China abre investigação a chefe de condado meses após inspecionar mina de carvão mortal
As autoridades chinesas anunciaram na semana passada a abertura de um processo de investigação contra Zhao Yongjin, chefe do condado de Qinyuan, na província de Shanxi. A investigação surge três meses depois de uma visita de inspeção que o responsável efetuou à mina Liushenyu Coal, onde ocorreu um acidente mortal que resultou em dezenas de mortos. O caso suscitou questões sobre a responsabilidade dos funcionários locais na fiscalização de normas de segurança nas minas de carvão.
Acidente na mina Liushenyu Coal
O desastre ocorreu em Qinyuan, uma região montanhosa no norte da China conhecida pela sua atividade mineira. A mina Liushenyu Coal era uma das muitas explorações de carvão que operam na província de Shanxi, uma das zonas de produção carbonífera mais importantes do país. O acidente matou trabalhadores que se encontravam no interior da mina durante uma operação de extração. As causas do incidente ainda estão a ser apuradas pelas autoridades competentes.
Zhao Yongjin deslocou-se ao local da tragédia pouco depois do acidente, acompanhando equipas de resgate e inspecionando as instalações. Fotografias da visita circularam nos meios de comunicação estatais, mostrando o responsável a conversar com sobreviventes e a observar os trabalhos de recuperação. Contudo, a visita levantou dúvidas sobre o papel dos reguladores locais na prevenção do desastre.
Investigação às responsabilidades locais
O anúncio da investigação foi feito pelo Ministério da Segurança Pública durante uma conferência de imprensa em Pequim. As autoridades indicaram que o processo visa determinar se Zhao Yongjin e outros funcionários locais cumpriram as suas obrigações legais em matéria de fiscalização de segurança mineira. A lei chinesa exige que os responsáveis governamentais garantam que as minas operam dentro dos parâmetros de segurança estabelecidos.
Segundo a legislação em vigor, os chefes de condado podem ser considerados pessoalmente responsáveis por acidentes que ocorram nas explorações sob a sua jurisdição. Esta responsabilização tornou-se mais rigorosa após uma série de desastres mineiros na última década, que levaram o governo central a apertar os controlos sobre o setor. Qinyuan não é a primeira região a enfrentar este tipo de investigação.
Contexto da segurança mineira na China
A China registou melhorias significativas na segurança das minas de carvão nos últimos anos. O número de mortos em acidentes mineiros caiu de várias centenas por ano para menos de uma centena na última década. Ainda assim, o país continua a ser um dos mais perigosos do mundo para os trabalhadores do setor mineiro. A pressão para manter a produção de carvão, especialmente durante os meses de inverno, cria por vezes incentivos para que as minas ignorem normas de segurança.
Inspeções e cumprimento das normas
O Ministério dos Recursos Naturais revelou que as inspeções às minas na província de Shanxi aumentaram nos últimos meses. As autoridades indicaram ter realizado mais de duas mil visitas de fiscalização desde o início do ano. Dessas inspeções, cerca de 15% resultaram em ordens de suspensão temporária por incumprimento das normas de segurança. A mina Liushenyu Coal terá passado nas últimas inspeções antes do acidente, embora as autoridades estejam agora a rever esses registos.
Organizações de defesa dos direitos dos trabalhadores têm vindo a pedir maior transparência nos processos de licenciamento e inspeção das minas. Muitos argumentam que a fiscalização é insuficiente face à dimensão do setor e ao ritmo de extração. As associações do setor mineiro contrapõem que os investimentos em segurança aumentaram substancialmente e que os acidentes são agora menos frequentes do que no passado.
Reações ao anúncio da investigação
A abertura do processo de investigação contra Zhao Yongjin foi recebida com interesse pela comunicação social estatal. Comentadores próximos do governo indicaram que o caso demonstra a determinação de Pequim em responsabilizar os funcionários locais por falhas na fiscalização. A agência noticiosa Xinhua publicou uma peça em que salientava que «ninguém está acima da lei» quando se trata de proteger a vida dos trabalhadores.
Familiares das vítimas manifestaram-se satisfeitos com o anúncio, embora alguns tenham expressado dúvidas sobre a rapidez do processo. Em Qinyuan, a população local acompanha de perto os desenvolvimentos. Muitos mineiros da região continuam a trabalhar nas explorações vizinhas e temem que a investigação não conduza a mudanças efetivas nas condições de trabalho.
O que acontece a seguir
O processo de investigação vai agora entrar numa fase de recolha de depoimentos e análise documental. As autoridades prometem publicar um relatório preliminar nas próximas semanas. Se forem confirmadas responsabilidades, Zhao Yongjin enfrenta possibilidade de demissão e procedimento disciplinar. Em casos mais graves, pode ainda serencaminhado para o Ministério Público para eventual processo criminal.
O outcome desta investigação será seguido de perto por outros distritos mineiros na China. Funcionários de condados com minas sob jurisdição estão a rever os seus próprios processos de fiscalização, de acordo com fontes próximas do Ministério da Segurança Pública. O caso de Qinyuan pode servir de precedente para uma abordagem mais rigorosa à responsabilização dos líderes locais em matéria de segurança industrial.
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