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Autoridades de Seguro da Europa Reúnem-se em Lisboa — 1,4 Biliões de Prémios Sob Análise

— Paulo Teixeira 5 min read

As principais autoridades de supervisão de seguros da Europa reuniram-se em Lisboa esta semana para debater o futuro do setor, num encontro que abrangeu aproximadamente 1,4 biliões de euros em prémios de seguro sob supervisão europeia. O evento, organizado pela Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA), reuniu representantes de 27 países da União Europeia durante três dias na capital portuguesa.

Encontro Estratégico na Capital Portuguesa

A cidade de Lisboa acolheu esta semana a assembleia plenária da EIOPA, o organismo europeu responsável por supervisionar o mercado de seguros e pensões. O encontro decorreu no Centro de Congressos de Lisboa, na zona ribeirinha da cidade, e contou com a presença de делегаções de todos os Estados-membros. Os trabalhos focaram-se na revisão das normas de solvência e na adaptação dos quadros regulatórios às realidades de mercado atuais.

O presidente da EIOPA, cujo mandato decorre até 2025, abriu os trabalhos com um discurso sobre os desafios que o setor enfrenta. "Estamos perante um momento de transformação fundamental para a indústria europeia de seguros", declarou o responsável durante a sessão inaugural. A reunião anual deste organismo representa um ponto de convergência para reguladores nacionais, incluindo o Instituto de Seguros de Portugal, que enviou uma делегаção liderada pelo seu presidente.

Os Números por Trás da Cimeira

O volume de prémios em discussão ascende a cerca de 1,4 biliões de euros, um valor que representa o total de prémios de seguro تحت المراقبة nos mercados regulados pela EIOPA. Este montante abrange seguros de vida, seguros não-vida e seguros complementares de reforma. A dimensão do mercado sob supervisão europeia torna estas reuniões particularmente relevantes para seguradoras, corretores e consumidores finais.

Portugal contribui com aproximadamente 12 mil milhões de euros anuais para esse total, posicionando-se como um mercado significativo embora não dos maiores da União Europeia. O mercado português de seguros tem crescido em média 4% ao ano nos últimos cinco anos, segundo dados recolhidos pela делегаção portuguesa durante a cimeira. As seguradoras nacionais representadas incluíram empresas como a Fidelidade, a Ageas Portugal e a Zurich Santander.

Perspetivas dos Reguladores Nacionais

Os supervisores nacionais apresentaram relatórios sobre a situação dos respetivos mercados. O representante da alemã BaFin destacou o peso da economia germanófona no contexto europeu, responsável por quase um terço do total de prémios analisados. Em sentido inverso, os делегаados dos países bálticos alertaram para os desafios enfrentados por mercados mais pequenos e menos líquidos.

Impacto Regulatório para Portugal

A reunião de Lisboa produziu várias deliberações que afetam diretamente o mercado português. Os supervisores aprovaram novas orientações sobre a avaliação de ativos risco, uma matéria particularmente relevante para as seguradoras portuguesas expostas a dívida soberana. Esta decisão surge num contexto em que a taxa de juro do Treasury português a 10 anos tem oscilado em torno de 3,2%.

O Instituto de Seguros de Portugalemitiu uma nota oficial a agradecer a escolha de Lisboa como sede do evento, sublinhando a importância da proximidade entre reguladores e supervisionados. "A realização desta cimeira em Portugal demonstra a confiança depositada nas nossas instituições supervisoras", escreveu o ISP em comunicado. Os participantes portugueses destacaram ainda os esforços de modernização do quadro regulamentar nacional implementado nos últimos dois anos.

Temas Centrais em Debate

Além da supervisão tradicional, os trabalhos abrangeram três grandes temas estratégicos. Primeiro, a adaptação das regras de solvência às alterações climáticas, um assunto que mobiliza cada vez mais a atenção do setor. Segundo, a digitalização dos serviços de seguros e os riscos cibernéticos associados. Terceiro, a proteção dos consumidores em contextos de produtos de investimento com componente de seguro.

As orientações publicadas pela EIOPA após a reunião incluem novas regras sobre a comunicação de riscos climáticos nos relatórios anuais das seguradoras. Esta exigência entrarã em vigor gradualmente até 2026, afetando todas as empresas reguladas pelo organismo. As seguradoras portuguesas terão de adaptar os seus sistemas de reporte para cumprir os novos requisitos de divulgação.

Reações do Setor Segurador

A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) acompanhou os trabalhos através de um observador e reagiu favoravelmente às conclusões. Em comunicado enviado após o encerramento da cimeira, a APS afirmou que as novas orientações trazem "clareza necessária" para o setor. A associação reprezentou ainda que as empresas associadas estão preparadas para os desafios da transição digital e climática.

Não faltaram, contudo, vozes críticas. Algumas seguradoras de menor dimensão Manifestaram preocupação com o custo de cumprimento das novas obrigações de reporte. Um estudo interno da EIOPA, citado durante os debates, estima que os custos de conformidade possam aumentar entre 5% e 8% para empresas com prémios anuais inferiores a 500 milhões de euros. A Comissão Europeia acompanha estas preocupações e prometeu uma avaliação de impacto antes da implementação definitiva.

O Que Sigue para o Setor

A cimeira de Lisboa termina com um roteiro claro para os próximos meses. Até ao final do primeiro trimestre de 2025, a EIOPA publicará o relatório final sobre a revisão das regras de solvência. Esse documento servirá de base para as discussões no Conselho Europeu e no Parlamento, que terão de aprovar eventual legislação derivada.

Para os consumidores portugueses, as decisões tomadas esta semana em Lisboa deverão traduzir-se em maior transparência nos produtos de seguro. A exigência de divulgação de riscos climáticos, por exemplo, permitirá aos clientes avaliar melhor a exposição das suas apólices a eventos meteorológicos extremos. A EIOPA marcou a próxima reunião plenária para setembro, desta vez em Frankfurt, onde serão apresentados os progressos na implementação das orientações agora aprovadas.

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