Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky contactaram Donald Trump em chamadas separadas realizadas no domingo, dia do aniversário do Presidente dos Estados Unidos. O Kremlin e Kiev confirmaram posteriormente os contactos, que decorreram num momento de elevadas tensões no conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Trump recebe chamadas de dois líderes rivais no mesmo dia

As duas conversas telefónicas aconteceram no domingo, coincidindo com a data de aniversário de Trump. O Kremlin indicou que Putin falou com o líder norte-americano sobre a necessidade de uma resolução pacífica para o conflito na Ucrânia. Zelensky, por sua vez, utilizou a chamada para reforçar a posição de Kiev junto da administração norte-americana.

Putin e Zelensky telefonam a Trump no dia do seu aniversário — análise — Europa
Europa · Putin e Zelensky telefonam a Trump no dia do seu aniversário — análise

A Casa Branca ainda não emitiu um comunicado oficial detalhado sobre o teor das conversas. As chamadas foram confirmadas quase em simultâneo por fontes próximas de ambas as delegações.

O significado político das conversas

Ter o mesmo líder a receber contactos de dois adversários directos no mesmo dia não é um acontecimento menor. Analistas diplomáticos em Washington consideram que Trump procurou projectar uma imagem de mediador activo no conflito europeu, mesmo durante uma celebração pessoal.

A situação coloca a administração norte-americana num papel delicada: manter o apoio a Kiev sem romper completamente com Moscovo. As duas conversas separadas sugerem que Washington pretende manter canais abertos com ambas as partes.

Contexto do conflito na Ucrânia

O conflito entre a Rússia e a Ucrânia arrasta-se desde Fevereiro de 2022, sem que se tenha encontrado até agora uma solução negociada duradoura. Zelensky tem pressionado os aliados ocidentais a aumentarem o apoio militar e financeiro, enquanto a Rússia mantém as suas posições em territórios anexados.

As negociações de paz já foram tentadas por várias vias diplomáticas, incluindo mediação da China, do Brasil e de países do Médio Oriente. Nenhuma conseguiu avanços significativos até à data.

A estratégia de Trump para o conflito

Trump afirmou repetidamente durante a campanha eleitoral que conseguiria resolver o conflito na Ucrânia em 24 horas, caso fosse eleito. As chamadas do domingo indicam que o novo Presidente está a tentar cumprir essa promessa, ainda que os métodos sejam mais graduais do que o slogan sugeria.

A отношения com Putin levantam questões sobre o futuro da ajuda norte-americana à Ucrânia. Congressistas democratas já manifestaram preocupação com o que consideram ser uma aproximação excessiva a Moscovo.

Reações em Kiev e Moscovo

Zelensky descreveu a sua chamada com Trump como "produtiva" nas redes sociais. O Presidente український sublinhou a importância de manter o apoio dos Estados Unidos e instou Washington a continuar a pressionar a Rússia diplomaticamente.

Do lado russo, o Kremlin comunicou que Putin expressou openness a negociações, mas sem ceder nas suas exigências principais relativas à soberania territorial. Moscovo continua a exigir que Kiev reconheça a anexação da Crimeia e dos territórios do leste.

O que acontece a seguir

A administração Trump deverá designar um enviado especial para as negociações com a Rússia e a Ucrânia nas próximas semanas. A nomeação será observada de perto tanto em Kiev como em Moscovo, pois indicará qual a abordagem preferida por Washington.

Congressistas europeus também aguardam sinais claros sobre o compromisso dos Estados Unidos com o financiamento da defesa europeia. A ausência de apoio norte-americano poderia obrigar a União Europeia a rever significativamente os seus planos militares.

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Pedro Costa
Autor
Pedro Costa é jornalista político a cobrir a Assembleia da República, o Governo e as relações de Portugal com as instituições europeias. Baseado em Lisboa, acompanha os debates legislativos, as negociações orçamentais e a política externa portuguesa com particular atenção às questões de governação e administração pública.

Pedro tem vasta experiência em cobertura parlamentar e reportagem de política europeia, tendo seguido várias presidências do Conselho da UE. É licenciado em Ciência Política pela Universidade de Lisboa.