Brasil e São Tomé submeteram este ano as suas candidaturas para que sítios dos dois países sejam inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO. As nomeações foram apresentadas ao Comité do Património Mundial, que reúne anualmente para avaliar os pedidos de países membros. Portugal não apresentou candidatura própria neste ciclo, mas mantém presença no processo através de Organizações Não Governamentais acreditadas junto da UNESCO.

Candidaturas em Análise pelo Comité da UNESCO

O Comité do Património Mundial analisa durante o ano os dossiês enviados pelos Estados Parte da Convenção de 1972. Cada candidatura passa por uma avaliação técnica rigorosa da IUCN ou do ICOMOS, dependendo se se trata de património natural ou cultural. Brasil e São Tomé juntaram-se a dezenas de outros países que submeteram propostas de inscrição durante o prazo limite de fevereiro.

Brasil e São Tomé Disputam Nomeações para Sítios do Património Mundial da UNESCO — Tecnologia
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O processo de avaliação inclui visitas ao terreno por peritos internacionais e a elaboração de relatórios detalhados. Apenas uma fração das candidaturas recebe aprovação final do comité, composto por 21 Estados membros eleitos pela Assembleia Geral da UNESCO.

O Que Está em Jogo para os Dois Países

Para Brasil, a nomeação representa mais uma etapa na estratégia de promoção do seu património cultural. O país sul-americano já conta com 15 bens materiais inscritos na Lista do Património Mundial, incluindo o Centro Histórico de Ouro Preto e o Parque Nacional da Serra da Capivara. Uma nova inscrição traria benefícios turísticos e ajudaria a financiar projetos de conservação.

São Tomé e Príncipe, por sua vez, dispõe de recursos naturais e culturais que ainda não beneficiaram do estatuto de património mundial. A pequena nação insular do Golfo da Guiné tem apostado no desenvolvimento sustentável e no ecoturismo como eixos da sua economia. Uma inscrição na lista da UNESCO poderia acelerar esses esforços e atrair financiamento internacional para a preservação ambiental.

O Papel de Portugal no Sistema da UNESCO

Portugal figura entre os países com maior densidade de sítios classificados na Europa, com 17 bens inscritos na Lista do Património Mundial. Embora não tenha apresentado candidatura própria este ano, organizações portuguesas mantêm envolvimento ativo no processo de supervisão e avaliação. O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) coordena a preparação de futuras nomeações portuguesas.

A participação de Portugal no Comité do Património Mundial ocorreu em vários períodos desde 1978. O país tem contribuído para debates sobre conservação, gestão de sítios e desafios colocados pelas alterações climáticas ao património mundial.

Critérios de Avaliação e Desafios

O Comité avalia as candidaturas com base em dez critérios de valor universal excecional. Entre eles estão a representação de uma obra-prima do génio criativo humano, a incorporação de testemunhos de civilizações desaparecidas e a exibição de padrões de valores humanos significativos. Os sítios devem também demonstrar integridade e autenticidade, além de dispor de planos adequados de proteção e gestão.

Muitos dossiês de candidatura são rejeitados ou adiados na primeira apresentação. A taxa de sucesso ronda os 30 por cento em cada ciclo, o que torna o processo extremamente competitivo. Países como Brasil e São Tomé precisam de demonstrar que os sítios propostos cumprem padrões internacionais e que existem garantias de preservação a longo prazo.

Próximas Etapas do Processo

O Comité do Património Mundial reúne-se anualmente para decidir sobre as inscrições. Na reunião deste ano, serão analisadas dezenas de candidaturas pendentes de diferentes regiões do mundo. As decisões finais são tomadas por votação entre os membros do comité, após debates prolongados e, por vezes, negociações intensas.

Após a reunião do comité, os resultados são publicados e os países são informados das decisões. Candidaturas não aprovadas podem ser reapresentadas em ciclos subsequentes, após correções e melhorias nos dossiês. Esta flexibilidade permite que países como Brasil e São Tomé mantenham abertas as suas possibilidades de obtenção do estatuto de património mundial.

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Entre eles estão a representação de uma obra-prima do génio criativo humano, a incorporação de testemunhos de civilizações desaparecidas e a exibição de padrões de valores humanos significativos. Leia TambémGalp anuncia redução de capital após recompra de ações de 250 ME — impactos no mercadoMercado Piccole Molecole Drug Discovery Analise e Previsoes Mundiais de 2020 a 2024

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FAQ
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Cada candidatura passa por uma avaliação técnica rigorosa da IUCN ou do ICOMOS, dependendo se se trata de património natural ou cultural.
Miguel Rodrigues
Autor
Miguel Rodrigues é jornalista de tecnologia e inovação a cobrir o ecossistema de startups português, a digitalização da economia e as políticas europeias de regulação tecnológica. Baseado no Porto, acompanha empresas de tecnologia, iniciativas de inteligência artificial e os desafios da transição digital nas PME portuguesas.

Miguel tem contribuído para publicações tecnológicas nacionais e internacionais e participado em eventos do sector como o Web Summit. Licenciou-se em Engenharia Informática na Universidade do Porto.