Nas últimas épocas, a seleção inglesa tem sido consistentemente rápida e atleticamente impressionante. No entanto, a questão que se impõe é simples: esta equipa consegue adaptar-se quando o plano inicial não funciona? A resposta, pelos vistos, continua a ser negativa.

O Problema Tático de Southgate

O selecionador Gareth Southgate construiu uma equipa que funciona bem quando os jogadores podem explorar espaços nas costas da defesa adversária. A velocidade de jogadores como Saka, Foden e Bellingham torna este estilo eficaz contra equipas que defendem alto. Mas o problema surge quando os adversários baixam as linhas e negam esses espaços.

Inglaterra Mostra Ritmo mas Sem Soluções: Falta um Plano B? — Agricultura
Agricultura · Inglaterra Mostra Ritmo mas Sem Soluções: Falta um Plano B?

Contra a Croácia, por exemplo, a Inglaterra encontrou uma muralha defensiva compacta. Sem espaço para correr, a equipa não conseguiu criar jogadas de roturação. Os médios foram empurrados para posições incómodas e a criatividade desapareceu do meio-campo. Os golos surgiram apenas através de erros individuais croatas, não de construção elaborada.

A Falta de Opções Criativas

O que mais preocupa é a ausência de um verdadeiro organizador de jogo no onze titular. A Inglaterra tem velocidade de sobra, mas falta-lhe um jogador que consiga ditar o ritmo e criar oportunidades quando o jogo está fechado. Mason Mount foi testado nessa posição, mas o seu rendimento tem sido inconsistente nos jogos mais difíceis.

Os suplentes também não oferecem soluções diferentes. Grealish pode mudar um jogo pela sua capacidade de drible, mas Southgate raramente o usa de forma consistente. A impressão é que a Inglaterra entra em campo com uma única abordagem e, quando ela falha, a equipa simplesmente tenta correr mais rápido.

O Factor Portugal

Esta fragilidade tática torna a Inglaterra vulnerável contra equipas como Portugal, que possuem jogadores capazes de controlar o jogo através da técnica individual. Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix podem resolver partidas sem necessitar de espaços enormes. Se estas duas equipas se encontrassem, a Inglaterra teria dificuldade em impor o seu ritmo direto.

As últimas notícias do europeu mostram que a Croácia, apesar de perder contra Espanha na meia-final, conseguiu neutralizar a Inglaterra durante largos períodos. Este é um aviso claro para o que pode acontecer em encontros contra equipas tecnicamente superiores.

O Que Precisa de Mudar

Para ser competitiva nos grandes torneios, a Inglaterra precisa de desenvolver pelo menos duas abordagens táticas funcionais. Primeiro, precisa de um médio criativo que consiga progressão de bola em espaços reduzidos. Segundo, precisa de um sistema alternativo quando a defesa baixa adversária impede os contra-ataques.

Algumas vozes no futebol inglês apontam para Trent Alexander-Arnold como solução. O defesa do Liverpool é talvez o melhorpassador da Premier League, mas Southgate tem preferido opções mais conservadoras na defesa. Esta decisão reflete uma filosofia que prioriza a segurança defensiva em detrimento da criatividade atacante.

Desenvolvimentos Atuais e Expectativas

Os últimos meses não trouxeram grandes mudanças nesta situação. A equipa continua a depender heavily dos momentos de velocidade individual. Contra equipas menores, isto basta para vencer. Mas quando o nível sobe, como aconteceu na final do Euro contra Itália, a Inglaterra precisa de mais ferramentas.

A próxima janela de internacionals em novembro trará novos testes. Os jogos contra nações europeias de topo vão expor novamente estas limitações. Os adeptos britânicos esperam respostas, mas a estrutura tática da equipa sugere que poucas mudanças estão previstas.

O que fica claro é que a Inglaterra tem talento suficiente para ir longe em qualquer torneio. A questão é se Southgate está disposto a adaptar o sistema em vez de pedir aos jogadores para simplesmente correrem mais rápido.

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Carlos Pereira
Autor
Carlos Pereira é jornalista agrícola e rural, cobrindo a agricultura do Minho e do Norte de Portugal, as políticas da PAC, o sector vitivinícola e os desafios das explorações agrícolas familiares perante as alterações climáticas.

Carlos tem larga experiência em reportagem de terreno, visitando quintas, adegas e cooperativas agrícolas em todo o Entre-Douro-e-Minho. É licenciado em Agronomia pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo.