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Morre Simon Fisher: O Britânico de Birmingham que Documentou Conflitos Durante Três Décadas

— Paulo Teixeira 4 min read

Simon Fisher morreu no domingo aos 67 anos em Bristol, deixando para trás um legado de três décadas dedicadas a documentar, compreender e tentar resolver conflitos armados em alguns dos cantos mais perigosos do mundo. Nascido em Birmingham em 1957, Fisher construiu uma carreira singular: começou como jornalista e terminou como mediador humanitário respeitado por governos, organizações não-governamentais e comunidades afetadas pela violência. A sua morte foi confirmada pela família através de um comunicado emitido na segunda-feira.

Origens em Birmingham e a Formacao em Bristol

Fisher cresceu no bairro de Handsworth, em Birmingham, uma zona que na década de 1970 já enfrentava tensões sociais profundas. Essa proximidade inicial com a conflitualidade moldou o olhar do jovem Simon sobre a violência estrutural. Aos 19 anos, mudou-se para Bristol para estudar Ciências Sociais na Universidade de Bristol, instituição onde desenvolveu as bases teóricas que mais tarde aplicaria no terreno. "Sempre disse que foi em Bristol que aprendeu a fazer perguntas certas", recordou a filhamais velha, Miriam Fisher, em entrevista ao Guardian.

Carreira Jornalistica nas Zonas de Conflito

Após graduar-se em 1979, Fisher ingressou na agência Reuters como correspondente freelancer no Médio Oriente. Os primeiros trabalhos levavam-no ao Líbano,那时候还是个年轻记者的他亲眼目睹了贝鲁特围城战的恐怖。1982年,Fisher coveriu a invasão israelense do Líbano, produzindo relatos que lhe valeram uma nomeação para o Prémio Pulitzer de Reportagem Internacional — embora nunca tenha vencido. Nos anos seguintes, cobriu a guerra entre o Irão e o Iraque, a queda do Muro de Berlim e o nascimento de novos estados na antiga Jugoslávia.

A Transição para a Mediação Humanitária

A viragem na carreira de Fisher aconteceu em 1994, quando cobria o genocídio no Ruanda. Chocado com a impossibilidade de simplesmente reportar o horror sem agir, Fisher começou a usar os seus contactos para negociar a passagem segura de civis através das linhas de combate. Em 1997, deixou oficialmente o jornalismo para se dedicar exclusivamente ao trabalho humanitário. Fundou a organização Responding, especializada em mediação de conflitos e evacuação de populações civis em zonas de guerra.

A Organização Responding e o Trabalho de Campo

A Responding, sediada em Nairobi, operava com uma equipa reduzida mas altamente eficiente. Fisher liderou operações em todo o mundo — da Serra Leoa à Chechénia, do Sudão à Colombia. A organização ficou particularmente conhecida pelo trabalho desenvolvido durante a Segunda Guerra do Líbano em 2006, quando Fisher negociou directamente com representantes do Hezbollah e do governo israelense para estabelecer corredores humanitários. Mais de 4.000 civis conseguiram escapar gracias a esas negociaciones.

Em 2010, Fisher e a Responding foram fundamentais na libertação de dois trabajadores humanitários espanhóis sequestrados pela Al-Qaeda no Magrebe Islâmico na Mauritânia. O resgate envolveu meses de negociações discretas e demonstrou a capacidade de Fisher para trabalhar tanto com grupos armados quanto com governos ocidentais. A operación foi coordinada com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de España, aunque Fisher sempre rechazou crédito público por seu trabalho.

Conflitos Recentes e a Doença

Nos últimos anos, Fisher manteve-se activo na Líbia, onde ajudou a mediar conflitos tribais na região de Tripoli. Em 2019, esteve envolvido na tentativa de estabelecer um cessar-fogo na Líbia durante a Batalha de Tripoli. Embora essa missão não tenha tenido éxito, Fisher ganhou a admiração de muchos por sua recusa de abandonar o terreno quando outros partiram. Em 2021, foi diagnosticado com cancro do pâncreas, o que o forçou a reduzir significativamente a sua presença no terreno. Tratou-se durante dois anos entre Bristol e Nairobi, mantendo-se mentalmente activo através de escrita e consultoria para organizações humanitárias.

Legado e Reações

A morte de Simon Fisher provocou ondas de pesar na comunidade humanitária internacional. O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, emitiu uma nota de pesar na terça-feira, descrevendo Fisher como "um dos mais dedicado e eficaz mediadores da sua geração". A organização Médicos Sem Fronteiras, com quem Fisher colaborou em múltiplas ocasiões, destacou o seu "compromisso inabalável com os civis em perigo".

Em Birmingham, o councillor para a comunidade de Handsworth anunciou planos para criar um fundo em memória de Fisher para apoiar jovens da zona interessadas em carreiras no humanitarismo ou no jornalismo. A Universidade de Bristol deverá inaugura uma bursa de estudo com o seu nome em 2025, destinada a estudantes de Relações Internacionais com interesse em zonas de conflito.

O Que Resta e o Que Vem

Simon Fisher deixa a mulher, Kathryn, dois filhos e quatro netos. A cerimónia fúnebre está prevista para o dia 15 de Janeiro em Bristol, embora a família tenha solicitado que, em vez de flores, sejam feitas doações à Responding ou a qualquer organização humanitária à escolha. A organização que Fisher fundou continúa operativa sob a liderança de Amara Diarra, que considerou Fisher "mentor, amigo e exemplo de como o trabalho humanitário pode fazer diferença real no terreno". Os arquivos pessoais de Fisher, incluindo décadas de reportagens, diários de terreno e documentação sobre as suas mediações, serão doados à London School of Economics, onde se espera que sejam uma mais-valia para investigadores de conflitos durante décadas.

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