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Energia

ONU Alerta para El Niño em 2024 — Calor Extremo Ameaça Centenas de Milhões

— Paulo Teixeira 4 min read

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou esta terça-feira que o fenómeno El Niño está agora ativo no Pacífico e pediu aos governos que preparem a população para eventos climáticos extremos nos próximos meses. O aviso surge depois de meses de previsões que indicavam uma probabilidade crescente de retorno do fenómeno, que perturbou colheitas, economias e vidas em todo o mundo em 2015-2016.

O que dizem os meteorologistas

Os dados mais recentes confirmam que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial ultrapassaram os limiares habituais para definir um episódio de El Niño. A OMM estimou em maio que havia 60% de probabilidade de o fenómeno se instalar entre junho e agosto — um intervalo temporal que agora se confirmou. Não se trata de uma projeção teórica: as consequências já se fazem sentir em várias regiões.

Em Genebra, onde a OMM tem a sua sede, os cientistas referiram que a combinação entre El Niño e as mudanças climáticas de fundo cria um cenário particularmente perigoso. "Estamos a observar uma interação entre dois fatores que amplificam um ao outro", apontou um porta-voz da organização na semana passada.

Como funciona o El Niño

O fenómeno resulta do aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical, que altera os padrões de circulação atmosférica em escala global. Quando se manifesta, muda a distribuição de chuvas e temperaturas em regiões que vão da América Latina ao Sudeste Asiático, passando pela África subsariana e a Austrália.

Os impactos variam conforme a geografia. Na Indonésia e na Austrália, o El Niño tipicamente traz secas que favorecem incêndios florestais. Na costa oeste da América do Sul, pode provocar inundações. No Corno de África, o padrão histórico aponta para maior risco de fome.

Os números que importam

Os cientistas usam uma classificação de intensidade — fraco, moderado e forte — para avaliar cada episódio. O episódio de 2015-2016, o mais intenso já registado na era moderna, terá causado cerca de 23 mil milhões de dólares em perdas económicas, segundo estimativas do Banco Mundial. Ainda não é possível dizer com certeza que magnitude terá o episódio de 2024, mas os modelos climáticos alertam para riscos elevados.

Quem deve preparar-se agora

A OMM recomendou explicitamente que países do sudeste asiático, América Latina e África austral acelerem os planos de contingência. O Vietname, as Filipinas e o Peru são frequentemente among os mais vulneráveis, dado que as economias de muitos destes países dependem diretamente da agricultura e da pesca — setores altamente sensíveis a variações climáticas.

No Brasil, o Ministério da Agricultura já manifestou preocupação com possíveis secas no norte do país durante o segundo semestre. Na Etiópia, agências humanitárias alertaram que uma nova estação de chuva desfavorável pode comprometer a segurança alimentar de milhões de pessoas.

O que Portugal e a Europa têm a ver com isto

A ligação entre o El Niño e o clima europeu não é direta, mas os efeitos secundários já se fazem sentir nos mercados. A produção agrícola em regiões afetadas influencia os preços mundiais de cereais e oleaginosas, o que acaba por chegar às importações europeias. Além disso, eventos climáticos graves em países em desenvolvimento geram deslocamentos humanos que pressão adicional sobre as rotas migratórias.

O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), sediado em Reading, no Reino Unido, acompanha os desenvolvimentos com modelos próprios que integram as condições do Pacífico nas suas projeções sazonais para o continente.

O que vem a seguir

O episódio de El Niño de 2024 deve atingir o seu pico entre dezembro e fevereiro de 2025, coincindo com o verão no Hemisfério Sul. Os governos têm agora uma janela de meses para agir antes que os efeitos se tornem mais severos. A Cruz Vermelha Internacional anunciou que já está a reposicionar recursos em países considerados de alto risco.

Nos próximos meses, os investigadores vão monitorizar a evolução das temperaturas do mar e ajustar as previsões à medida que novos dados surjam. A próxima atualização formal da OMM está prevista para setembro, quando os dados de julho e agosto estiverem consolidados. Esse relatório determinará se os países precisam de elevar o nível de preparação.

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