Estreito de Ormuz Reabre — Navios Petrolíferos Voltam a Cruzar Golfo
Os navios petrolíferos voltaram a atravessar o Estreito de Ormuz esta semana, putting end a semanas de incerteza que tinham deixado os importadores africanos em alerta máximo. A via navegável, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é a principal rota para o crude que chega a grande parte do continente. A decisão de reabertura foi anunciada pelo Comando Central dos Estados Unidos, que confirmou ter cancelado o alerta máximo para a navegação comercial na região.
Como Tudo Aconteceu
Durante cerca de três semanas, o Estreito de Ormuz esteve sob vigilância apertada após incidentes militares entre o Irão e Israel. Os confrontos directos entre Teerão e Telavive tinham elevado o risco de navegação na região a níveis nunca vistos desde 2019. Várias companhias petrolíferas decidiram desviar navios para rotas mais longas, o que aumentou os custos de transporte e os prazos de entrega. O último alerta do Lloyd's of London, avaliando a zona como «área de alto risco», foi levantado na passada segunda-feira.
Angola no Centro da Tempestade
Angola depende quase inteiramente das exportações de crude para alimentar a sua economia, e qualquer perturbação no comércio global de petróleo afecta directamente Luanda. Contudo, o país sul-africano enfrenta um desafio duplo: além de exportar petróleo, importa produtos refinados que frequentemente atravessam rotas marítimas que passam pelo Índico. Quando o Estreito de Ormuz ficou sob ameaça, os negociantes angolanos viram os fretes dos navios tankers subirem mais de 15 por cento em poucos dias. O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás emitiu um comunicado a pedir calma aos mercados, mas os operadores privados estavam nervosos.
A Dimensão Africana do Problema
O continente africano importa aproximadamente 40 por cento dos seus derivados de petróleo do Médio Oriente, e grande parte desse volume cruza o Estreito de Ormuz sem alternativa viável. O Egipto, o Quénia e o Mozambique estão entre os países mais vulneráveis a qualquer perturbação nesta artéria logística. A Nigéria, maior produtor de crude da África subsariana, consegue exportar directamente pelo Atlântico, mas mesmo assim sente os efeitos das flutuações de preços causadas por crises no Golfo. O Corredor do Lobito, que liga a Zambía e a RDC ao porto angolano do Lobito, tem sido apontado como uma possível rota alternativa para o futuro, mas ainda não está operacional para grandes volumes.
O Papel do Irão na Estratégia Marítima
O Irão controla uma das margens do Estreito de Ormuz e utiliza a sua posição geográfica como instrumento de negociação geopolítica. Teerão sabe que qualquer ameaça à livre navegação nesta passagem inquieta tanto Pequim quanto Bruxelas, dado que a China é o maior comprador de crude do Golfo. Esta semana, o министр dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reuniu-se com representantes da Oman para discutir garantias de segurança marítima. Os Estados Unidos mantêm uma presença naval permanente na zona através da Quinta Frota, baseada no Bahrain.
Os Números por Trás da Crise
Por dia, passam pelo Estreito de Ormuz cerca de 17 milhões de barris de crude, o equivalente a quase um quinto de todo o petróleo consumido diariamente no planeta. Quando a rota ficou parcialmente comprometida, o preço do Brent disparou para acima de 85 dólares por barril nos mercados internacionais. Nas bombas de gasolina africanas, isso traduziu-se em aumentos que pesaram no bolso dos consumidores. A Associação de Transportadores Marítimos da África Oriental estimou que os desvios de rotas custaram ao sector cerca de 200 milhões de dólares em custos adicionais durante o período de alerta.
Alívio nos Mercados, Mas Preocupação Permanece
A reabertura do Estreito de Ormuz trouxe um suspiro de alívio visível nos mercados energéticos mundiais. O preço do barril de Brent recuou para cerca de 78 dólares, reflectindo a normalização das expectativas de oferta. As Bolsas africanas cotadas no sector energético registaram ganhos modestos na terça-feira, com a Sonangol a subir 2,3 por cento em Luanda. Contudo, os analistas avisam que a situação permanece frágil. Os confrontos entre Israel e o Hamas em Gaza continuam sem resolução, e o Irão mantém a sua retórica contra o que chama de «presença militar estrangeira» no Golfo.
O Que Vem a Seguir
Os próximos meses serão decisivos para perceber se a calma actual se consolida ou se novas tensões voltam a pôr em causa a navegação no Estreito de Ormuz. Na próxima semana, está prevista uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para debater a situação na região do Golfo. Até lá, as companhias de navegação vão acelerar o processamento das encomendas atrasadas, o que pode temporarily baixar os fretes marítimos. Para os consumidores africanos, isso poderá significar um ligeiro alívio nos preços dos combustíveis nas bombas durante o próximo mês, mas os economistas alertam que qualquer novo incidente pode reverter essa tendência em poucos dias.
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