O Presidente Xi Jinping chegou a Pyongyang na quinta-feira para uma visita oficial à Coreia do Norte, marcando a primeira deslocação do líder chinês ao país em quase uma década e meia. A deslocação, que decorre até sábado, surge num momento de tensões elevadas na península coreana e de pressões diplomáticas crescentes entre Washington e Pequim.

Uma Visita Caracterizada como Histórica

A comitiva de Xi Jinping foi recebida no Aeroporto de Pyongyang por autoridades norte-coreanas, incluindo o líder Kim Jong-un, que pessoalmente acompanhará o visitante durante os três dias de estadia. Os meios de comunicação estatais norte-coreanos transmitiram imagens da cerimónia de boas-vindas, onde foram exibidas bandeiras de ambos os países.

Xi Jinping Chega à Coreia do Norte em Visita Histórica Após 14 Anos de Ausência — Politica
Política · Xi Jinping Chega à Coreia do Norte em Visita Histórica Após 14 Anos de Ausência

Esta é apenas a segunda visita de Estado que Xi Jinping realiza à Coreia do Norte desde que assumiu a presidência em 2013. A última deslocação de um presidente chinês a Pyongyang ocorreu em 2011, quando Hu Jintao visitou o país antes de entregar o poder.

O Contexto Geopolítico da Deslocação

A visita ocorre semanas depois de a China e a Rússia terem realizado exercícios navais conjuntos no Mar Amarelo, numa demonstração de força que alarmou Washington e os seus aliados na região. Analistas apontam que Pequim pretende consolidar a sua aliança estratégica com Pyongyang precisamente quando as relações sino-americanas atravessam uma fase particularmente difícil.

Relações Comerciais e Sanções Internacional

A China permanece o principal parceiro comercial da Coreia do Norte e o único aliado de peso que o país mantém no cenário internacional. Apesar das sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU devido ao programa nuclear norte-coreano, Pequim nunca suspendeu completamente as trocas comerciais com o vizinho.

Xi Jinping levará consigo uma delegação empresarial significativa, alimentando especulações sobre possíveis acordos de cooperação económica que poderiam desafiar o regime de sanções em vigor.

Implicações para a Península Coreana

A deslocação acontece num período em que os testes armamentistas norte-coreanos voltaram a intensificar-se. Pyongyang realizou este ano vários lançamentos de mísseis balísticos, incluindo um míssil balístico intercontinental que caiu no Mar do Japão. Os Estados Unidos e o Japão reagiram com preocupação, exigindo novas reuniões de emergência no Conselho de Segurança.

Especialistas em assuntos asiáticos salientam que a visita de Xi Jinping pode servir para pressionar Kim Jong-un a moderar o ritmo dos testes nucleares, ou pelo contrário, pode sinalizar que Pequim apoia discretamente a postura confrontacional do regime de Pyongyang.

A Agenda Diplomática em Aberto

Durante a visita, estão previstas reuniões entre Xi Jinping e Kim Jong-un para discutir a situação na península coreana, as relações bilaterais e questões regionais de interesse comum. Um comunicado conjunto deverá ser emitido no sábado, data marcada para a partida da delegação chinesa.

Fontes diplomáticas citadas pela agência noticiosa Reuters indicam que Pequim pretende utilizar esta visita para reafirmar o seu papel como mediador nas questões relativas à Coreia do Norte, num momento em que as negociações sobre o programa nuclear se encontram num impasse.

Reações Internacionais

O Departamento de Estado norte-americano manifestou preocupação com a visita, afirmando que a China deveria aproveitar a oportunidade para encorajar a desnuclearização da península coreana. A Casa Branca evitoudemitir comentários oficiais sobre o assunto.

Na capital sul-coreana, Seul acompanhou a visita com particular atenção, dado que qualquer inflexão na política Pequim em relação a Pyongyang pode afetar diretamente a segurança nacional sul-coreana.

O Que Merece Atenção

Os próximos dias serão decisivos para avaliar o significado real desta visita. O comunicado conjunto de sábado poderá esclarecer se Xi Jinping conseguiu algum compromisso concreto de Kim Jong-un relativamente aos testes armamentistas. Além disso, a composição da delegação empresarial e os acordos económicos anunciados fornecerão pistas sobre os verdadeiros objetivos estratégicos de Pequim.

Washington deverá emitir uma declaração formal nas próximas 48 horas, possivelmente detalhando novas medidas de pressão caso a visita não produza resultados que os Estados Unidos considerem positivos.

Leia Também

Pedro Costa
Autor
Pedro Costa é jornalista político a cobrir a Assembleia da República, o Governo e as relações de Portugal com as instituições europeias. Baseado em Lisboa, acompanha os debates legislativos, as negociações orçamentais e a política externa portuguesa com particular atenção às questões de governação e administração pública.

Pedro tem vasta experiência em cobertura parlamentar e reportagem de política europeia, tendo seguido várias presidências do Conselho da UE. É licenciado em Ciência Política pela Universidade de Lisboa.