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Aumentos 'Brutais' nos Seguros de Saúde Não Travaram Mercado — Nuno Martins Explica Porquê

— Ana Silva 5 min read

O mercado de seguros de saúde em Portugal atravessa um momento de tensões crescentes, com aumentos de preços descritos como "brutais" pelos principais operadores do setor. Apesar do peso financeiro para as famílias, a procura não recuou. Nuno Martins, presidente da Aprose, adianta que o setor está "muito vivo" e que os consumidores continuam a procurar proteção de saúde suplementar.

A realidade dos aumentos nos prémios

Os consumidores portugueses enfrentam aumentos significativos nos prémios dos seguros de saúde. As subida variaram entre os 15% e os 30% em muitos contratos, dependendo da idade e do perfil do segurado. Nuno Martins reconheceu, em declarações à comunicação social, que estes valores representam um "choque" para muitos agregados familiares.

A subida dos custos reflete o aumento das despesas médicas nos últimos anos. Hospitais e clínicas privadas elevaram os seus preços, o que obrigou as seguradoras a ajustar os prémios para manter a viabilidade das apólices. Este fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas o mercado nacional tem sentido o impacto de forma particularmente intensa.

Porquê o mercado não trava

Apesar dos aumentos brutais, o mercado de seguros de saúde em Portugal continua dinâmico. Nuno Martins salientou que a procura se mantém elevada, com novos contratos a serem celebrados todos os meses. "O mercado está muito vivo", afirmou o presidente da Aprose, a associação que representa os operadores de seguros de saúde.

Plusieurs fatores explicam esta resiliência. Primeiro, o Serviço Nacional de Saúde enfrenta pressões crescentes em Lisboa, Porto e outras cidades, empurrando os portugueses para alternativas privadas. Segundo, o aumento da literacia em saúde fez com que mais pessoas compreendam o valor de ter uma apólice de seguros. Terceiro, o mercado de trabalho em Portugal tornou-se mais competitivo, levando muitas empresas a oferecer seguros de saúde como benefício complementar.

O papel da Aprose no setor

A Aprose tem acompanhado de perto a evolução do mercado. Nuno Martins tem participado em reuniões com as autoridades de supervisão para discutir o equilíbrio entre a sustentabilidade das seguradoras e a acessibilidade para os consumidores. A associação defende que os aumentos são necessários para garantir a qualidade dos serviços prestados.

A organização tem também trabalhado em iniciativas de transparência, pedindo às seguradoras associadas que apresentem de forma mais clara as condições das apólices. Esta pressão resultou em melhorias na comunicação comercial, embora críticos arguam que os consumidores ainda enfrentam dificuldades em comparar ofertas.

Impacto nas famílias portuguesas

Para muitos orçamentos domésticos, o aumento dos seguros de saúde representa um esforço adicional significativo. Uma família com dois adultos e dois filhos pode enfrentar mensalidades que ultrapassam os 200 euros por mês em alguns casos. Este valor pesa heavily no orçamento de famílias com rendimentos médios.

Alguns consumidores têm recorrido a estratégias de adaptação. Umas reduzem a cobertura escolhida, optando por planos mais básicos. Outras mudam de seguradora, procurando promoções ou condições mais favoráveis. Há também quem cancele o seguro e regresse ao sistema público, esperando conseguir consultas e tratamentos através do SNS.

Respostas do lado da procura

As seguradoras têm respondido com novas ofertas direcionadas a segmentos específicos do mercado. Apareceram planos com redes de prestadores mais limitadas, mas com prémios mais acessíveis. Também surgiram produtos com franchising, onde o segurado assume parte dos custos até um determinado valor anual.

No entanto, especialistas do setor alertam que estas soluções podem criar assimimetrias na proteção. Um segurado com um plano mais barato pode descobrir, em caso de doença grave, que a sua cobertura é insuficiente para os tratamentos necessários.

O que esperar para os próximos meses

Nuno Martins prevê que os aumentos nos prémios vão continuar nos próximos trimestres, embora com menor intensidade do que no período recente. "Os ajustes mais bruscos já foram feitos", adiantou, ressalvando que fatores como a inflação nos custos médicos continuam a pressionar as seguradoras.

O setor vai estar atento à evolução da regulamentação europeia e nacional. Novas regras sobre a portabilidade de seguros e a comparabilidade de produtos podem alterar a dinâmica competitiva do mercado português. A Aprose participa ativamente no diálogo com o supervisor do setor para garantir que as alterações legislativas não penalizam a sustentabilidade do ecossistema.

O que os consumidores devem vigiar

Para quem tem seguro de saúde ou está a pensar contratar um, há aspetos a considerar. Em primeiro lugar, importa ler atentamente as condições das apólices, especialmente as exclusões e os limites de cobertura. Em segundo lugar, vale a pena pedir orçamentos a várias seguradoras, pois os preços podem variar substancialmente para produtos semelhantes.

O consumidor deve também estar atento a eventuais aumentos no momento da renovação do contrato. Algumas seguradoras aplicam subida de preços progressiva com a idade do segurado, o que pode tornar o seguro financeiramente insustentável a longo prazo. Comparar antes de assinar é sempre a melhor estratégia.

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