica, as alterações nas preferências do consumidor e a necessidade de adaptação às novas tecnologias. A capacidade de inovação, a sustentabilidade e a experiência do cliente serão fatores determinantes para o sucesso futuro do mercado de varejo têxtil em Portugal.

Conclusão: Perspectivas de revitalização e transformação do sector

O mercado de varejo têxtil em Portugal, após um período de crise aguda e rápida adaptação, apresenta sinais promissores de recuperação e transformação. A combinação de uma maior aposta na digitalização, na sustentabilidade e na inovação no atendimento ao cliente cria um cenário favorável para o crescimento sustentado até 2025. No entanto, a competitividade internacional, a evolução das tendências de consumo e a necessidade de diferenciação serão centrais para consolidar esta recuperação.

Assim, o sector deverá continuar a evoluir de forma dinâmica, aproveitando as oportunidades oferecidas por um mercado cada vez mais globalizado e digitalizado, enquanto enfrenta os desafios de um ambiente económico e social em constante mudança.

R
Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.