China Liga Maior Íman de Fusão Nuclear do Mundo em Teste Histórico
Cientistas chineses conseguiram ligar com sucesso o maior íman supercondutor do mundo, um marco que pode acelerar significativamente a corrida global pela fusão nuclear como fonte de energia limpa. A Academia Chinesa de Ciências confirmou que o dispositivo foi posto em funcionamento no Instituto de Física do Plasma, na cidade de Hefei, na província de Anhui.
Um Íman Sem Precedentes
O íman supercondutor activado em Hefei supera em escala qualquer dispositivo equivalente já construído. Os ímanes supercondutores são componentes essenciais nos reactores de fusão nuclear porque conseguem conter o plasma a temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius, condições impossíveis de manter com materiais convencionais.
O Instituto de Física do Plasma, dependente da Academia Chinesa de Ciências, é o principal centro de investigação de fusão do país. A instalação deste íman gigante representa um salto técnico que poucos países conseguiram igualar até agora. Os cientistas chineses trabalharam durante vários anos no desenho e na construção do dispositivo antes deste teste de activação.
Porque É Que Este Marco Importa
A fusão nuclear imita o processo que alimenta o sol: fundir núcleos de átomos leves, como o hidrogénio, para libertar quantidades enormes de energia sem emitir dióxido de carbono. Ao contrário da fission nuclear usada nas centrais actuales, a fusão produz poucos resíduos radioactivos e o combustível — deutério e trítio — pode ser extraído da água do mar.
Os ímanes supercondutores são o coração tecnológico de qualquer reactor de fusão. Quanto mais potente e maior for o campo magnético, mais eficiente é a contenção do plasma. China construiu um íman capaz de gerar campos magnéticos recordes, o que permite aos investigadores experimentar com plasmas mais densos e em condições mais próximas das necessárias para uma reacção de fusão sustentável.
O Desafio Técnico da Fusão
Converter a fusão nuclear em electricidade útil tem sido o maior desafio da física dos últimos 50 anos. A dificuldade não está em aquecer o plasma até às temperaturas necessárias, mas em mantê-lo estável durante tempo suficiente para que a reacção produza mais energia do que a gasta no aquecimento. Cada tentativa de activação nestes reactores fornece dados preciosos que os investigadores usam para refinar os modelos e os materiais.
Os supercondutores funcionam apenas a temperaturas extremamente baixas, perto do zero absoluto. Qualquer falha no sistema de arrefecimento pode destruir o íman. China superou obstáculos de engenharia significativos para construir um dispositivo desta dimensão, algo que requer expertise em múltiplas disciplinas científicas e tecnológicas.
Contexto Global da Fusão Nuclear
Este desenvolvimento coloca China num grupo restrito de nações que lideram a investigação em fusão nuclear. O projecto internacional ITER, em construção no sul de França, é o maior esforço cooperativo na área e usa tecnologia semelhante. A União Europeia, os Estados Unidos, a Rússia, o Japão e a Coreia do Sul participam nesse consórcio, que visa demonstrar a viabilidade técnica da fusão em escala industrial até 2035.
Além do ITER, projectos privados nos Estados Unidos e na Europa também competem para atingir a fusão comercial. Várias empresas asseguraram financiamento significativo nos últimos anos, o que aumentou a pressão sobre os programas governamentais para produzirem resultados. China, com este íman gigante, mostra que não pretende ficar atrás nesta disputa tecnológica.
Portugal e a Investigação em Fusão
Portugal contribui para a investigação europeia em fusão nuclear através do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. A instituição participa no consórcio EUROfusion, que coordena a investigação europeia preparatória para o reactor DEMO, o modelo que se seguirá ao ITER e que visa produzir electricidade a partir da fusão.
Os investigadores portugueses têm trabalhado em áreas como o desenvolvimento de materiais resistentes a нейтронов e o diseño de sistemas de extracção de calor dos reactores. Embora Portugal não disponha de instalações comparáveis às de Hefei, a participação em projectos internacionais permite aos cientistas nacionais contribuir para avanços que beneficiam toda a humanidade.
O Que Vem a Seguir
Os próximos meses serão decisivos para os investigadores chineses. Depois de confirmada a activação bem-sucedida do íman, seguem-se testes de desempenho em condições progressivamente mais exigentes. Os cientistas vão medir a estabilidade do campo magnético, a eficiência da contenção do plasma e a durabilidade dos materiais sob stress extremo.
China estabeleceu a meta de ter um reactor de fusão demonstrador a funcionar até 2040. Se os testes em Hefei correrem como previsto, esse calendário fica mais próximo. O mundo observa: uma fusão nuclear viável poderia transformar radicalmente a matriz energética global e reduzir a dependência de combustíveis fósseis de forma irreversível.
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