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Energia

Europa bate recordes de calor em escala sem precedentes — temperaturas disparam

— Paulo Teixeira 4 min read

Os termómetros na Europa atingiram níveis que os cientistas classificam como sem precedentes, com múltiplos países a reportarem temperaturas que ultrapassam os anteriores recordes absolutos por margens significativas. O fenómeno, que tem afetado nações desde a Península Ibérica até à Escandinávia, está a obrigar autoridades a rever planos de emergência e a implementar restrições sem paralelo na memória recente.

Ondas de calor intensificam-se em toda a região

Nos últimos dias, pelo menos oito países europeus estabeleceram novos máximos históricos de temperatura. A Organização Meteorológica Mundial confirmou que varios destes valores ultrapassaram os 45 graus Celsius em zonas onde tais temperaturas eram consideradas impossíveis há apenas uma década. A agência classificou os dados como "estatisticamente extraordinários".

Em Espanha, as autoridades de saúde pública reportaram mais de mil mortes atribuíveis ao calor excessivo desde o início do período de calor intenso. O Ministério da Saúde espanhol ativou pela primeira vez o nível máximo do plano nacional de emergências térmicas. Em Portugal, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera emitiu alertas vermelhos para 14 distritos, recomendando que populações vulneráveis evitassem exposição ao sol durante as horas mais quentes.

Dados científicos revelam escala do fenómeno

Os registos indicam que as temperaturas médias de superfície na Europa ultrapassaram em 2,3 graus Celsius a média histórica para esta época do ano. Cientistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo alertam que a frequência destes eventos triplicou desde a década de 1990. A aceleracão observada está alinhada com os cenários mais pessimistas dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Impacto nas infraestruturas e na população

As redes elétricas de vários países enfrentam pressões sem precedentes. Em França, a empresa estatal EDF informou que a produção de energia nuclear caiu 12 por cento devido à necessidade de arrefecer os reactores com água de temperatura mais elevada. A situação forçou o governo a importar eletricidade da Alemanha e a solicitar à população reduções voluntárias de consumo.

Os sistemas de saúde em Italia, Grécia e Croácia reportaram aumento significativo nas admissões hospitalares por golpes de calor e desidratação. A Cruz Vermelha europeia mobilizou mais de três mil voluntários para operações de apoio a populações idosas e sem-abrigo. Em Atenas, os abrigos climáticos abertos em bibliotecas e centros comunitários acolheram diariamente milhares de pessoas.

Respostas governamentais e medidas de emergência

Vários governos anunciaram medidas extraordinárias. O Reino Unido ativou pela primeira vez a Escala de Calor Emergente do Met Office, um sistema de alerta que não era necessário desde a sua implementação. O governo pediu às empresas que permitam trabalho remoto quando possível e suspendeu concertos ao ar livre e eventos desportivos.

A Itália declarou estado de emergência em cinco regiões, liberando fundos de 37,5 milhões de euros para apoio directo às populações afectadas. O primeiro-ministro Giorgia Meloni convocou uma reunião interministerial de urgência na segunda-feira para coordenar a resposta nacional. Na Grécia, as autoridades fecharam a Acrópole de Atenas ao público durante as horas da tarde, uma decisão sem precedentes na história do monumento.

Contexto científico e ligações às mudanças climáticas

Os cientistas enfatizam que o evento actual não pode ser separado do contexto mais amplo das mudanças climáticas. Os dados do Copernicus Climate Change Service demonstram que as temperaturas na Europa aumentaram 1,5 vezes mais rápido do que a média global desde 1990. Este aquecimento acelerado está a modificar fundamentalmente o comportamento das ondas de calor no continente.

Investigadores da Universidade de Helsínquia publicaram um estudo no início deste mês indicando que os fenómenos de calor extremo na Europa estão a tornar-se não apenas mais frequentes, mas também mais intensos e de maior duração. O estudo estima que eventos que anteriormente ocorriam uma vez em cada 50 anos estão agora a repetir-se a cada cinco anos.

Perspectivas para as próximas semanas

Os modelos meteorológicos indicam que a situação não deverá melhorar significativamente antes do final do mês. A massa de ar quente que cobre a Europa está prevista manter-se estacionária, com temperaturas previstas para ultrapassar os 40 graus em várias capitais europeias. Os meteorologistas alertam para a possibilidade de novos recordes serem estabelecidos.

As autoridades sanitárias temem que o número de mortes continue a aumentar nas próximas duas semanas, especialmente entre populações idosas e pessoas com condições de saúde crónicas. Organizações não governamentais alertam que milhares de pessoas sem acesso a ar condicionado ou ventilação adequada enfrentam riscos particularmente elevados.

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