Em janeiro, as avaliações bancárias da habitação em Portugal atingiram um novo recorde, passando a barreira dos 2.100 euros por metro quadrado. O aumento significativo, verificado em todo o país, levanta questões sobre as consequências para o mercado imobiliário e a economia nacional.

Avaliações Imobiliárias em Números

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a avaliação média dos imóveis em janeiro de 2023 foi de 2.104 euros por metro quadrado, um aumento de 1,9% em relação ao mês anterior. Este é um marco significativo, refletindo a crescente procura por habitação em áreas urbanas, especialmente em Lisboa e Porto.

O Que Está a Impulsionar o Aumento?

Vários fatores têm contribuído para esta subida acentuada. A baixa disponibilidade de imóveis, aliada a uma procura crescente, impulsionada por taxas de juros ainda relativamente baixas em comparação com outros países europeus, está a criar um desequilíbrio no mercado. Além disso, o aumento dos custos de construção e a inflação generalizada também têm um papel a desempenhar na apreciação dos preços.

Implicações para Investidores e Empresas

Este aumento nas avaliações imobiliárias poderá ter várias implicações para investidores e empresas. Para os investidores, a valorização dos imóveis pode ser vista como uma oportunidade de lucro, atraindo assim mais capital para o setor imobiliário. No entanto, esse cenário também levanta preocupações sobre a acessibilidade da habitação para a população, que pode enfrentar dificuldades em adquirir ou arrendar imóveis a preços elevados.

Reações do Mercado e Expectativas Futuras

As reações do mercado têm sido mistas. Enquanto alguns agentes do setor imobiliário celebram o aumento dos preços, outros alertam para os riscos de uma bolha imobiliária. A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) já expressou preocupações sobre a sustentabilidade deste crescimento e a potencial exclusão de compradores do mercado.

O Que Observar Nos Próximos Meses

Os próximos meses serão cruciais para entender a evolução deste cenário. É essencial acompanhar as políticas governamentais em relação à habitação, bem como a resposta do Banco de Portugal às flutuações do mercado. Além disso, a forma como a inflação e as taxas de juro evoluem poderá ter um impacto significativo no comportamento dos compradores e investidores, moldando o futuro do mercado imobiliário em Portugal.

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Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.