Alemanha e Japão Lançam Programa de Rearmamento Maciço 80 Anos Após WWII
Berlim e Tóquio anunciaram esta semana planos para expandir significativamente as suas capacidades militares, marcando a mais profunda alteração na política de defesa de ambos os países desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A decisão surge num contexto de crescente instabilidade geopolítica na Europa e na Ásia, e representa uma rutura simbólica com décadas de restraint militar que caracterizou ambas as nações desde 1945.
Os Planos de Berlim para a Defesa Europeia
A Alemanha revelou que pretende aumentar o seu orçamento de defesa para mais de 2% do Produto Interno Bruto nos próximos anos, depois de anos de subinvestimento crónico nas Forças Armadas. O plano inclui a aquisição de novos aviões de combate, submarinos e veículos blindados, além de investimentos significativos em ciberdefesa. Berlim anunciou ainda o envio de efetivos adicionais para a missão da NATO na Frente Oriental, reforçando a presença militar alemã na Polónia e nos Estados Bálticos.
O ministro da Defesa alemão confirmou que o país vai duplicar o número de soldados nas suas fileiras, passando dos atuais 180 mil para cerca de 203 mil até 2032. Esta meta representa o maior crescimento do exército alemão desde a reunificação, em 1990. O investimento total previsto ultrapassa os 60 mil milhões de euros anualmente, transformando a Bundeswehr numa das forças armadas mais bem equipadas da Europa.
O NovoCurso do Japão na Ásia
No Pacífico, o Japão anunciou uma revisão histórica da sua Estratégia Nacional de Segurança, aprovada pelo Gabinete do Primeiro-Ministro em Tóquio. O documento permite pela primeira vez que o país realize ataques preventivos contra bases inimigas, uma medida anteriormente proibida pela constituição pacifista nipónica. A mudança reflete a crescente preocupação de Tóquio com as tensões na região do Mar da China Meridional e com o programa nuclear e balístico da Coreia do Norte.
O governo japonês comprometeu-se a aumentar o orçamento de defesa para 2% do PIB dentro de cinco anos, alinhando-se com as metas da NATO. Esta meta implica um aumento de cerca de 60% face aos níveis atuais de despesa militar japonesa. Tóquio anunciou ainda a aquisição de mísseis de cruzeiro Tomahawk dos Estados Unidos, capazes de atingir alvos a mais de 1.600 quilómetros de distância, e o desenvolvimento de novos satélites de reconhecimento.
A Mudança Constitucional no Japão
A revisão constitucional proposta pelo primeiro-ministro japonês remove uma das últimas restrições remanescentes do período pós-guerra. O artigo 9 da Constituição japonesa, que proíbe o Japão de manter forças armadas com poderes de guerra, será reinterpretado para permitir uma capacidade de dissuasão mais robusta. Esta alteração requer a aprovação do Parlamento japonês, onde o partido governante detém uma maioria confortável.
As sondagens indicam que cerca de 60% dos japoneses apoiam alguma forma de revisão constitucional em matéria de defesa, um número que subiu significativamente na última década. A mudança de sentimento público reflete preocupações crescentes com a segurança regional, particularmente após os testes balísticos repetidos realizados pela Coreia do Norte.
O Contexto da Nova Guerra Fria
As decisões de Berlim e Tóquio ocorrem num período de intensificação da rivalidade entre potências. A invasão russa da Ucrânia em 2022 acelerou uma reavaliação profunda da arquitetura de segurança europeia, enquanto no Pacífico os EUA intensificaram os exercícios militares conjuntos com os seus aliados. A China aumentou significativamente o seu orçamento de defesa, superando pela primeira vez os 250 mil milhões de dólares anuais, enquanto Taiwan reportou uma atividade naval chinesa cada vez mais agressiva nos Estreitos adjacentes.
A NATO manifestou formalmente a sua satisfação com os anúncios de Berlim, com o Secretário-Geral a descrever a decisão alemã como "histórica" e "essencial" para a aliança. No Pacífico, o tratado de defesa mútua entre o Japão e os Estados Unidos continua a ser a pedra angular da estratégia de segurança regional de Tóquio, com exercícios militares conjuntos a quadruplicarem de frequência desde 2020.
Reações Internacionais
A China reagiu com cautela aos anúncios, através de um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Pequim, alertando que o rearmamento japonês "deve ser transparente e não deve ameaçar a estabilidade regional". A Rússia, por sua vez, criticou duramente a decisão alemã, acusando Berlim de "provocar uma nova corrida aos armamentos no continente europeu". Moscovo ameaçou tomar "medidas de resposta proporcionais" ao aumento da presença militar da NATO na sua fronteira ocidental.
Os aliados tradicionais de Berlim na Europa Ocidental receberam os anúncios com apoio desigual. A Polónia acolheu favoravelmente os planos alemães, enquanto a França expressou reservas sobre uma dependência excessiva da Alemanha na defesa europeia. O governo italiano manifestou apoio aos esforços de rearmamento, anunciando paralelamente o seu próprio aumento de despesas militares.
Implicações para a Economia de Defesa
A procura acrescida por equipamento militar está a provocar ondas de choque na indústria de defesa europeia e asiática. As ações das principais empresas do setor, como a Rheinmetall na Alemanha e a Mitsubishi Heavy Industries no Japão, subiram mais de 40% em bolsa desde o início do ano. Os contratos de defesa representam agora uma fatia crescente das encomendas industriais, com milhares de empregos diretos e indiretos em jogo.
A escassez de capacidade produtiva tornou-se um problema imediato. A Bundeswehr enfrentou atrasos significativos na entrega de equipamento militar nos últimos anos, com muitos sistemas Weapon system fora de serviço por falta de peças sobressalentes. A indústria de defesa alemã estima que serão necessários pelo menos cinco anos para modernizar completamente as Forças Armadas, mesmo com investimentos acelerados.
O Que Acontece a Seguir
Os parlamentos de ambos os países terão de aprovar os planos de despesa nos próximos meses. Em Berlim, o Bundestag debate uma proposta de alteração constitucional para permitir o desvio de fundos para a Defesa fora do teto da dívida. Em Tóquio, a dieta japonesa deve votar as novas diretivas de segurança até ao final do ano fiscal em março. O processo legislativo vai testar a coesão das maiorias governantes em ambos os países, com oposição significativa de partidos menores e de sectores da sociedade civil.
Os analistas recomendam que os leitores acompanhem de perto os próximos passos da diplomacia de segurança. Está prevista uma cimeira trilateral entre os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul nas próximas semanas, onde se espera que sejam anunciados novos mecanismos de cooperação militar. Na Europa, a reunião extraordinária dos ministros da Defesa da NATO em Bruxelas no próximo mês vai discutir a integração dos planos alemães na postura global da aliança.
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