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Energia

Syre abre fábrica no Vietname para desafiar domínio da China no setor têxtil

— Paulo Teixeira 3 min read

A Syre, empresa apoiada pela gigante Sueca H&M, inaugurou uma planta de reciclagem têxtil no Vietname, criando uma via alternativa ao processamento tradicionalmente centralizado na China. A unidade, localizada na zona industrial de Hai Phong, começou a operar com capacidade para processar milhares de toneladas de resíduos têxteis por ano, revelou a empresa em comunicado. O movimento surge num momento em que as marcas de moda procuram diversificar as suas cadeias de abastecimento na Ásia.

A resposta da Syre à concentração asiática

A planta vietnamita da Syre representa a primeira instalação de grande escala da empresa fora da Suécia. O objetivo declarado é oferecer aos fabricantes de vestuário uma solução de reciclagem mais próxima dos mercados de produção do sudeste asiático. A empresa estima que a proximidade com países como o Bangladesh, o Camboja e o Myanmar reduza significativamente os custos logísticos e a pegada de carbono associada ao transporte de materiais. A H&M, que detém uma participação na Syre desde 2023, confirmou o apoio estratégico à expansão.

Contexto geopolítico da mudança

A decisão de instalar a fábrica no Vietname insere-se numa tendência mais ampla de reconfiguração das cadeias de fornecimento globais. Tensões comerciais persistentes entre os Estados Unidos e a China, aliadas a preocupações com direitos laborais, têm levado múltiplas empresas a redistribuir a produção para países do sudeste asiático. O Vietname emergiu como um dos principais beneficiários desta reorganização, atraindo investimentos significativos no setor têxtil e de vestuário. A nova planta da Syre chega num momento em que a procura por materiais reciclados na indústria da moda continua a crescer.

O papel da economia circular

A Syre posiciona a sua tecnologia como uma solução para um dos problemas mais persistentes da indústria da moda: o destino final dos têxteis pós-consumo. A empresa utiliza um processo de despolimerização que permite converter fibras de algodão e misturas sintéticas em matérias-primas para nova produção. Este método evita que os resíduos têxteis terminem em aterros ou sejam incinerados. A empresa garantiu acordos com vários fabricantes europeus para absorver a produção da planta vietnamita.

Implicações para a indústria têxtil

A chegada da Syre ao Vietname pode acelerar a adoção de práticas de economia circular na região. Até agora, a reciclagem de têxteis na Ásia dependia maioritariamente de instalações chinesas, que processam a maioria dos resíduos têxteis mundiais. A planta de Hai Phong procura captar parte dessa procura, oferecendo prazos de entrega mais curtos para clientes da região. A Syre adiantou que a unidade poderá empregar centenas de trabalhadores locais, embora não tenha revelado o número exato de postos de trabalho criados.

Reações do setor

Organizações do setor têxtil reagiram com interesse ao anúncio. A Textile Exchange, organização internacional que acompanha práticas sustentáveis na indústria, classificou a expansão como um passo positivo para a descentralização do processamento de reciclagem. Representantes de marcas concorrentes indicaram estar a avaliar a planta vietnamita como potencial fornecedor de materiais reciclados. A Syre enfatizou que os padrões de qualidade e certificação serão equivalentes aos aplicados nas suas operações na Suécia.

O que acontece a seguir

A Syre anunciou planos para duplicar a capacidade da planta de Hai Phong até ao final de 2026, dependendo da procura registada nos primeiros meses de operação. A empresa revelou que está também a explorar parcerias com recicladoras locais no Vietname para reforçar a recolha de materiais. Os próximos meses serão decisivos para medir a competitividade da planta face às opções existentes na China, onde operadores estabelecidos oferecem escalas de produção difíceis de igualar. A H&M deverá apresentar os primeiros resultados da parceria com a Syre no seu relatório anual, previsto para publicação em fevereiro.

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