Nigéria e África Precisam de 92 Mil Milhões de Dólares em Refinação até 2050, Avisa OPEC
A OPEC alertou esta semana que a Nigéria, Angola e outras nações africanas necessitarão de investir cerca de 92 mil milhões de dólares em capacidades de refinação até ao ano de 2050 para responder à procura crescente de combustíveis no continente. O aviso surge num momento em que a maioria dos países africanos continua dependente de importações de produtos refinados, o que fragiliza as suas balanças comerciais e expõe as economias locais às flutuações dos mercados internacionais.
Um Continente Dependente das Importações
A África subsariana enfrenta há décadas um défice estrutural na refinação de crude. Mesmo países como a Nigéria e Angola, que figuram entre os maiores produtores de petróleo bruto do mundo, exportam a maior parte da sua produção para refinementarias noutros continentes e depois importam gasolina, gasóleo e fuelleo a preços elevados. Esta dinâmica significa que os consumidores africanos pagam sistematicamente mais pelo combustível do que o custo real de produção.
Segundo dados da OPEC, o consumo de produtos petrolíferos na África subsariana deverá duplicar nas próximas três décadas, impulsionado pelo crescimento populacional e pela expansão económica. Sem investimentos substanciais em nova capacidade de refinação, esta procura será satisfeita quase integralmente por importações, perpetuando a vulnerabilidade externa das economias africanas.
Quanto Dinheiro é Necessário e Porquê
Os 92 mil milhões de dólares estimados pela OPEC cobrem um leque amplo de investimentos, desde a construção de novas refinementarias de grande escala até à modernização de instalações existentes que operam abaixo da capacidade nominal. O valor inclui também investimentos em infraestrutura de armazenamento e distribuição, elementos essenciais para garantir que os produtos refinados chegam efetivamente aos consumidores finais.
Dimensão do Défice Atual
A Nigéria, por exemplo, possui apenas quatro refinementarias principais, muitas delas com décadas de idade e submetidas a frequentes paragens para manutenção. A refinaria de Port Harcourt, uma das maiores do país, opera regularmente abaixo dos 50 por cento da sua capacidade por razões técnicas e de gestão. Este cenário repete-se um pouco por todo o continente, onde a idade média das refinementarias africanas supera os 30 anos.
Angola, apesar de ser o segundo maior produtor de crude em África, dispõe de capacidade de refinação insuficiente para as necessidades internas. O país importa volumes significativos de combustíveis, o que representa um peso considerável para as finanças públicas num período de oscilações nos preços do petróleo.
Quem Pode Financiar Estes Projetos
A questão do financiamento constitui o maior obstáculo à concretização destes investimentos. Os 92 mil milhões de dólares necessários não surgirão apenas de capitais governamentais; será necessária uma combinação de investimento privado, financiamento de instituições de desenvolvimento e parcerias público-privadas. however, o ambiente de negócios em muitos países africanos, aliado aos riscos geopolíticos e cambiais, afasta potenciais investidores.
Instituições como o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Mundial têm programas dedicados ao sector energético, mas os montantes disponíveis ficam muito aquém das necessidades estimadas. Algumas empresas petrolíferas internacionais manifestaram interesse em projetos de refinação em África, embora as negociações se arrastem frequentemente por anos antes de qualquer decisão final de investimento.
Implicações para os Consumidores Africanos
O impacto nos consumidores finais depende em grande medida da velocidade com que estes investimentos avancem. Se a capacidade de refinação africana se mantiver estagnada, os preços dos combustíveis nos mercados internos continuarão vulneráveis às cotações internacionais e às oscilações cambiais. Isto significa que famílias e empresas africanas suportam custos de energia superiores aos que pagariam num cenário de maior auto-suficiência.
Por outro lado, a construção de refinementarias cria empregos directos e indirectos, stimulationa o desenvolvimento de competências técnicas locais e pode dinamizar economias regionais. Países como o Ghana e o Marrocos já demonstraram que é possível atrair investimentos significativos em refinação quando existem quadros regulatórios estáveis e incentivos adequados.
O Que Acontece se Nada Mudar
Cenários de inação têm consequências mensuráveis. A continuar o padrão actual, a factura de importação de combustíveis em África poderá ultrapassar os 150 mil milhões de dólares anuais até 2040, segundo estimativas de analistas do sector. Este fluxo financeiro representa um dreno constante de recursos que poderiam ser alocados a sectores produtivos, educação ou infraestruturas de saúde.
Adicionalmente, a dependência de importação deixa os países africanos particularmente expostos a interrupções na cadeia global de abastecimento, como as que se verificaram durante a pandemia de covid-19 e mais recentemente com os efeitos persistentes de conflitos geopolíticos nos mercados energéticos.
Próximos Passos e Decisões Cruciais
Os próximos meses serão determinantes para perceber se existe vontade política para enfrentar este desafio. Vários governos africanos têm em curso estudos de viabilidade para novas refinementarias, mas a transição da teoria para a construção efectiva exige decisões de investimento que ainda não foram tomadas. O preço do crude no mercado internacional, a evolução das políticas climáticas globais e a disponibilidade de financiamento barato serão factores decisivos.
O que importa agora é acompanhar se os compromissos públicos se converterão em contratos firmados. Sem avanços concretos em 2025, a meta de 2050 tornar-se-á progressivamente inatingível, deixando África cada vez mais dependente do exterior para satisfazer as suas necessidades energéticas mais básicas.
Leia Também
Read the full article on Minho Diário
Full Article →