Visão Geral do Mercado de Casas Domésticas em Portugal em 2022: Receita, Tendências e Perspetivas até 2028
No contexto do mercado imobiliário português, o segmento de casas domésticas tem vindo a consolidar-se como um dos pilares do setor residencial, impulsionado por fatores económicos, demográficos e tecnológicos. Em 2022, este mercado revelou sinais de recuperação após anos de volatilidade provocada pela pandemia de COVID-19, registando uma receita total de aproximadamente 2,8 mil milhões de euros, um aumento de 12% face ao ano anterior. Este crescimento foi sustentado por uma procura crescente de habitações familiares, uma maior procura por imóveis de qualidade e uma mudança de preferências dos consumidores, que passaram a valorizar mais o conforto, a eficiência energética e a localização. Este artigo realiza uma análise aprofundada do mercado de casas domésticas em Portugal em 2022, com foco na receita, nos principais players, nas tendências emergentes e nas previsões até 2028, utilizando dados de fontes oficiais, relatórios de consultoria e estudos de mercado.
Análise do Mercado de Casas Domésticas em 2022: Receita e Segmentação
O setor de casas domésticas em Portugal movimentou, em 2022, uma receita estimada de 2,8 mil milhões de euros, refletindo uma recuperação significativa face aos anos de pandemia. Esta receita foi distribuída entre diferentes segmentos, nomeadamente habitações unifamiliares, apartamentos em blocos residenciais e imóveis de luxo. Os principais contributores para o volume de vendas e receitas foram:
- Habitações unifamiliares: Representaram cerca de 55% da receita total, impulsionadas pelo aumento do interesse por casas com quintal, espaço exterior e maior privacidade.
- Apartamentos em zonas urbanas: Responderam por 35%, beneficiando de uma procura crescente em áreas metropolitanas como Lisboa, Porto e Coimbra.
- Imóveis de luxo: Apesar de representar uma fatia menor (10%), registou um crescimento de 15% na receita, refletindo uma procura de nicho por propriedades com características exclusivas e localizações privilegiadas.
Este crescimento da receita deve-se, em grande medida, à recuperação do mercado de crédito habitação, ao aumento da confiança do consumidor e à elevada procura de imóveis por parte de investidores nacionais e estrangeiros. Ainda assim, o mercado enfrenta desafios, incluindo a escassez de oferta em determinadas zonas e o aumento dos custos de construção, que pressionam as margens dos construtores e promotores imobiliários.
Principais Empresas e Negócios no Mercado de Casas Domésticas
O mercado de casas domésticas em Portugal é composto por uma combinação de construtores, promotores imobiliários, empresas de reabilitação urbana e organizações de mediação imobiliária. Entre os principais atores, destacam-se:
- Grupo Imobiliário Sonae Sierra: com forte presença na gestão de património e desenvolvimento de projetos residenciais em zonas estratégicas.
- VivaReal Portugal: uma das maiores plataformas de mediação imobiliária, facilitando transações entre compradores e vendedores.
- Efacec Construções: especializada em construção de habitações sustentáveis e projetos de reabilitação urbana.
- Lyxor Imobiliário: fundo de investimento focado em imóveis residenciais de alta qualidade, com forte apetência por segmentos de luxo.
Estas empresas têm vindo a adaptar as suas estratégias às novas tendências, investindo em tecnologia, sustentabilidade e na oferta de imóveis que respondam às necessidades de um mercado cada vez mais exigente. Além disso, a crescente procura por soluções de habitação acessível tem impulsionado o surgimento de promotores especializados em habitações de rendimento moderado, sobretudo em áreas periurbanas.
Tendências Emergentes em 2022 no Mercado de Casas Domésticas
O ano de 2022 foi marcado por várias tendências que estão a moldar o futuro do mercado de casas domésticas em Portugal. Destacam-se:
- Digitalização do processo de aquisição: Utilização crescente de plataformas online para visitas virtuais, assinatura digital de contratos e financiamento digital, facilitando o processo para os consumidores.
- Sustentabilidade e eficiência energética: aumento na procura por certificações ambientais, sistemas de painéis solares, isolamento térmico avançado e domótica, com o objetivo de reduzir custos de energia e a pegada ecológica.
- Flexibilidade na configuração dos imóveis: tendência de habitações multifuncionais que combinam espaços de trabalho, lazer e habitação, refletindo o aumento do teletrabalho e das dinâmicas familiares.
- Valorização de zonas periurbanas: aumento do interesse por regiões suburbanas e rurais, onde é possível adquirir casas com maior espaço por preços mais acessíveis, atendendo à procura de maior qualidade de vida.
- Investimento em reabilitação urbana: renovação de edifícios antigos e adaptação de imóveis existentes para novos padrões de conforto e segurança, impulsionados por incentivos fiscais e apoios governamentais.
Estas tendências indicam um mercado dinâmico, que procura equilibrar inovação, sustentabilidade e acessibilidade, perante um cenário de crescente concorrência e transformação digital.
Previsões para 2023-2028: Crescimento, Desafios e Oportunidades
De acordo com os principais relatórios de mercado e análises de consultoras especializadas, o mercado de casas domésticas em Portugal deverá continuar a crescer até 2028, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) prevista de cerca de 4%. Este crescimento será impulsionado por vários fatores, incluindo:
- Recuperação económica sustentada: crescimento do PIB, aumento do emprego e maior acesso ao crédito habitação.
- Incentivos governamentais: programas de reabilitação urbana, apoios à eficiência energética e facilidades fiscais para investidores estrangeiros.
- Transformações demográficas: aumento do número de famílias unipessoais e de idosos que procuram habitações adaptadas às suas necessidades.
- Inovação tecnológica: implementação de soluções inteligentes que aumentam o conforto, segurança e sustentabilidade dos imóveis.
No entanto, o mercado enfrentará desafios relevantes, como:
- Escassez de oferta em zonas de alta procura: a dificuldade em disponibilizar novos imóveis devido à escassez de terrenos e aos custos elevados de construção.
- Aumento dos custos de construção: impactado por inflação, aumento do preço dos materiais e escassez de mão-de-obra qualificada.
- Regulamentação e políticas de habitação: necessidade de adaptação às novas leis ambientais e de ordenamento do território.
Apesar destes obstáculos, as oportunidades presentes no mercado de casas domésticas permanecem robustas, sobretudo na oferta de imóveis sustentáveis, na reabilitação urbana e na implementação de soluções tecnológicas de smart living. A previsão é de que, até 2028, o mercado atinja uma receita superior a 4 mil milhões de euros, consolidando-se como uma das áreas mais relevantes do setor imobiliário português.
Conclusão: Perspetivas de Futuro e Estratégias de Mercado
O mercado de casas domésticas em Portugal em 2022 demonstra uma trajetória de recuperação e crescimento sustentado, impulsionado por uma combinação de fatores económicos, tecnológicos e sociais. A receita atingiu valores expressivos, refletindo a confiança renovada dos consumidores e investidores. Com as tendências emergentes a apontarem para uma maior digitalização, sustentabilidade e flexibilidade, o setor encontra-se preparado para adaptar-se às novas exigências do mercado.
Para os intervenientes no setor, as estratégias mais eficazes passam por investir na inovação, na reabilitação de imóveis existentes e na oferta de soluções que privilegiem o conforto, a eficiência energética e a adaptação às novas formas de vida. Além disso, a aposta em zonas periurbanas e rurais pode representar uma oportunidade de diferenciação face à escassez de oferta em áreas tradicionais de alta procura.
De olho no futuro, a previsão aponta para um crescimento contínuo até 2028, com oportunidades de expansão tanto na oferta residencial de alta gama como na habitação acessível. Assim, o mercado de casas domésticas em Portugal reforça a sua relevância no contexto económico nacional, contribuindo para a dinamização do setor imobiliário, a criação de emprego e o desenvolvimento sustentável do território.


